Poema de domingo, 02 | 2015

 

map1-c917Manuel Antonio Pina – 1943 – 2012

 

Tanto Silêncio

Para cá de mim e para lá de mim, antes e depois.
E entre mim eu, isto é, palavras,
formas indecisas
procurando um eixo que
lhes dê peso, um sentido capaz de conter
a sua inocência
uma voz (uma palavra) a que se prender
antes de se despedaçarem
contra tanto silêncio.
São elas, as tuas palavras, quem diz “eu”;
se tiveres ouvidos suficientemente privados
podes escutar o seu coração
pulsando sob a palavra da tua existência,
entre o para cá de ti e o para lá de ti.
Tu és aquilo que as tuas palavras ouvem,
ouves o teu coração (as tuas palavras “o teu coração”)?

Manuel António Pina

Poema de domingo, 02 | 2015

2 pensamentos sobre “Poema de domingo, 02 | 2015

  1. Renato De Gomes Pires diz:

    O coração. Consciência de estar vivo. Consciência de que existem dois seres.O coração da mãe tem um outro ritmo que o seu. Lá fora esta o mundo que de longe já se pode perceber. Em sonho, pode-se, compartilhar,  dos sonhos da mãe e de seu subconsciente. Você já nasce sabendo quem você é. Só que o mundo externo tem tantas novidades e sentimentos que você acaba se esquecendo dos primeiros momentos. Aliás se esquece até de que antes de estar na barriga da mamãe foi possível escolher a vida que terias e o que poderias aprender com ela.

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