Lua cheia de março…

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terceira noite - lua cheia

Antes de nós nos mesmos arvoredos
Passou o vento, quando havia vento,
e as folhas não falavam
De outro modo do que hoje
Passamos e agitamo-nos debalde
Não fazemos mais ruído no que existe
Do que as folhas das árvores
Ou os passos do vento.
Tentemos pois com abandono assíduo
Entregar nosso esforço à Natureza
E não querer mais vida
Que a das árvores verdes.
Inultimente parecemos grandes.
Salvo nós nada pelo mundo fora
Nos saúda a grandeza
Nem sem querer nos serve.
Se aqui, à beira-mar, o meu indicio
Na areia o mar com ondas três o apaga
Que fará na alta praia
Em que o mar é o Tempo?

Ricardo Reis

Amuletos de março…

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saquinho de folhas


Na lua nova de março:
 

…colha sete folhas de sete árvores diferentes – guarde-as e, quando acontecer a lua cheia, prepare um saquinho feito com um tecido que melhor lhe agradar. Fecho-o com uma fita. Eu escolhi amarrar com palha para servir também de enfeite…

Na manhã do dia seguinte pendure-o em algum lugar onde você possa avistá-los. Eu coloquei atrás da porta de entrada.  

Ajuda a equilibrar as energias de sua casa e de sua morada: seu corpo-alma-mente…

 

Ps. Mas não colha as folhas diretamente das árvores – deixe que elas se apresentem a você.

Lua do “olho interior”

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olhar de fogo

 

Sua cor é o azul – sua direção o oeste. Seu sentimento é a melancolia – sua condição: a introspecção. Sua vibração é a batida do coração. Firme. Forte. Incisivo. É a voz que silencia para ouvir dentro – percebendo os ecos das cavernas subterrâneas da alma.

É tudo que fica para depois – dentro de um tempo que não se soma. Não se precipita e não acontece. É o passo seguinte sem o movimento. É o outono – dias ainda quentes – o crepúsculo que põe fim ao dia mais cedo. Uma noite inteira. Olhos fechados. O reflexo turvo no fundo do espelho… A manhã que se demora um pouco mais…

 

Para meditar com a lua do olho interior é preciso fechar os olhos, respirar fundo até tudo se acalmar em sua pele. É preciso uma vela acesa. Mãos unidas a frente do corpo. Olhar fixo na chama da vela. Fecha-se os olhos quando o único som a ser ouvido é o do próprio coração e, então leva-se para dentro a chama da vela. Exercício demorado, mas há trinta e um dias para tentá-lo. Essa meditação nos acalma e nos prepara para o próximo ritual…

Março – o senhor da guerra

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O Anjo
Rainer Maria Rilke

Com um mover da fronte ele descarta
tudo o que obriga, tudo o que corta,
pois em seu coração, quando ela o adentra,
a eterna Vinda os círculos concentra.

O céu com muitas formas Ihe aparece
e cada qual demanda: vem, conhece –.
Não dês às suas mãos ligeiras nem
um só fardo; pois ele, à noite, vem

à tua casa conferir teu peso,
cheio de ira, e com a mão mais dura,
como se fosses sua criatura,
te arranca do teu molde com desprezo.

 

marco

 

Aconteceu março – gosto de dizer “aconteceu” porque me remete a páginas dos livros como se fosse uma história sendo narrada junto aos meus olhos:”once upon a time” ou algo assim…

Março é o mês das águas que fecham o verão – assim disse o mestre-maestro-poeta Tom Jobim. Seu nome é consagrado ao deus romano da guerra “Marte” ou “Ares” na mitologia grega…

Ares era filho de Zeus e Hera – e, de acordo com a Iliada (poema de Homero) – tinha uma quadriga (carroça puxada por 4 cavalos). Os garanhões – segundo o poema – eram imortais e, soltavam fogo pelas narinas…

Para os romanos – este mês representava o novo Ano que começava justamente no equinócio da primavera – algo próximo ao dia 21 de março – data em que se inicia o Ano Zodiacal.

Eu sempre achei curiosa a relação do mês de março para com o deus da guerra, uma vez que de acordo com o zodíaco é justamente o momento de nos voltamos para nós mesmos – nos encarando e enfrentando – afinal, ao dar passos pelos caminhos que traçamos, muitas vezes nos afastamos de nós mesmos e, pior não somos capazes de nos reconhecermos no fundo do espelho…

A Bruxaria – curiosamente – nos impõe justamente esse exercício de volta a nós mesmos…

A lua do mês de março nos pede atenção para com as coisas que de fato são importantes. Ao mesmo tempo em que nos pede para deixar de lado as aparências que comumente nos enganam. Tarefa nada fácil para um tempo em que “aparência é tudo” para a grande maioria de nós…

