A lágrima da ninfa – parte 2

Espere! O que fazia caído na beira do algo? Está doente?

Odeon correu tão desnorteado que não percebeu em seu caminho uma pedra tropeçando e caindo de rosto numa poça de lama.
A moça vinha logo atrás, então se aproximou ajudando a levantá-lo. Como seu rosto estava enlameado, ela não pode ver a face desfigurada.
_Venha comigo, tenho água fresca em meu jarro e lavarei seu rosto.

_ NÃO! Disse ele em tom lacônico.
Melina assustou-se, mantendo distância.
Odeon escapou mais uma vez.
A moça, furtiva, seguiu seus passos até a entrada do Condado, descobrindo sua casa.

Depois deste incidente o druida confinou-se caindo em estado de profunda angustia. Abandonou a idéia de rever Melina em seus banhos matinais, esquecendo também do extrato floral o qual iria presenteá-la.
Pediu a morte!

Em uma noite, num acesso de loucura, jogou todos seus livros no chão, chutando-os e maldizendo a alquimia , gritando:

_ ESTOU CONFINADO À SOLIDÃO…
Já meio desacreditado, olhou para a estante e viu um único livro sobre a prateleira, e pegou-o imediatamente. Era um livro pesado, maior que os demais. Tinha a capa da cor do carvalho, a árvore sagrada dos druídas. Para seu espanto, ao ler o título, suas esperanças renovaram-se. Estampado em letras douradas e sobressalentes lia-se: "A SERPENTE DA SABEDORIA".

Tratava-se de um livro místico, que continha poções perigosamente milagrosas. Isto parece um contra senso mas na verdade era assim mesmo.
Tanto poderia curar como provocar efeitos colaterais irreversíveis. Deveria ser usado com parcimônia e sabedoria.

Odeon lembrou-se de sua mãe, uma sacerdotisa druída de grande confiabilidade, que lhe dissera certa vez para utilizar-se dele somente em caso de vida ou morte.
Entretanto, esta lembrança esvaiu-se como fumaça e ele começou a folhear as páginas como louco, até que encontrou uma poção denominada CYNGHRAIR. Esta se destinava a combater toda a sorte de enfermidades que atingissem a pele e couro cabeludo, porém ele sem raciocinar pôs-se a verificar se possuía os ingredientes(…)

 

>> continua…

Biografia

Lucia Helena O. Cavichioli é escritora/poeta paulistana e esteticista, com conhecimentos em psicologia começou a escrever na adolescência, ocasião em que teve seu primeiro poema publicado em um jornal da época, na coluna de um professor.

Aluna do curso de secretariado foi coordenadora do jornal da escola a convite do corpo docente. Participou de duas antologias: Forja da Liberdade – com o conto “Almas Gêmeas”, e, de a Árvore da Vida, com “O Conto do Relógio”, da editora Arnaldo Giraldo.

Em 2008 publicou sua coletânea poética por nome Re(cantos)de Mim pela editora All Print. A autora cativou amigos virtuais com seu estilo contemporâneo, despojado e original.

Ela escreve em vários gêneros com destaque para a ficção, onde seu gosto pela literatura fantástica se traduz na busca pela alma da natureza humana.

Madalena Barranco

Meus blogs:
http://escritosnamemoria.blogspot.com
http://retratosemdegrade.blogspot.com
http://fadaspontocom.blogspot.com

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Sobre Lu Guedes

Divido-me entre os lados insanos de minha alma: escrevo durante as madrugadas e deliro durante os dias...

2 Responses to “A lágrima da ninfa – parte 2”

  1. Arcanjo says :

    Adoro quando tem contos aqui…
    muito bons

  2. georgia aegerter says :

    Vai continuando que estou seguindo… (já li as 2 partes,rs)

    Bjao

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