Archive | Janeiro 2012

O despertar

Lentidão dos vapores pelo mar…
Tanto que ver, tanto que abarcar.
No eterno presente da pupila
Ilhas ao longe, costas a despontar
Na imensidão oceânica e tranquila
(…)

Alvaro de Campos
pág. 56 – poesia, Companhia das Letras

imbolc altarO dia amanheceu silencioso, com ventos soprando por cima das coisas. Dias mais frios (dizem os meteorologistas). Janeiro chega ao fim com poucos dias de sol e muitos dias de chuva, mas curiosamente, antecedendo o ritual de amanhã, o sol voltou para nos abraçar.

São Paulo também voltou a pulsar. As ruas já não estão mais tranquilas ou calmas, estão alvoraçadas com seus milhares de carros em fila. As escolas voltaram a receber seus alunos (as aulas recomeçaram ontem) – lembrei-me por um instante dos meus dias de aula. Coisa chata. Cansativa. Fiquei muito feliz quando meus pais optaram por aulas particulares. Foi o meu melhor momento. Aprendi muito e me perdi pouco. A escola, além de me apresentar um cenário sufocante (mais dez pessoas num mesmo lugar me deixa em pânico – e ainda havia aquelas figuras estranhas, dominantes, a impôr-se sobre aqueles que fraquejavam nas decisões e já se mostravam na condição de vítima. O resultado era sempre o mesmo. Hoje em dia chama de bullying. Antigamente era simplesmente uma batalha de sobrevivência na escola).

Enfim, eu queria estar no parque do Ibirapuera, sob a sombra de uma árvore a apreciar a paisagem. Conversando com a natureza. Sentindo-a de dentro pra fora e fora para dentro. Mas faz tempo que eu sei que nem tudo que de fato desejamos é o que temos. Na última vez em que estive no Ibirapuera, percebi aquele cenário vago, silencioso, vazio. No lugar onde eu estava não havia movimento. Não havia nada. As folhas caíam do alto das árvores, se aglomerando no chão e eu vi ali uma roda de homens e mulheres e pensei, é aqui o lugar. A sensação permanece e eu ainda quero ter a ousadia de celebrar um curso de paganismo naquele lugar… Em breve farei isso.

Agora vou acender minha vela. Pensar em Brigith e tecer meu ritual. Preparar um chá. Sentir meu corpo, meus movimentos e lembrar, com frequência, que tudo na vida é movimento.

Até mais.

Ano novo chinês (o ano do dragão)

feliz-ano-novo

Na China há um dito popular que muito me agrada “todos os planejamentos do ano se fazem na primavera“. Então, nada mais justo que a chegada do Ano novo para os chineses ocorra sempre no inicio da primavera, algo que ocorre sempre no final de janeiro ou começo de fevereiro, isso porque o calendário chinês segue o ciclo lunar.

É muito comum as pessoas cortarem o cabelo, fazerem faxinas (varrendo a casa de dentro para fora – tirando a sujeira pela porta de saída) cuidam da casa, preparam as roupas. Se livram do velho e dão as boas vindas ao novo. Tudo isso é parte integrante da cultura chinesa.

É comum acenderem lanternas vermelhas (cor predominante por ser yang e vibrante) são acesas e penduradas diante da porta principal e só são retiradas de lá quinze dias após o Ano novo e por lá os fogos são estourados para espantar os maus espíritos, afinal, demônios são elementos comuns da cultura chinesa.

As crianças e os solteiros ganham um envelope vermelho com dinheiro da matriarca da casa. E a família inteira escrevem seus desejos com tinta preta em papéis vermelhos na porta de entrada. O preto representa o elemento água e a sabedoria, enquanto o vermelho representa o sucesso e o elemento fogo.

Eu acendi minha vela vermelha no meio da tarde de ontem e observei por alguns momentos a sua chama. Também escrevi em preto alguns dos meus desejos em pedaços de papel vermelho que também ganharam um fitilho preto para incrementar minhas ilusões.