Parece lógico dizer que temos a nossa própria guerra – “intima e pessoal” – para travar e portanto, melhor pedir a proteção de Ares acendendo uma vela verde junto a janela…

 

“A vida não dá e nem empresta, não se comove e nem se apieda.
Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir aquilo que nós lhe oferecemos”.
Albert Einstein

Coisas de uma março revisitado,

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“Cada coisa a seu tempo tem seu tempo
Não florescem no inverno os arvoredos,
Nem pela primavera
Têm branco frio os campos

Ricardo Reis

catarina 14

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma lembrança equivocada – um sonho improvisado ou um delírio agudo – eu nunca soube…

Mas foi mais ou menos assim: eu sai para caminhar numa manhã de março. Estava inquieta e, imersa numa saudade incomum – constante. A melancolia tomava conta de minha alma. Havia chovido na noite anterior e as ruas ainda exibiam resquícios das águas de março… Sai sem destino!

Duas ruas para baixo – uma rua acima – um punhado de esquinas e lá estava eu diante daquela igreja com sua arquitetura estranha entre duas esquinas. A frente um pedaço de praça – um banco entre duas árvores. Um pedaço de rua. Outra esquina. Uma porta semi-aberta. Livros espalhados por simpáticas prateleiras. Algumas mesinhas. Cadeiras. Um pequeno café, escondido no meio dos livros. Luz opaca. Um jazz antigo a percorrer o ambiente. O som do sax a se fazer sentir na pele, na alma… Ao fundo, uma moça com seu estilo ultrapassado – lembrei-me imediatamente dos livros de Zafon – era como se tivesse dentro do livro “o jogo do anjo“…

A essa altura – como de costume – o imaginário começava a ser questionado.
A tal moça exibiu aquele sorriso de boas vindas – eu era sua única cliente naquele momento – e eu pensando “se amanhã eu passar por essa rua novamente e nada encontrar aqui, eu juro que grito“.

Ela me olhou atentamente durante alguns segundos – parecia reconhecer-me de algum lugar – e, então disse em voz alta “eu tenho o que você procura“. Fiquei esperando por um livro de Eliot ou Álvaro de Campos – leitura comum naqueles dias – mas ela surgiu junto a mim com um livro estranho “guia essencial da bruxa solitária de Scott Cunningham“.

…peguei o livro em mãos para melhor sentir o peso daquela “descoberta“ e, em meio a desconforto que passei a nutrir em meu íntimo pensei em resusá-lo, mas comecei a imaginar tudo que ela diria e acabei preferindo o silêncio comum a minha pele.

O cheiro daquele lugar era tão agradável, combinava elementos: madeira, folhas secas, páginas de livros e café recém coado. Ela me apontou uma mesinha ao fundo: redonda-pequena-simpática-e-charmosa. Cenário perfeito para uma leitura. Poesia. Perguntei a ela “você tem livro de poesias?” – ela entregou a mim um sorriso irônico, como se estivesse a esperar por aquela pergunta típica. E respondeu de maneira firme – diria até um pouco rude “tenho, mas nada que irá lhe interessar – se bem que eu tenho um livro aqui em algum lugar que talvez te interesse. Ricardo Reis. Mas você prefere o outro: Campos, não é mesmo?”

A essa altura eu tive certeza plena  do meu devaneio. Já não sabia se sonho ou pesadelo. Seria sonho se eu de fato estivesse deitada na cama e com os olhos fechados – pesadelo se eu estivesse em um lugar inexistente, traçado pelo meu imaginário e, sendo totalmente incapaz de reconhecer esse cenário…

Fechei os olhos – respirei fundo – mas absolutamente nada mudou nos minutos seguintes. Ela me ofereceu um café. Eu aceitei como se não tivesse escolha e fiquei lá, andando atrás dela por todo aquele lugar – entre prateleiras – a ouvir sua fala incessante. Ela me contou dos dias em que cavalgava pelos campos e fazia seus rituais em clareiras. Depois, entre um gole e outro de café – estupidamente saboroso – ela falou da lua cheia – da beleza do intimo e do prazer de se reconhecer ao olhar no espelho…

Tudo que ela dizia me parecia familiar – mesmo não tendo lembranças palpáveis em minha memória sobre aquele tema. Naqueles dias a minha memória não me dizia muitas coisas – era tudo fragmento de coisas, pessoas e lugares… E, mesmo assim eu nutria em mim aquela sensação de que todas aquelas coisas eram minhas…

Lembro-me que ela olhou pra mim e disse “amanhã é noite de lua cheia, venha festejar a lua – traga sementes menina estrangeira” – fixei meu olhar junto aquela figura antiga na tentativa de ter certeza de que tudo não passava de um sonho, mas não afirmei minha presença…

