O guardião de Memórias
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Hoje é a vez de Suzana Martins nos contar um trecho de seu livro de cabeceira:
O guardião de Memórias
Kim Edwards
Editora Sextante
“Inverno de 1964. Uma violenta tempestade de neve obriga o Dr. David Henry a fazer o parto de seus filhos gêmeos. O menino, primeiro a nascer, é perfeitamente saudável, mas o médico logo reconhece na menina sinais da síndrome de Down. Guiado um impulso irrefreável e por dolorosas lembranças do passado, Dr. Henry toma uma decisão que mudará para sempre a vida de todos e o assombrará até a morte: ele pede que sua enfermeira, Caroline, entregue a criança para adoção e diz à esposa que a menina não sobreviveu. Tocada pela fragilidade do bebê, Caroline decide da cidade e criar Phoebe como sua própria filha. E Norah, a mãe, jamais consegue se recuperar do imenso vazio causado pela ausência da menina. A partir daí, uma intrincada trama de segredos, mentiras e traições se desenrolam, abrindo feridas que nem o tempo será capaz de curar. A força deste livro não está apenas em sua construção bem amarrada ou no realismo de seus personagens, mas, principalmente, na sua capacidade de envolver o leitor da primeira à última página. Com uma trama tensa e cheia de surpresas, O guardião de memórias vai emocionar e mostrar o
profundo – e às vezes irreversível – poder de nossas escolhas.”
Trecho.
Para David, era sempre como se o tempo parasse nesses dias, com o sol eternamente
no céu e as folhas secas deslocando-se sob os seus pés. O mundo se reduzia apenas e ele, o pai e as cobras, mas também se expandia, com a vastidão do céu se abrindo a seu redor, mais alto e mais azul a cada passo, e tudo ficava mais lento, até o instante em que ele detectava um movimento em meio às cores da terra e as folhas secas, pois os losangos desenhados no dorso só se tornavam visíveis quando a cobra começava a se mexer. O pai lhe ensinara a ficar imóvel, observando os olhos amarelos e a língua agitada. Toda vez que a cobra troca de pele, o chocalho fica mais longo, de modo que era possível dizer, pela altura do chocalhar pelo silêncio da floresta, quais eram a idade e o tamanho da cascavel e quanto dinheiro ela daria. No caso das maiores, cobiçadas por zoológicos, cientistas e, às vezes, adestradores de cobras, era possível receber cinco dólares por uma.(…)
Ele jogava a cobra num saco de pano, fechava-o com um puxão, e o saco virava uma
coisa viva, palpitando no solo. O pai de David o atirava na caixa de metal e fechava a
tampa. Sem dizer nada, eles seguiam em frente, contando de cabeça o dinheiro das
cobras. Havia semanas no verão e no fim de outono, em que conseguiam ganhar 25
dólares com isso. O dinheiro servia para comprar comida; quando eles iam ao médico
em Morgantown, pagava por isso também._ David
A voz de Norah lhe cegou fraca e urgente, cruzando o passado remoto e a floresta e
penetrando no dia. David se apoiou os cotovelos e ai viu de pé no extremo oposto do
campo de morangos, hipnotizada por algumas coisas no chão. Ele sentiu uma onda de adrenalina e medo.(…)
Pág.. 99
Suzana Martins – Um pontinho de solidão, algumas desconsiderações, uma xícara de chá quente, um cheiro de poesia misturado a canções do mar. Uma descoberta a cada madrugada, um sonho de inverno… Definições são improváveis, porém as descobertas são constantes!!
Escrevinhadora dos blogs: www.minhasmares.blogspot.com /
www.sumartins.wordpress.com
4 Responses to “O guardião de Memórias”
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- - 31/10/2011



Eita, que linda eu aqui!!!
(mas me achei legal agora, rsrsrs)
Confesso que foi difícil escolher um livro de cabeceira, mas aqui estou, rs…
O Guardião de Memórias é um livro maravilhoso, uma história envolvente do início ao fim, vale a pena ler!!!
Sem contar na paisagem linda de inverno…
Obrigada Marco!!
Beijos
Su, eu continuo envolvida com a leitura de Possessão de Byat. Mas quando conseguir me livrar desse livro (parece que será meio difícil) vou tentar ler esse livro. Dica anotada. Beijos
Pulei por aqui. Estou lendo agora [finalmente] a biografia da Elis. Qdo der, eu pego a dica \o