Eu realmente prefiro celebrar o ano novo lunar que qualquer outro. É uma celebração colorida que muito me agrada…

Aliás, esse é o ano do Dragão de acordo com a cultura chinesa. O Dragão é o elemento água, representa a vitalidade, o orgulho, entusiasmo e os ideais elevados. Esse com certeza será o ano da criatividade e da sensatez. Pensar antes de agir. Agir diante da certeza. Evitar o duvidoso. Fechar os olhos para olhar para dentro e agir de acordo com o sentir. Nada de precipitações, pois o lado negativo do dragão é que o passo pode ser muito maior que o que permite a perna…

Almanaque wicca 2012

“Não deixaremos de explorar
e o fim de tanta exploração
será chegar aonde começamos
e conhecer o lugar pela primeira vez”.
T.S.Eliot

Almanaque

Foi minha leitura na manhã de hoje. Há tempos que leio esse almanaque, desde 2009, acredito eu. O adquiro no ano passando na Livraria Cultura, mas demorei para levá-lo a luz dos meus olhos por causa do tema principal do almanaque “a profecia de 2012 dos maias” que é tratada de forma breve e sem nenhum entusiasmo. Cita-se apenas o real significado dessa profecia deixada por um povo que virou mania nos mais diferentes setores da nossa sociedade atual, seja espiritual, cientifica ou psicologia. Lá estão os Maias e suas profecias. Eu as vezes acho que isso ocorre por causa dessa estranha mania do homem de “fim do mundo”. Eu tenho aqui comigo as minhas três décadas de vida e já ouvi dúzias de vezes o tema sendo mencionado. Alguns malucos chegaram a prever a data e o horário do fim do mundo. E continuamos todos aqui…

Almanaque 04Almanaque 05

Eu fui pesquisar mais a fundo a questão do fim do mundo e percebi que dos poemas épicos da índia, às tradições orais dos indígenas até à famosa historia bíblica do apocalipse – é o que o fim do mundo é constantemente mencionado. Vários falsos profetas, de tempos em tempos, surgem com datas e acontecimentos fantásticos ao pregar o fim do mundo. Discurso antigo que se repete por aí. Claro que há os que acreditam nisso e ajudam a dar um “tom real” a toda essa bobagem. Isso não é citado no almanaque. O discurso acerca do mesmo, faz uma análise concreta e até interessante do que vem a ser a transformação pela qual a Terra irá passar.

Já sabemos que a vida é cíclica, logo, tudo tem seu começo, meio e fim. Acredita-se que houve pelo menos quatro ou cinco (se seguirmos as tradições dos povos astecas e maias) desses ciclos. Assim sendo, nossos mais antigos ancestrais teriam enfrentado mudanças climáticas e nos campos magnéticos da terra, diminuição dos recursos naturais e elevação do níveis do mar foram as consequências mais graves.

Mas a pergunta que eu me fiz é “o que sabemos de fato sobre as transformações que ocorrem nesse planeta vivo?” – basta lembrar que o humano está se reproduzindo de forma intensa e a nave mãe já começa a dar sinais de superlotação. Haverá comida para todos? Haverá espaço para todos? Lembrem-se que pela preservação da espécie a inteligência é deixada de lado, tanto quanto a razão e o que prevalece é o lado grotesco, selvagem do homem que é sim um animal. E sabemos bem do que esse animal humano é capaz, basta olhar por aí.

Enfim, é possível fazer muitas análises. O tema é longo e precisa ser observado atentamente, mas quando vejo as religiões que se deitam e se levantam por aí, fico feliz por minha caminhada e pela certeza que trago em mim “um dia eu abri os olhos e olhei para dentro de mim e o que vi me fez perceber que a natureza é minha vida, minha arte e minha inspiração e isso me basta”.

Almanaque 06

Alias, acho que nunca antes, em tempos anteriores, T.S.Eliot foi tão citado, vale a pena ler o poeta e seus argumentos de transformação.