Iniciação
Ricardo Reis

Não dormes sob os ciprestes
Pois não há sono no mundo
O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo
Vem a noite, que é a morte,
E a sombra acabou sem ser
Vais na noite só recorte,
Igual a ti em querer.
Mas na Estalagem do assombro
tiram-te os anjos a capa
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que tapa
Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu
não tens vestes, não tens nada
Tem só teu corpo, que és tu
Por fim, na funda caverna
Os Deuses despem-te mais
Teu corpo cessa, alma externa
Mas vê que são teus iguais
A sombra de tuas vestes
Ficou entre nós na sorte
Não estás morto entre ciprestes
Neófito, não há morte

A essência…

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Se existe viagem é esta: percorrer as diferentes fabulações 
de nós mesmos, contar essas maravilhações aos outros. 
E confessar, sem vergonha pública: olhe, eu estou sendo este. 
Mas já fui uns que morreram. Quem sabe serei quem, 
depois deste mim?” – Mia  Couto

 

Um Rio chamado Tempo, uma Casa chamada Terra

Era a voz antiga das mulheres – no tempo da minha infância – que eu ouvia me chamando acender o lume. Cumpriam um preceito de antigamente: apenas um homem podia iniciar um fogo. As mulheres tinham a tarefa da água. E se refazia o eterno: na cozinha se afeiçoavam, sobre gesto de mulher, o fogo e a água. Como nos céus, os deuses moldavam a chuva e o relâmpago.

A cozinha me transporta para distantes doçuras. Como se, no embaciado dos seus vapores, se fabricasse não o alimento, mas o próprio tempo. Foi naquele chão que inventei brinquedos e rabisquei os meus primeiros desenhos. Ali escutei falas e risos, ondulações de vestidos. Naquele lugar recebi os temperos do meu crescer.

Não era apenas a casa que nos distinguia em luar-do-chão. A nossa cozinha nos diferenciava dos outros. Em toda a ilha, as cozinhas ficavam fora, no meio dos quintais, separadas do restante da casa. Nós vivíamos ao modo europeu, cozinhando dentro, comendo fechados. No principio, ainda houve resistência. Lembro como minha avô conduzia as vasilhas e panelas, dentro e fora, fora e dentro. Outras mulheres passavam equilibrando latas de água nas cabeças, como se escutassem o compasso das terras sob os pés descalços. E a porta de rede, num sonolento bater e rebater. O pilão fiel ao chão e tum tum tum, a dança das mulheres pilando. Muito – muito, era Tia Admirança quem eu gostava de ver esgrimindo o corpo contra o grão.

É ela quem agora está pilando, farelando os grãos de milho. Em cerimônia do morto a quem alimentar os vivos. E parece que o apetite aumenta face a presença dos obituados. Já lhe ofereci ajuda, mas ela sorriu: pilar não é função de macho. Bastava que eu ficasse ali. Olhando, que já ajudava o suficiente. O suor escorre-lhe na testa e, aos salpingos, goteja por cima do milho. Ótimo, pensei, a comida vai ter o sabor dela. (…) pág. 146

Um rio chamado tempo,
Uma casa chamada terra
Mia Couto

Dia de San Valentino,

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Ou apenas: feliz dia dos namorados!

veronica petrova

 

Diz uma lenda pagã que Valentine era um Druida que havia se apaixonado por uma jovem cega – filha de um Conde que havia se convertido ao cristianismo.

Como imposição para conceder a mão de sua filha a Valentine, o Conde ordenou que o mesmo se convertesse ao seu deus, mas o jovem se recusou explicando que por mais que ele amasse a jovem, não seria sincero de sua parte, pois seu coração não reconhecia outro deus que não o seu.

Diante da inaceitável recusa, o Conde obrigou a jovem a se casar com um cristão, escolhido pelo velho sacerdote – amigo da família.

No dia do casamento da jovem, marcado para o dia 14 de fevereiro, Valentine enviou rosas vermelhas para a jovem amada com uma carta de amor onde declarava-se uma vez mais e finalizava dizendo  “de tuo Valentine”.

A jovem, apaixonada, fugiu para ir ao encontro de seu amado e, o Conde, tão logo soube da fuga, ordenou que ele fosse caçado e morto.

Os dois foram encontrados junto a um Carvalho: ele tinha na cabeça uma coroa de louro e ela uma coroa de flores. Estavam unidos pela magia dos elementos pelo período de um ano, como celebra a tradição pagã.

Indignado, o Conde ordenou a morte de Valentine mesmo dia e, ali mesmo, ele foi decapitado diante da jovem que, teria voltado a enxergar a tempo de ver o desfecho de sua história de amor.

