A lágrima da Ninfa
“Há lugares onde os mundos se aproximam como as dobras de um manto. Uma dessas pontes é um lugar que os homens chamam de Avalon. Quando as mães da humanidade chegaram a este lugar, o meu povo, que jamais teve corpos, criou formas para nós, à semelhança delas. Elas construíram suas casas sobre estacas na margem do lago e caçavam nos pântanos, e andávamos e brincávamos juntos, pois vivíamos o alvorecer do mundo.” Marion Zimmer Bradley
Primeira Parte
Há muitos anos… Longínquos anos… Em um velho condado chamado Bosque de Flandres , viveu um homem simples, com poderes extraordinários e que fazia poções mágicas. Sua casa era repleta de ervas, extratos florais e pedras preciosas que achava em suas andanças pela floresta.A população do condado era composta de colonos, e a aldeia vivia do plantio de grãos e cereais. Era época da colheita, e por estes dias, aconteceria uma festa, denominada a Colheita da Lua, por coincidir com o aparecimento da lua cheia.
Os colonos andavam em polvorosa por causa da comemoração, porém Odeon limitava-se à sua casa e suas poções.
Geralmente, ele saía todas as manhãs, bem cedo, evitando assim que alguém pudesse vê-lo. Andava sempre com um manto que possuía um capuz, e nunca ninguém tinha visto seu rosto. Vivia isolado, triste e amargurado. Seu rosto era deformado, em decorrência de uma explosão, acontecida há algum tempo quando tentava encontrar uma fórmula para obter a fonte da juventude. Seu rosto ficou em chamas, que logo abafou com a ajuda de cobertores, curando-se com ungüentos que ele mesmo fazia. Entretanto seu aspecto era medonho, provocando asco. Nesse dia, arrumou seus pertences e viajou para longe, encontrando este vilarejo que adotou como lar.
As pessoas nem se incomodavam mais com ele porque já conheciam seu jeito eremita de ser.
Porém, guardava em seu coração uma infinita tristeza: amava em segredo. Ele a via todo fim de tarde à beira do lago, banhando-se em pétalas, exibindo suas melenas seu corpo e seu rosto de anjo.
Odeon escondia-se entre as folhagens para vê-la em todo seu esplendor. E pensava como seria feliz se ela o amasse. Abandonaria tudo se fosse preciso para estar com ela para sempre.
Acalentando seu sonho, retornava e fazia de seu infortúnio um companheiro. Nas mãos, levava um feixe de ervas , com a intenção de converter em extrato perfumado para sua amada.
Finalmente a noite da tal festa chegou. Fogos de artifício rabiscavam o céu, desenhando luzes e cores.
Enquanto os homens animavam o ambiente com suas flautas e pífaros, as mulheres arrumavam as mesas com flores , pratos típicos e vinho. As crianças traziam nas mãos bandejas com frutas secas para acompanhar o jantar.
Odeon espiava escondido atrás da cortina, sentindo-se a mais hedionda das criaturas. Sem importa-se com a tal festa em meio a tanta música e comilança, o druida saiu em direção ao lago. Em seus pensamentos achava-se a bela Melina, de cabelos ruivos, pele alva e olhos azuis. Na certa, descera do Olimpo esta deusa maviosa, trazendo para a Terra a doçura divinal.
Ao chegar, sentou-se e ficou a observar o firmamento e devanear como era de seu costume. Entretanto, levado pelo cansaço adormeceu na beira das águas, sendo despertado pelos primeiros raios de sol e pela voz lírica e canora de sua amada. Então sem demora levantou-se rapidamente cobrindo o rosto e correndo em direção à floresta, quando ouviu:
>> continua…
Biografia
Lucia Helena O. Cavichioli é escritora/poeta paulistana e esteticista, com conhecimentos em psicologia começou a escrever na adolescência, ocasião em que teve seu primeiro poema publicado em um jornal da época, na coluna de um professor.
Aluna do curso de secretariado foi coordenadora do jornal da escola a convite do corpo docente. Participou de duas antologias: Forja da Liberdade – com o conto “Almas Gêmeas”, e, de a Árvore da Vida, com “O Conto do Relógio”, da editora Arnaldo Giraldo.