 

Lua negra de janeiro…

página da dança cósmica

Você já prestou atenção nas fases da lua e nos seus movimentos? Há tempos que faço isso. A lua negra, por exemplo, passou a ser a “lua da minha intensidade”. Sinto todas as coisas. Percebo o mundo a minha volta com mais facilidade. Também consigo ir para a janela e manter-me aberta as coisas que estão lá fora sem trazê-las para mim, apenas apreciando-as, percebendo-as.

Eu gosto de preparar uma xícara de chá logo pela manhã, acender o incenso para perfumar o local, fazer uma limpeza astral do local onde vivo e depois do meu corpo com um banho, sentar-me no canto do sofá, perto da janela e me apropriar de uma dúzia de sensações enquanto leio um livro (no momento estou lendo “a elegância do ouriço” de Muriel  Barbery).

O importante é nos perceber em meio a esse cenário demasiadamente humano que vive por aí onde tudo que parece importar é o quanto temos e não o que somos.

(…) “acho que ela não é o que parece”, acrescentou.
Faz um tempinho que também sobre ela. De longe, é de fato uma concierge. De perto… bem, de perto… tem algo esquisito. Colombe a detesta e acha que é um rebotalho de humanidade. Para Colombe, de toda maneiro, é um rebotalho da humanidade qualquer pessoa que não corresponda a sua norma cultural, e a  norma cultura de Colombe é o poder social mais as blusas da butique Agnes B. A sra.  Michel… Como posso dizer? Transpira inteligência. E olhem que ela se esforça, e como! Vê-se que faz o possível para bancar a concierge e parecer débil mental. Mas já a observei quando falava com Jean Arthens, quando fala com Neptume, nas costas de Diane, quando olha para as senhoras do prédio que passam na frente dela sem cumprimentá-la. A sra. Michel tem a elegância do ouriço: por fora, é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes. (…)

Elegância do ouriço
Muriel Barbary
Ed. Companhia das Letras
Pág. 151

Hemisfério sul.

Foto0891São várias as pessoas que me perguntam sobre isso, dessa vez foi a caríssima Cintia (Tin). Bem, quando eu cheguei ao Brasil, em 2002 eu tentei me ater aos movimentos do hemisfério sul. O primeiro ritual que pratiquei em terras paulistas (ou pelo menos tentei) foi Ostara. Dia 21 de setembro – Parque do Ibirapuera e meu corpo não se moveu. A manhã estava fria. Não havia uma só flor na paisagem e os pássaros (poucos) encolhiam-se nas árvores. Nenhum vôo alegre. Nem mesmo o sol se movia. Comecei a perceber os ares da Paulicéia naquela manhã.

Não se enganem meus caros, a questão não é o hemisfério e sim o sentir, porque é através do sentir que iremos nos conhecer e conhecer também o universo a nossa volta. A natureza é movimento. Nós somos movimentos e tudo isso culmina numa coisa bem simples, chamada: “EQUILIBRIO”. Alcançar o nosso equilíbrio, junto com todas as coisas que se movimentam a nossa volta não é nada fácil, mas também não posso dizer que seja difícil. Depende apenas de nós e isso por si só determina o grau de dificuldade de cada um.

Bem, a minha dificuldade para com Ostara me fez refletir durante dias inteiros. Não realizei o ritual seguinte. Fiquei em meu quarto observando as faces da manhã, da tarde e da noite. Acendi uma vela, pedi inspiração e me dediquei aos dias seguintes aos movimentos da cidade de São Paulo e fui assim que percebi que tudo aqui muda muito depressa. De manhã as vezes temos sol de verão, a tarde ventos de outono, a noite frescor da primavera e horas depois sentimos o frio do inverno que nos leva de encontro a xícaras de chá quente. É possível perceber os elementos das quatro estações durante um único dia. Não é assim em todo o país, há regiões onde percebemos apenas duas estações do ano. Mas é preciso conhecê-las, observá-las e claro, sentí-las.