Um ano depois, a jovem casou-se com o homem que lhe fora designado, mas nunca deixou de amar seu Valentine para quem levava flores vermelhas e um bilhete dizendo “tua Valentina” – deixando ali aos cuidados do carvalho – mantendo sua promessa de amá-lo por toda a vida.

E, mesmo estando casada e, com seus filhos já adultos. Ano após ano, ela repetia o mesmo gesto. Levava flores e aquele bilhete pequeno até o carvalho – diz a lenda que o marido a encontrou deitada junto as raízes da árvore e seu rosto exibia uma paz imperturbável.

Diziam na vila do condado que Valentino tinha vindo buscá-la porque o verdadeiro amor supera a tudo e a todos e, no ano seguinte, os jovens apaixonados passaram a repetir aquele pequeno gesto: levando flores, o bilhete e pedindo a proteção de Valentine…

Dia consagrado a Artemis e Diana

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artemis

Nesse mês de fevereiro, podemos ver no céu a constelação de Órion que representa o caçador – com seu cinturão – as três estrelas também chamadas três Marias.

E hoje, dia 12 de fevereiro é o dia consagrada a Deusa caçadora Artemis (mitologia grega) e Diana (mitologia romana). Salientando que tanto a mitologia grega quanto a romana são parecidas e, isso se dá devido a invasão da Grécia pelos romanos que aconteceu no ano de 146 aC dando inicio a cultura grego-romana. A língua grega serviu como língua franca na Itália, e muitos intelectuais gregos, como Galeno, iria realizar seus trabalhos em Roma devido ao processo de aculturação – termo criado por antropólogos para representar a fusão de duas culturas.

Mio nono me contou certa vez que a Deusa Diana que havia decidido não se casar, certa vez se viu atraída pelo caçador Órion – filho de Netuno – deus dos mares. Ocorre que Apolo (irmão gêmeo da deusa) sentiu-se enciumado e a desafiou a acertar uma flecha em um distante ponto no mar. Vaidosa, ela não recusou, acertando facilmente o ponto. Soube-se pouco depois que o tal ponto era Orion que fugia de um escorpião enviado por Apolo. Quando percebeu o ocorrido, Diana recorreu ao seu pai e Orion foi colocado no céu sob a forma de constelação… A perseguição então continuou nos céus, sendo que quando Orion esta se pondo, surge o escorpião e assim vice e versa.

Artemis, de acordo com os mitos gregos, era filha de Letó – irmã gêmea de Apolo e, ficou conhecida como padroeira dos partos porque pouco depois de nascer precisou ajudar a mãe que fugia da ira de Hera (esposa de Zeus).

Vaidosa – ágil – era uma Deusa Virgem. Hábil caçadora, ela percorria os campos e bosques ao lado de seus animais. De natureza indócil, ela ficou conhecida por ter destilado sua ira contra todo e qualquer mortal que tentou domá-la…

Quando em estado de raiva, ela era capaz de causar doenças como raiva e lepra junto aos mortais. Senhora da aurora, ela ganhou de seu pai um arco e flechas de prata, forjado por Hefesto. A mitoliga a exibe sempre vestindo túnica, calçando coturno, trazendo aljava sobre a espádua, um arco na mão e um cão ao seu lado. Quase sempre acompanhada por ninfas e tendo uma lua crescente ornada na fronte.

Meu diário mágico…

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grimoire

Escolhi o dia da semana. Segunda-feira. Depois escolhi o momento. O crepúsculo. Depois disso o local se precipitou em mim. Para esse primeiro dia uma canção que gosto muito e, que me remete a mim mesma “dark night on the soul” – Loreena McKennitt…

Mesmo não gostando de apagar velas, afinal, pra mim é o mesmo que apagar-me – optei por escolher uma vela laranja de tamanho grande para me acompanhar durante os escritos. Logo, eu a acenderei no momento de fechar o círculo ao meu redor e a apagarei quando abrir o círculo ao término desse exercício semanal…

Escrever em um grimório, que também é conhecido comumente por “livros das sombras” ou “book of shaldows” – entre muitos outros nomes dados a esse “diário mágico”’ ao longo dos tempos – é um exercício agradável pra quem pratica a grande arte. Primeiro porque nos permite observar nossa evolução e, segundo porque nos auxilia em nossos atos cotidianos –, criando o ato da prática através da escrita. Além de nos permitir guardar certos símbolos e seus muitos significados…

Quando dei inicio ao meu primeiro “diário mágico” – não me preocupei em momento algum quanto ao que escrever em suas linhas. Eu apenas me sentava no jardim, debaixo de uma linda árvore que tínhamos no quintal de casa e, escrevia minha vivência dentro do que eu considerava a minha “realidade mágica”. 

