Equinócio

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Fernando Pessoa(5-11-1932)

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta 

time
Começa o dia e eu penso em cores.
O sol e seus coloridos raios tocam minha janela e eu me perco em sensações diversas.

Fecho os meus olhos e vou ouvindo essa canção interior… as lembranças se espalham pela pele e eu recordo os meus ancestrais. Sinto o calor da saudade na extensão de todo o meu corpo. Sinto-os em mim, onde sempre estão. Mas em alguns dias, como hoje, essa presença é muito mais forte…

Ontem foi dia dos pais… e eu recordei as mãos do meu homem junto as minhas. Seu sorriso bobo e seu abraço de urso. Recordei a mim mesma, ainda menina, junto a ele… gostava imenso de esfregar meu rosto no dele, sentindo os fios de seu cavanhaque riscar a minha pele, como se estivesse a compor meu traço, refazendo o meu desenho de menina…

Hoje teremos eclipe do sol, super lua e também o equinócio. É dia de tocar o sino três vezes, nas horas que valem: meio dia, três (quinze), seis e nove horas. E quando a meia noite chegar, após o toque do sino, fecharei meus olhos e celebrarei a dança da vida, da arte, da natureza que sou e da qual faço parte.

Março é esse mês dedicado ao Deus da Guerra, Marte, na mitoliga romana e Ares, na mitologia Grega.

Para os romanos era um “marco”… quando o novo Ano Zodiacal tinha inicio, a data — algo próximo ao dia 21 de março — se mantêm até hoje…

A nona costumava dizer nesse dia: “para esse dia celebrar, um punhado de ervas encontrar: mangericão, canela, hortelã e alecrim. E no final do dia um chá preparar, depois de três vezes o sino tocar” — era seu feitiço, sua celebração. Sua pausa tão necessária… eu repito muito dessas coisas que aprendi porque dão sentido a minha existência, porque é como o ar que eu preciso. São meus rituais sagrados… é o meu encontro comigo mesma porque a vida sempre nos leva para longe — é a nossa guerra — para que a gente aprenda a voltar. E uma vez estando de volta a casa, podemos meditar e reconhecer os caminhos percorridos e então somar  os erros e também os acertos, para que a gente finalmente compreenda a nossa marcha.

Ser melhor que ontem não deve ser uma necessidade, apenas uma possibilidade, dentre tantas outras que temos.

Que a nova estação — outono aqui e primavera por lá — nos traga mistérios, maravilhas e inspirações muitas.
Blessed be.

Equinócio

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