Enfim, foi o meu sentir que levou-me a seguir meus movimentos de antes e praticar meus rituais de acordo com o Hemisfério norte. Não tive dificuldade alguma para com os rituais seguintes e tão pouco com os meus movimentos.

Por isso quando me perguntam sobre o tema, eu digo, não há regra geral na prática da grande Arte. O que há é sentimento. Logo, olhe para dentro e para fora e chegue a uma conclusão. Um aluno de um curso disse-me certa vez “não consegui praticar meu ritual num grupo porque estava um calor de quarenta graus lá fora e nós estávamos festejando Yule”. Esse foi o sentir dele, a sua observação. A sua percepção quanto aos movimentos.

Atividades para Imbolc

Um ritual é geralmente definido como um padrão específico de ações empreendidas para alcançar um resultado final definido. Estas ações podem ser formais ou informais, mas continuam a ser um conjunto prescrito de ritos cujo objetivo é imprimir uma mudança duradoura na vida e na psique do praticante. Quando combinado com a magia, o resultado final pode ser uma mudança poderosa e espantosa. (Como Fazer Magia de Edain McCoy)

Foto0893

Ganhei um lindo vaso de flor no final da tarde de ontem. Agora estão sorrindo sobre a mesa. Vez ou outra meus olhos correm para aquelas pétalas e eu percebo ali a força da vida: o vermelho suave em meio ao verde vivo, intenso. São matizes. A vida é um pouco disso e de outras coisas também.

Ainda ouvindo “witch´s rune” e pensando no próximo ritual que começa a desenhar-se em minha mente. Eu dificilmente repito o mesmo ritual porque o momento é outro, assim como são outras as nossas emoções, sensações e eu mesma não sou mais aquela que fui ontem.

Esse ano quero pedaços de fitas na cor dos elementos para formar o círculo. Em cada quadrante um nó para representar o meu laço para com eles. Não irei queimar os enfeites do ritual passado porque não me dediquei tanto as decorações. Estava num momento de poucas cores. Mudanças necessárias me deixaram entregue ao meu íntimo, ao meu sentir, voltada para dentro de mim…

Também quero sementes de milho em volta do caldeirão, intercalando a minha roda de velas vermelhas. E claro, não vou deixar de confeccionar minha cruz de Brigith, mas ainda não escolhi qual material irei usar. No ano passado usei folhas de coqueiro, deu um pouco de trabalho, mas eu gostei do resultado final.

Outras atividades para Imbolc:
Fazer uma roda de velas / fazer um travesseiro dos sonhos / adquirir pedras para serem usadas em círculos mágicos / devolver pedras para a natureza / acender uma vela em cada janela da casa (começando com o crepúsculo do dia do ritual e finalizando na aurora do dia seguinte) / fazer uma mãe do milho (Cor mother) / consagrar 13 velas para serem usadas no decorrer do ano em feitiços de proteção.

Lua Minguante…

Às 6h09m

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Acordei uma música na cabeça “Witch´s Rune” – é uma dessas canções que me leva de encontro a ilusões só minhas. Quando ouço aquelas vozes femininas, imediatamente sou levada de encontro um lugar só meu. Uma espécie de meditação natural acontece. Marcho por sobre folhas secas, ouço a água seguindo seu curso natural por entre pedras e percebo meu destino bem diante dos meus pés.

Passam das oito horas diurnas. Estou aqui a pensar nessa nova fase lunar, iniciada há pouco. É o momento de recolher-se. Voltar-se para dentro. Mais alguns dias e a lua não terá brilho. Será natural. Negra.

Agora penso na morte,
para encontrar o que sou,
antes de tornar-me outra

Lembro de minha nona dizendo que na lua minguante as mulheres não sobem a colina. Elas fecham suas portas e janelas e celebram o encontro consigo mesmas. Acendem suas velas, incensos, preparam o chá e fazem preces silenciosas. O círculo de pedras é “desfeito” pois buscam os quatro cantos importantes da casa onde se vivem. Afinal, sua casa é sua fortaleza e é com pedras que se ergue essa estrutura forte. O restante do “castelo” deve ser feito com energia: sensações diversas, sentimentos vários e emoções todas.