Lembro-me de escrever a respeito de um chá para o qual eu mesma escolhi as ervas. A nona havia me dito “faça sua colheita com o coração”. E eu fui para o jardim. Escolhi três ervas. Lavanda. Hortelã e Cidreira. O chá ficou delicioso – mas a sensação que culminou em mim depois de tomar o chá na mesa da cozinha de frente para a porta aberta por onde passava uma luminosidade comum ao fim de tarde foi inesquecível.

A partir daquele dia comecei a pesquisar sobre as ervas, apenas para saber a finalidade de cada uma delas – a cada descoberta uma anotação. Acabei descobrindo que para cada estação há um tipo de chá. No outono, folhas de laranja, baunilha, lascas de gengibre e mel. Na primavera, folhas de laranja e limão. No verão cascas de maçã e cidreira. E no inverno, lascas de canela, hortelã menta e gotas de limão…

Ainda não sei o que irei escrever nesse que será o meu sétimo diário, venho ensaiando há pelo menos cinco estações iniciá-lo, mas não aconteceu. Está ali em sua primeira folha apenas o número 7 para com o qual tenho uma relação bastante estreita – também tem seu lugar na primeira página o poema de Reis com o qual me identifiquei imediatamente…

Creio ser o mês de fevereiro um mês propício para isso – e, por estar sob a regência de Brigith, considero-o como sendo único… Que assim seja então.

Afrodite, a deusa “grega” do amor…

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No dia 06 de fevereiro em alguns países da Europa é comum acontecer o “Festival em honra a Afrodite” – considerada por muitos como sendo a “deusa do amor” – eu nunca a vi dessa maneira, tenho pra mim que ela era a deusa da sedução já que sua beleza, desde o seu nascimento encantava a todos. E, mesmo gostando muito da mitologia grega, nunca encontrei nela uma espécie de eco que me levasse a cultuar seus deuses, preferindo desde a infância as divindades Celtas, mesmo assim pesquisei a fundo os escritos acerca dos riquíssimos mitos e lendas gregas…

afrodite

Afrodite nasceu quando Urano (pai dos titãs) foi castrado pelo seu filho Cronos, que atirou
seus testículos ao mar – diz a lenda que o semêm de Urano caiu sobre o mar e formou as ondas chamadas de Aphos – e, desse fenômeno nasceu Aphroditê “espuma do mar” que foi levada para Chipre por Zéfiro…

Diz a lenda que após destronar Cronos, Zeus ficou ressentido, pois, tão grande era o poder sedutor de Afrodite que ele e os demais deuses brigavam pelos encantos dela, enquanto Afrodite os desprezava, como se nada fossem. Como vingança, Zeus a fez se casar com Hefesto, o mais feio dos mortais…

Segundo a narrativa de Homero, Afrodite e Hefesto se amavam, mas a realidade que Hefesto oferecia a sua senhora logo começaram a importuná-la. Afrodite não suportava o calor e o barulho da forja, preferindo um lugar mais calmo – indo em busca de cenários inusitados para o prazer que tanto apreciava…

Sem saber que estava sendo traído por sua amada, ele a presenteou com as melhores joias já forjadas na terra – inclusive com o famoso cinto mágico que era feito do mais fino ouro e, entrelaçado com filigranas mágicas. Mas de acordo com os escritos de Homero, era justamente esse cinto que Afrodite usava para seduzir deuses e mortais que sucumbiam aos encantos da deusa.

Afrodite era considerada a divindade do prazer, do amor universal que circula nas veias de todas as criaturas. Sendo também a deusa das sementes, da vegetação – mas é muito mais oriental que grega. Vem dela a poção afrodisíaca – embora muitas pessoas gostam de ligá-la ao amor – Afrodite é física e bela. Seu sorriso é maquiavélico e sua vitalidade impressiona a qualquer um. Ela seduz com movimentos menores.

Para melhor entender, é preciso citar as personagens principais das famosas Afrodisias de Corinto que narram as noites em que as damas saiam às ruas em alegres cortejos e procissões rituais.

Em Atenas, um dos epítetos da deusa era Hetaira de “hetara” ou seja, companheira, amante, cortesã, concubina – isso se deve ao fato de Afrodite ser a senhora do desejo ardente e de suas forças irresistíveis a imperar nas entranhas das criaturas. Por isso, comumente, a deusa aparece representada entre animais ferozes, que a escoltam. Ela é a senhora do desejo, a deusa da fantasia e da paixão que reveste a pele e liga o homem a loucura tão aclamada de Dionísio – logo, é mais oriental que propriamente grega…

 

Uma das muitas lendas acerca de Afrodite conta que Ares, deus da guerra, conquistou-a e a tomou para si e, Hefesto não teria desconfiado do que acontecia com sua amada e o deus da guerra. Ardilosa, ela inventava pretextos para se encontrar com o amante. O casal se separava antes do raiar do dia, mas com os encontros apaixonados cada vez mais frequentes, acabaram distraídos e, os cuidados diminuíram.

