Lua Cheia…
Boa noite a todos, essa é uma das luas mais importantes do ano, justamente por ser a Lua que antecede Samhain e assim sendo, nossa caminhada está bem perto do fim. Os caminhos aos poucos se encontraram num só ponto.
Então nos encontraremos uma vez mais nessa união maravilhosa onde os véus que nos envolvem uma vez mais se estreitam e estaremos todos juntos no coração da grande Deusa Mãe que espera por nós para se despedir, já que a promessa de amor fala mais forte em seu âmago e ela partirá, indo ao encontro de seu amado que feneceu.
O fim que marca o recomeço. Acho esse momento encantador e lamento profundamente existirem pessoas que não o compreendem, mas guardo em meu coração a esperança de que um dia os olhares saberão dos caminhos existentes e não haverá espaço para críticas infundadas. Enquanto isso, caminho e convido você a caminhar comigo…
O Ritual dessa noite é lindo, leve seu caldeirão para o ar livre, coloque-o sobre uma pedra, circundando-o com quatro velas na cor dos elementos. No chão coloque quatro pedras representando as quatro direções. Invoque as quatro direções para formar o círculo mágico, acendendo as velas para os elementais. Em seguida: respire fundo, ateei fogo no caldeirão e faça a convocação.
“Nessa noite de sagrado poder, eu a convido a estar em mim através dessa luz sagrada que varre todas as direções. Senhora da Magia, Deusa da Inspiração, Chama Sagrada que arde fortemente dentro de cada um de nós – permita-me ser terra, fogo, água, ar, espirito… Permita-me ser o que sou, filho do amor infindável que arde em seu peito por aquele que segue ao encontro das sombras”.
Feche os olhos, faça uma meditação, sinta a energia da lua invadindo seu corpo, preenchendo as lacunas, vibrando junto ao seu coração. Respire fundo, chore se for preciso, mas não deixe de compor um sorriso que é a forma mais intensa de magia. Faça uma prece para a Deusa Brigith e se despeça dela a seguir. Nos próximos dias, a Deusa começa sua caminhada rumo a Terra do Verão para encontrar seu amado que aos poucos também segue seu destino e uma vez estando lá no Vale das Sombras irá esperar por sua amada porque o amor não morre, é eterno e é nome dele que o fim declina para que o começo volte a reinar.
Escolhi essa poesia de Miguel Torga para nos acompanhar nessa caminhada porque nela o poeta confessa-se com um “eu” dividido entre o bem e o mal, a virtude e o pecado, a raiva e a ternura, a lua e a sombra, o divino e o humano. Achei que seria perfeito para esse momento.
Aqui diante de mim
Miguel TorgaAqui, diante de mim,
eu, pecador, me confesso
de ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
que vão ao leme da nau
nesta deriva em que vou.Me confesso
possesso
de virtudes teologais,
que são três,e dos pecados mortais,
que são sete,
quando a terra não repete
que são mais.Me confesso
o dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas,
e o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
andanças
do mesmo todo.Me confesso de ser charco
e luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
que atira setas acima
e abaixo da minha altura.Me confesso de ser tudo
que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.Me confesso de ser Homem.
De ser o anjo caído
do tal céu que Deus governa;
De ser o monstro saído
do buraco mais fundo da caverna.Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
para dizer que sou eu
aqui, diante de mim!
Desejo a todos um lindo ritual, uma deliciosa reflexão e que os dias de todos nós seja de abençoado com muita inspiração.



Fiquei molinha depois de ler isto.. não sei explicar. Apesar de não ser iniciada , tenho a sensibilidade, senti como se estive lá no ritual.
Que assim seja irmanzinha !