Sempre achei esse dizer tão mágico. Tão intenso. Tão encantador que trago comigo esse simbolismo desde sempre. Guardo meus objetos mágicos. Preparo um chá pela manhã, logo cedo, antes do sol despertar, tomo um banho. Acendo o incenso e percebo os contornos de suas fumaças. Acendo a vela na cozinha. Guardo as pedras e fico aqui ouvindo “witch´s rune”.

Aprendi ao longo de meus estudos que o importante é a gente compreender os nossos ritmos, se libertar dos preceitos e descobrir nossos próprios rituais.

Nota complementar.
Escrevi no ano passado um post mais detalhado sobre a lua minguante que pode ser lido nesse link.

Sexta-feira Treze

Foto1100Começo a me preparar para o próximo ritual. É algo que faço naturalmente. Não consigo pensar no próximo movimento apenas no dia como fazem a maioria dos praticantes. Para mim o dia seguinte já exibe movimentos do próximo ritual, levando-me em direção as transformações que ocorrem a minha volta.

Hoje, por exemplo, amanheceu nublado. Choveu fortemente ao longo da manhã e de repente, as nuvens foram saindo da frente do sol e ele tocou minha pele. Eu estava na varanda e lembrei-me de Brigith imediatamente. Acendi um incenso e dentro do caldeirão uma vela vermelha.

Um belo espetáculo numa manhã simples.
A vida é simples, não é mesmo? Basta estarmos atentos as “pequenas coisas”.

Sim, e tudo isso numa sexta-feira treze de lua a minguar lentamente. As pessoas por aí tem suas superstições acerca da data que para mim é apenas mais um dia na semana e um número no calendário.

Mas é claro que também se trata de uma excelente desculpa para eu preparar um delicioso chá de anis com casca de laranjas e maçãs.

Bom fim de semana a todos

 

Janeiro é o mês das tempestades.

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E eu não falo das tempestades naturais. Céu cinza escuro. Nuvens densas. Paisagem molhada. Ruas inundadas. Raios. Relâmpagos. Trovões. O calor a assustar quem passa lá fora.
Falo das tempestades atemporais, daquelas que ocorrem dentro da pele, no avesso, no intimo. Na escuridão de uma existência inteira.
A lua da tempestade nos desafia a olhar no espelho e observar nossas verdades. Ninguém melhor que nós mesmos para compreender nossos silêncios.

Enfim, é janeiro e as tempestades seguem.
De dentro pra fora.

O caminho do meio.

Todos os seres nascem iluminados, mas é preciso uma vida inteira para descobri-lo.

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É noite aqui onde vivo. É noite em meu avesso também. É noite em algumas partes do mundo. A noite é esse ciclo passageiro onde a luz natural não nos alcança (fica pelo caminho) as escondidas. E nós podemos então perceber quem somos e o que somos. É como se a gente caminhasse para dentro de nós (cavernas) e lá dentro nos encontrássemos com essa possibilidade (estranha) de vislumbrar o que somos realmente.

Pois bem, eu estou aqui, a escrever esse punhado de palavras numa noite de lua cheia nesse mês primeiro, olhando para o futuro (dia seguinte) e percebendo junto a mim o meu passado (ontem). Porque janeiro é isso: é Janus. O senhor que cuida de olhar para os dois lados (passado e futuro). É preciso caminhar, mas é preciso observar os passos dados para compreender nossos movimentos.

Eu estou aqui com uma pilha de rascunhos escritos ao longo de sete anos. Muitas informações que agora me pedem organização. Nada mais. Uma xicara de chá, um incenso e uma vela. Uma nova caminhada começa.

O resultado virá amanhã. Claro.
Antes de ir, preciso dizer, é muito bom estar de volta…

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