Certa manhã, esqueceram-se de acordar e foram surpreendidos pelo Sol. Com inveja do deus da guerra por Afrodite tê-lo preferido, o Sol contou a aventura a Hefesto. O deus não deixou sua raiva se manifestar, mas decidiu pegar a esposa infiel em flagrante – para isso, o hábil ferreiro concebeu a prodigiosa rede de bronze – armando-a acima da cama em que os amantes se encontravam e quando a armadilha ficou pronta, Hefesto anunciou à esposa que iria se ausentar por alguns dias. Dando tempo suficiente para que os amantes se encontrassem, Hefesto os surpreendeu – da porta, ele ouvia o bradar de Ares misturados aos gritos de raiva da amante. A rede era tão bem forjada que quanto mais eles se debatiam, mais as malhas da rede se apertavam.

Não contente em tê-los surpreendido, Hefesto lhes ofereceu como espetáculo aos outros deuses, que se divertiram as custas de Ares de Afrodite. Quando finalmente foram soltos, Ares e Afrodite se separaram. Em vez de voltar ao lar, a deusa se retirou para a ilha de Citera, onde a vida era mais agradável para ela

De sua união com Ares nasceu Eros que desde pequeno mostrou possuir os mesmos poderes da mãe. Sabia inflamar os corações. Era necessário apenas uma flecha sua para desencadear as paixões mais vivas. A própria Afrodite foi vítima delas.

Um dia em que Eros se aninhou em seu colo para receber um beijo, ela acabou ferida pela flecha que estava em sua aljava. Afrodite teria se afastando sem se preocupar com o ferimento. Mas aquele arranhão leve não tardou a despertar o amor em seu coração por Adônis”…

Lua Crescente

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…hoje, às 16h23m

“A experiência é uma lanterna dependurada nas costas
que apenas ilumina o caminho já percorrido”. – Confúcio.

lua crescente

O ritual da lua crescente se faz no sentido de “costurar” o que está separado – de tecer a trama do destino e costurar os próprios desejos.

 

“Tecer significa criar – fazer sair da sua própria substância – exatamente como faz a aranha que urde sua própria teia”…

 

Deusa da lua e da magia,
Mostre-me a resposta
Deusa dos mistérios
revela-me todos os destinos

Celebrando a continuidade,

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celebração

…num tempo anterior a esse, as senhoras vestiam suas capas e saiam de suas casas antes das cores do dia se pronunciarem junto aos céus. Durante a caminhada recolhiam pedras e gravetos pelo chão. Elas se encontravam sempre no mesmo lugar. Vindo de diferentes direções sem combinar horários ou datas – apenas se orientavam a partir de si mesmas…

O ritual de fevereiro é dedicado a Brigith, a Deusa do Fogo e da inspiração; Senhora da poesia, da ferraria e da cura.

A lua celebra a volta das trevas – é a continuidade. A dança da vida se reinventando em passos que nos conduzem por sobre folhas secas, águas calmas e a terra regenerada.

O local escolhido para a reunião era uma clareira no meio do bosque – eu sempre achei que aquele lugar havia sido previamente preparado por alguém porque havia indícios de fogueira, uma linda pedra e a mais bela vista daquele lugar. De lá podia se ouvir o som das águas. O canto dos pássaros e aquele silencio típico da natureza.

Assim que chegavam tinha inicio uma breve meditação que era feita para que o corpo e a mente se desligasse dos cenários comuns que cada uma trazia consigo. Elas despiam-se de suas vidas para se dedicar aquele momento particular.

 

Nota. Acredita-se que a palavra despir tenha sido mal interpretada por aqueles que tiveram contato com os escritos dessas mulheres. Talvez o gesto de despir-se não tivesse qualquer relação para com a vestimenta do corpo porque não vi nenhuma mulher nua naquele principio de manhã…

 

O ritual tinha inicio quando a anciã do grupo – composto por várias mulheres de diferentes idades – deitava sua pedra no chão. Era o inicio do círculo. Todas repetiam o mesmo gesto. Nenhuma palavra era dita. Elas apenas trocavam olhares silenciosos e atentos que pareciam dizer “é a sua vez agora”. O círculo se fechava quando a última pedra era colocada no chão – era quando davam um passo para dentro do círculo, todas ao mesmo tempo. As mãos se uniam e tinha inicio aquele diálogo de vozes. Palavras eram repetidas a exaustão. Era impossível entendê-las. Tenho pra mim que era uma espécie de chave a abrir o intimo de cada uma delas…

Algum tempo depois a mais nova do grupo recebia o sinal para levar para o centro do círculo, o caldeirão e, em seguida a anciã se pronunciava “existe um tempo para tudo na vida: este é o tempo das sementes. A terra se manifesta. Em breve será o tempo do plantio. Preparemos então as nossas sementes”. As mulheres se dirigiam ao caldeirão, uma a uma, colocando suas sementes ali dentro enquanto murmuravam “hoje, somos o dia seguinte – porque essa é a lei natural que nos rege”.