Em 2008 publicou sua coletânea poética por nome Re(cantos)de Mim pela editora All Print. A autora cativou amigos virtuais com seu estilo contemporâneo, despojado e original.
Ela escreve em vários gêneros com destaque para a ficção, onde seu gosto pela literatura fantástica se traduz na busca pela alma da natureza humana.
Madalena Barranco
Meus blogs:
http://escritosnamemoria.blogspot.com
http://retratosemdegrade.blogspot.com
http://fadaspontocom.blogspot.com



E lá vamos nós sofrer com a espera de mais um capítulo.
E haja curiosidade…
Ai ai ai. Nesse eu tinha que comentar, geralmente eu venho até aqui e fico lendo e aprendendo, mas com um conto desses, não deu pra ficar quieto. Eu vi cada detalhe desse primeiro capítulo e já fiquei aqui imaginando o que vem por aí.
Mas cá entre nós, parar bem na parte em que o cara ouve alguma coisa é muita sacanagem. Vou ficar com essa palavrinha na minha mente até amanhã. Aff
Beijocas Lu e melhoras pra ti, viu???
E eu, sou suspeita para falar da Lu Cavichioli, querida amiga de vários anos pelos fóruns de literatura da Vida… Ela tem o poder de encantar tanto em prosa como em poesia. E quando o assunto é fadas, aprendo muito com ela.
Parabéns pelo conto!
Beijos à Lu Cavichioli, à Lunna e ao Marco Antonio
Oi Lunna, cara mia, boa tarde, este blog fantástico tem a capacidade em criar ambientes mágicos e tudo que se posta aqui nos leva a mundos imaginários onde sonhamos, permitindo -se andar por caminhos ilusórios.
A Lágrima da Ninfa foi um desses contos em que as imagens apresentaram-se antes das palavras. Eu , sempre em viagem comigo mesma, pus-me a vaguear em sonhos e assim, nasceu Odeon e sua Melina.
Quando escrevi a última linha percebi que tinha criado uma lenda entre um druida e uma ninfa. Em seguida vi também que a história tinha mesmo terminado tragicamente para alguns, feliz para outros e inimaginável para alguns. Daí resolvi que escreveria o início da saga de Odeon desde os primórdios de sua família druída, inclusive contanto em detalhes o episódio em que ele torna-se vítima de sua própria magia.
Creio (ainda) poder escrever tudo isso… Quem sabe haverá leitores… Um dia talvez!
Mais uma vez , Lunna, grata por essa mágica oportunidade em mostrar meu trabalho. Foi um super prazer conhecer a ti, tuas estações e tua veia cintilante de fada ou de bruxa, dependendo da ocasião rsrs.
Bacio
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Alex,
Obrigada pela leitura, espero que aprecie a segunda e última parte da saga.
abraços
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Atreyo, agradeço imenso teu coment, meu caro. Desejo que a segunda parte fique a contento. Boa leitura e até mais
beijos
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Querida Magalinda, nossa amizade viaja nas asas mágicas e azuis do vento , trazendo até nós essa cumplicidade exuberante dos 4 elementos. Que nos permite viajar ao mundo encantado, cultivando o bem estar de todas as criaturas mágicas.
Você, minha linda, é a própria FANTASIA.
Obrigada por tudo.
meu afeto
beijos
Lu Cavichioli
Carissima, foi um prazer e uma honra t-la conosco aqui nesse espao que tem uma magia deliciosa que nos chega a partir de todos vocs e suas palavras. Mais uma vez obrigada por dividir com a gente esse texto encantado. Meu abrao a voc.
*..: ** Lunna Montezzinny Guedes** :..* “Desejo que tenha sonhos sempre, mas no se esquea de despertar todas as manhs para realiz-los”.
Hei! No imprima sem necessidade… Lembre-se sempre que cada folha gasta uma rvore a menos…
Meu blog: http://www.meninanosotao.wordpress.com
Revista Perspectivas – Edio Zero http://www.bookess.com/read/4494-revista-perspectivas/
Fone. – claro – (11) 7696-0145
Seja bem vinda Lu, espero que traga também os outros contos para cá.
Bjs.
Obrigada Francys, se houver outra oportunidade estamos aí!
beijão
Lu C.