Lua Minguante

 

Felizes, cujos corpos sob as árvores
Jazem na húmida terra,
Que nunca mais sofrem o sol, ou sabem
Das doenças da lua.

Verta Éolo a caverna inteira sobre
O orbe esfarrapado,
Erga Netuno, em cheias mãos, ao alto
As ondas estoirando

Tudo lhe é nada, e o próprio pecureiro
Que passa, finda a tarde,
Sob a árvores onde jaz quem foi a sombra
Imperfeita de um deus,

Não sabe que os seus passos vão cobrindo
O que podia ser,
Se a vida fosse sempre a vida, a glória
De uma beleza eterna.
Imortal saudade.

Ricardo Reis, poema 33 – pág.73

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