Em seguida se sentavam e começavam a contar suas histórias – sempre foi a minha parte favorita. Ouví-las dizer em voz alta suas primeiras lembranças. Suas saudades. Rememorar a infância. Não esquecer as coisas que eram importantes para cada uma delas, mas lembro-me que na minha vez (a primeira) não sabia o que contar a elas. Demorei alguns segundos – revirando minha mente, mas não conseguia pensar em absolutamente nada. Até que uma mão pousou em meu ombro para em seguida dizer “nos conte a respeito da sua primeira colheita”. Foi como se minha mente se abrisse para aquele meu antigo momento. Então contei a elas sobre uma tarde de novembro – quando fui levada a essa praça que ficava perto de casa. C. havia decidido me levar até lá. Ela sempre foi assim. Rompantes se acendiam em sua pele e, ela deixava tudo para depois. Era um belo dia de outono, meu aniversário se aproximava e ela queria que eu fizesse uma “colheita de outono”. Então, ficamos lá, as duas, esperando uma folha cair para que a pegássemos. Não sei dizer quanto tempo se passou até que um vento forte surgiu não sei de onde, agitando as folhas e as fazendo cair. Eu corri por todos os lados tentando alcançar uma folha, mas não consegui pegá-las. Não fui rápida o bastante. Já estava emburrada quando uma folha caiu bem em cima da minha cabeça”.

Depois das histórias contadas – as velas foram acesas celebramos a vida, a arte, a magia. Celebramos o pulsar que se multiplica em nossos corações. A lembrança. A saudade. Celebramos o fogo. A Deusa Brigith que mantem acesa a chama da continuidade” – os presentes (sementes) foram entregues e cada uma seguiu sua trilha, de volta a vida comum. Lembro-me que as vezes, ao caminhar pela cidade eu as encontrava, mas nada era dito, apenas o cumprimento – o aceno. As vezes um sorriso – mas era tudo… 

De volta a casa, após o ritual, a nona preparou um pão de sementes. Nos sentamos a mesa para comer o pão e tomar uma xícara de chá e ela me deu uma semente de girassol para plantar no jardim e acompanhar seu crescimento – para que eu pudesse começar a compreender o significado da vida.  

Fevereiro,

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february

O nome fevereiro deriva da Deusa romana Fébrua, mãe de Marte e conhecida também por Juno Fébrua ou Santa Febrônia (de febris, a febre do amor). Ela é a deusa da purificação. Originalmente, fevereiro tinha 29 dias e 30 dias quando era ano bissexto, mas o Imperador César Augusto ordenou que um dos dias de fevereiro fosse transferido para o mês de agosto para que este ficasse com 31 dias – se igualando a Julho – mês dedicado ao Imperador Júlio Cesar.

No dia 01 de fevereiro celebra-se o Festival do Fogo, também conhecido por “Embola ou Candlemas”. Nesta data celebra-se a Senhora do Fogo Criador, da Arte e da Magia.

Fevereiro é considerado o mês da purificação, por isso, os pagãos aproveitam para purificar seus instrumentos mágicos que são quatro: cálice, athame, caldeirão e a colher de pau ou graveto de árvore.

Minha nona tinha um curioso costume – herdado de sua mãe, a minha bisa – ela colocava uma cabeça de alho em cada uma das janelas da casa na primeira hora do último dia do mês. Dizia que era para proteger e purificar a casa e seus habitantes durante os demais meses do ano.

…eu me lembro de ouvir a nona dizer sempre que removia a folhinha de janeiro do calendário: “fevereiro é o mês das iniciações. Das portas e janelas abertas… Das chegadas e partidas. Da lua mais intensa. Da renovação. Menos tempestades. Muito mais luz para criar sombras”.

Ela exibia seu melhor sorriso ao dizer com sua voz branda-baixa-quase-inaudível “muitos de nós temem a própria sombra que se deita a partir de nós pelos caminhos da vida”… Eu também sorria porque sempre fui uma apaixonada por sombras, ainda mais se as percebesse dentro da noite que é a “casa” da minha alma…

Sempre tive pra mim que a sombra é uma espécie de espelho. Não usa roupas ou máscaras – ela é apenas um rastro no chão – na parede e, se movimenta de acordo com a luz que nos alcança. É uma projeção natural de nós mesmos… E por que assusta? Talvez porque seja parte de nós sem ser.

Enfim, vamos celebrar fevereiro!

