Hemisfério sul.
São várias as pessoas que me perguntam sobre isso, dessa vez foi a caríssima Cintia (Tin). Bem, quando eu cheguei ao Brasil, em 2002 eu tentei me ater aos movimentos do hemisfério sul. O primeiro ritual que pratiquei em terras paulistas (ou pelo menos tentei) foi Ostara. Dia 21 de setembro – Parque do Ibirapuera e meu corpo não se moveu. A manhã estava fria. Não havia uma só flor na paisagem e os pássaros (poucos) encolhiam-se nas árvores. Nenhum vôo alegre. Nem mesmo o sol se movia. Comecei a perceber os ares da Paulicéia naquela manhã.
Não se enganem meus caros, a questão não é o hemisfério e sim o sentir, porque é através do sentir que iremos nos conhecer e conhecer também o universo a nossa volta. A natureza é movimento. Nós somos movimentos e tudo isso culmina numa coisa bem simples, chamada: “EQUILIBRIO”. Alcançar o nosso equilíbrio, junto com todas as coisas que se movimentam a nossa volta não é nada fácil, mas também não posso dizer que seja difícil. Depende apenas de nós e isso por si só determina o grau de dificuldade de cada um.
Bem, a minha dificuldade para com Ostara me fez refletir durante dias inteiros. Não realizei o ritual seguinte. Fiquei em meu quarto observando as faces da manhã, da tarde e da noite. Acendi uma vela, pedi inspiração e me dediquei aos dias seguintes aos movimentos da cidade de São Paulo e fui assim que percebi que tudo aqui muda muito depressa. De manhã as vezes temos sol de verão, a tarde ventos de outono, a noite frescor da primavera e horas depois sentimos o frio do inverno que nos leva de encontro a xícaras de chá quente. É possível perceber os elementos das quatro estações durante um único dia. Não é assim em todo o país, há regiões onde percebemos apenas duas estações do ano. Mas é preciso conhecê-las, observá-las e claro, sentí-las.
Enfim, foi o meu sentir que levou-me a seguir meus movimentos de antes e praticar meus rituais de acordo com o Hemisfério norte. Não tive dificuldade alguma para com os rituais seguintes e tão pouco com os meus movimentos.
Por isso quando me perguntam sobre o tema, eu digo, não há regra geral na prática da grande Arte. O que há é sentimento. Logo, olhe para dentro e para fora e chegue a uma conclusão. Um aluno de um curso disse-me certa vez “não consegui praticar meu ritual num grupo porque estava um calor de quarenta graus lá fora e nós estávamos festejando Yule”. Esse foi o sentir dele, a sua observação. A sua percepção quanto aos movimentos.



Faz todo sentido !
Nunca tinha pensado nisso, foi esclarecedor Lunna.
Engraçado , a minha sensação sobre o assunto neste momento e, embora eu não tenha a prática, é a mesma do seu aluno.
beijo grande!
tin