Bruxaria Italiana
Passei um bom tempo sem escrever aqui na Casa do Mago porque estou um tanto atarefada com os meus escritos, mas retornei e pretendo nos próximos posts falar um pouco sobre os diferentes tipos de bruxaria.
Lembrando que a bruxaria não é uma religião e sim uma filosofia de vida, por isso, por onde passou adquiriu características especificas.
Stregheria é um termo moderno, um neologismo, utilizado por alguns autores neo-pagãos como um sinônimo para a palavra italiana Stregoneria, que significa Bruxaria.
Para algumas pessoas, a Bruxaria Italiana é tida como a "Vecchia Religione” ou seja “Velha Religião" onde o culto neopagão tem origem nos velhos mistérios Egeu-Mediterrâneos. Para outros, a Stregoneria é simplesmente a prática de bruxaria com influências italianas, desvinculada de religião, já que para Bruxaria Tradicional a mesma não é considerada uma religião.
O Culto das Streghe Neo-Pagãs centra-se na figura da Deusa Diana e seu irmão e Consorte Dianus Lucifero. Mas este é um culto mantido por praticantes modernos, e não corresponde exatamente a Bruxaria Italiana como um todo.
Muitos dos Stregoni e Streghe focalizam sua prática em Santos Católicos, enquanto há outros grupos e praticantes que se focam na figura do Diabo e demônios menores. Sendo assim, fica praticamente impossível dizer que a “Stregoneria” é uma prática única.
Os streghe se reunem às noites de lua, de acordo com o seu crescente ou declínio, e nos dias de sol intenso. À lua cheia são revelados os mistérios da tradição, enquanto os rituais solares são voltados para a adoração e a iluminação, e há também o contato íntimo com a natureza.
A Stregheria passou a ser conhecida graças a Charles G. Leland, um folclorista que no final do século XIX escreveu diversas obras sobre o tema: Aradia, Il Vangelo delle Streghe Italiane eEtruscan and Roman Remains in Popular Tradition. Ele conseguiu todo o material de sua pesquisa em Florença, onde manteve contato com mulheres que se diziam Streghe.
As bases dos mistérios dos Streghe vieram basicamente das influências Etruscas porque os romanos/ítalos tiveram muito contato com esses povos na época das invasões e conquistas, e também durante do forte comércio dada a posição geográfica que tanto os privilegiou em dado momento da história.
A tradição italiana recebeu diversas influências: grega na Sicilia, Celta no norte da Itália entre muitos outros povos como nos revela a história italiana.
O fato é que hoje, muitos praticantes de Bruxaria Italiana têm seus cultos e crenças enraizados junto ao Cristianismo e na própria Cultura judaico-cristã, pois com a conversão dos romanos, muitos deuses, templos e cultos foram agregados a essas religiões como forma de obter fiéis. Com toda certeza você já deve ter ouvido falar em Santa Luzia, São Miguel ou São Pedro, mas com magias e rezas, além do uso de ervas, plantas e especiarias.
Mas para você ter uma pequena idéia da complexidade acerca da Bruxaria Italiana, vou citar alguns detalhes aqui: Na Sicília existem as Animulare, que são Bruxas que não revelam seus segredos nem mesmo para seus amigos íntimos. A crença delas é totalmente centrada no Culto aos Mortos, nos Vôos ao Sabba (viagens astrais) e na transfiguração. Para as Bruxas da Itália Sabba não é um festival sazonal, mas sim um “local de poder – astral” onde ocorrem orgias e festas e onde as mesmas se regozijam com seu Deus das Sombras e do Prazer.
Outro culto muito conhecido na Itália é o dos Benandanti, na região do Friuli. Eles são feiticeiros-cristãos que, durante certa época do ano, lutam ritualisticamente com os Malandanti (bruxas "más") para assegurar a boa colheita.
Na região do Benevento temos as Janare, que celebram seus encontros a meia-noite ao redor de uma grande nogueira sagrada e servem nuas a Pano, o tão conhecido Deus Pã dos Gregos. E temos as Bele Butele do Veneto, que tem uma prática mais xamânica e divididas em pequenos grupos, normalmente familiares nos qual a tradição é passada de geração em geração…
As bruxas da tradição italiana crêem que para a magia acontecer é necessário sempre a intervenção de Diana (a Lua), Lúcifer (o Sol) e Aradia (a Terra – o ponto de equilíbrio). Os ciclos sazonais também são observados, para que haja um alinhamento com as marés de poder telúricos oriundos destes períodos, pois é Diana que nos dá o Poder, mas somente por meio da intercessão de Lúcifer (energia solar numa visão metafísica) e Aradia (energia telúrica) que alimenta o Poder que nos é conferido.
Uma das principais regras dessa tradição é que nenhuma bruxa pode morrer sem transmitir o Legado à pelo menos uma pessoa que deve ser escolhida por ela. E esta regra é literal, pois se a bruxa não o transmite, ela padece e é impedida de morrer pelos Poderosos, até que transmita o seu Legado.
Che Dio Vi Benedica con Fortuna!
Lunna Guedes
E caso você se interesse por saber mais sobre essa tradição, segue o link onde você encontrará sugestões de leitura acerca do tema. http://www.vecchiareligione.org/letteratura2.htm



Aos poucos vou aprendendo e gostando, gostando…
Beijos