Lua da Tempestade

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Janus Janus – senhor das entradas

 

Sua cor é o azul (a cor das águas). Sua direção é o Sul. Seu elemento o fogo. Sua invocação é a vida que ressurge das trevas que representa a evolução natural de todas as coisas: a reflexão.
…seu som é o das águas da chuva, as goteiras, a enxurrada. São as águas de janeiro que limpam e purificam – promovendo a cura – fluindo através de nós.
…sua meditação é o momento seguinte, o despertar. Essa lua celebra a passagem entre o ontem e o amanhã. É o momento de atear fogo no que passou para que as cinzas nos inspirem e nos ajudem a se preparar para o que virá. O passado ainda está lá e o amanhã ainda não chegou, mas a caminhada já teve inicio…
…renovar a si mesmo é o grande segredo dessa lua cujo símbolo maior é Brigith que representa a fagulha da vida – a chama contínua que nunca se apaga. É o retorno da Deusa de seu descanso, a continuidade, o passo seguinte.

 

Lua cheia…

 

Vou celebra a lua cheia de janeiro logo mais – assim que o crepúsculo tocar meus olhos. Um cálice com água da chuva (tempestade) que se precipita junto aos céus da cidade para celebrar o futuro que virá… E, para honrar meus antepassados vou confeccionar um álbum de fotografias – me comprometendo a adicionar uma fotografia a cada novo ciclo lunar.

E finalizando, celebrando a chama da vida, da arte – o meu coração e o meu ânimo: uma vela vermelha, para que sua chama seja o pulsar de Brigith…

 

Eu vim de infinitos caminhos,
e os meus sonhos choveram lúcido pranto pelo chão.
Quando é que frutifica, nos caminhos infinitos, essa vida,
que era tão viva, tão fecunda, porque vinha de um coração?

Cecília Meireles

A dedicação nossa de cada dia…

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Não quero, não
Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.
Quero um cavalo só meu,
seja baio ou alazão,
sentir o vento na cara,
sentir a rédea na mão.
Não quero, não quero, não
ser soldado nem capitão.
Não quero muito do mundo:
quero saber-lhe a razão,
sentir-me dono de mim,
ao resto dizer que não.
Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.

Eugénio de Andrade

 

luz no fim do túnel

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Outro dia, um diálogo com uma amiga revelou-me o inevitável, não era algo novo – mas algo sobre o qual eu já tinha refletido algumas vezes. O tempo é nosso maior carrasco nesse momento contemporâneo e é também nossa desculpa mais comum…

Disse-me essa figura-sem-tempo-para-as-coisas-mais-simples “não consigo me dedicar tanto quanto eu gostaria”.

E fiquei a pensar nisso durante o trajeto do ônibus até em casa. Eu sou o tipo que vai observando a paisagem. Vi sorvendo os lugares. Guardando figuras. Colhendo movimentos. Tudo fala comigo…

Enfim, lembrei-me quando comecei a praticar a “grande arte” e, do consequentemente do tempo em que me afastei e foi em outras direções. Porque você precisa conhecer os outros caminhos pra ter certeza de seus passos. É como se alguém em algum momento pudesse te perguntar o seu endereço e, você precisasse explicar como chegar até lá. As vezes, no caso da “grande arte” você precisa saber o caminho de volta para si mesma…

Pois bem, nesses anos em que a “magia” tornou-se meu norte definitivo – teve momentos de maior e menor dedicação, mas não o tempo dos homens, esse que se mede em ponteiros o responsável por isso. Fui eu mesma. Porque temos momentos de silêncio, os deuses sabem disso, por isso Kairos representa o momento… Mas obviamente, houve pausas no meu dia a dia para tomar uma xícara de chá, acender uma vela ou incenso – os dois. Ler uma poesia. Mergulhar em meu íntimo e renovar-me.

Como a magia tornou-se algo muito complexo, as pessoas ficam esperando grandes atitudes, gestos e rituais e, se esquecem que a magia está nas pequenas coisas. Acho que já disse isso em outros posts.

Conheci uma figura-humana-praticante que transformou sua vida inteira e, hoje vive completamente em função da “magia” – seu trabalho e seu existir se convergem numa mesma coisa. Ela se sente bem, mas eu sei que não gostaria que fosse assim porque deve ser muito difícil reconhecer as cores, como nos dias de sol intenso. Não conseguimos ver direito as coisas a nossa volta. Tudo arde…

Enfim, eu prefiro mesmo o meus pequenos momentos. As minhas pausas porque eu gosto de ir – sentir o vento e, voltar, sabendo dos passos dados – reconhecendo as muitas coisas que a vida nos apresenta. Essa é a minha maneira de ser pagã… E o sentido da “grande arte” é esse, pra mim.

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