Os mistérios de Janus…
Janeiro é um mês curioso, não acham? É o primeiro mês do novo ano, mas nós ainda trazemos em nós mesmos um pouco do que passou e muito do que desejamos para o amanhã. Ou seja: passado e futuro se enroscam no presente.
Coisas do Deus Janus, uma uma divindade pé-latina que era considerado o Senhor do Sol e do Dia, uma espécie de guardião celeste de todas as portas e entradas. Ele era representado pelos humanos como um Deus de duas faces: sendo uma delas voltada para o passado e a outra para o futuro. Janus é o equivalente masculino da Deusa Jana, cujo aspecto de duas faces Antevorta e Postvorta da mesma forma, olhando para o passado e para o futuro. Justamente por isso, o mês de janeiro marca o começo de um novo ano, mas também contêm elementos do ano que passou.
O mito de Janus nos conta que ele era o primeiro Deus a ser mencionado nas cerimônias religiosas. Era adorado na época das colheitas, plantio, casamentos, nascimento e sempre que acontecia algum acontecimento importante na vida de alguém. Também representa a transição entre a vida primitiva e a civilização: o campo e a cidade, a guerra e a paz, a infância e a maturidade.
Coisas de Janeiro – esse mês das tempestades. É verão por aqui (grita o calendário) mas a paisagem está fria, nublada… Dias agradáveis pra mim que vejo uma fina névoa branca cobrir o horizonte desde sábado pela manhã quando as montanhas sumiram. Alguém já leu As brumas de Avalon? (risos)
Há quem diga que as condições climáticas de janeiro determinam o andar da carruagem nos demais meses do ano. Então preparem os guarda chuvas, as galochas e também as blusas de frio…
Uma lenda romana nos conta que ele teria chegado a Tessália onde foi recebido pela princesa Camesse do Lácio com quem se casou e teve filhos, dentre os quais Tiberinus (o Deus do rio Tibre). Após a morte de sua amada, governou sozinho e trouxe um tempo de paz e bem estar para todos, a famosa Idade de Ouro. Após sua morte tornou-se Deus por direitos adquiridos pelos atos praticados em sua vida e ganhou (não há referência exata de quem) o poder de saber do passado e do futuro.
Algumas vezes ele é associado a Ani (deidade etrusca) e com os gregos Zeus e Hermes. Também o ligam a São Pedro que é considerado o “porteiro dos céus” no cristianismo, mas sobre isso eu não me atrevo a discursar.
Que janeiro seja a porta de entrada de boas energias para todos nós, que o futuro seja um desafio agradável e inspirador.
E para celebrar o dia da lua, da poesia e da alma, nada melhor que Cecília Meireles.
Tomo nos olhos delicadamente
esta noite – jardim de puro tempo
com ramos de silêncio unindo os mundosTudo quanto quisesse aqui se encontra
nos arroios de estrelas – pelos bosques
onde há risos (e próximos soluços?).Sinto perfume e orvalho – imagens tênues
que inventa a solidão, para fazer-te
de repente saudade. E vejo em tudoessas cansadas lágrimas antigas,
essas longas histórias sucessivas
com seus berços e guerras – glórias? – túmulosRecolho a noite em minhas pálpebras
Uma vida cantada me rodeia
Mas perguntou-me até onde me alcança
o canto que me envolve e me protege.(…)
Cecília Meireles
5 Responses to “Os mistérios de Janus…”
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- - 03/01/2011



Se alguem ja leu?
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Acho que todo pagão ja leu (ou no minimo assistiu o filme (que por acaso é horrivel)).
As Brumas de Avalon é quase uma leitura obrigatoria… as vezes me da vontade de reler os 4 livros
Aqui em Portugal, faz frio e chove muito. Mas Janeiro para mim “cheira a recomeço”…
Gostei muito da poesia de Cecilia Meireles, que desconhecia.
Votos de um bom ano e de “bom recomeço”…
how do i join
Que texto de bom gosto! Adorei o estilo, leve e elegante. Bom conteúdo!