Archive | Janeiro 2010

Vangelis – o filho das Sombras…

Vigésimo Capítulo

 

Vangelis voltou a si e se viu ali, nos braços de Ashley que o acariciava atentamente como quem decora traços e retas. Ele por sua vez, ainda estava assustado o que fez levantar-se abruptamente:

_ O que há comigo? O que fizestes?
_ Não lute contra isso Vangelis ou a dor que irá sentir será insuportável…

Ashley ajoelhou-se junto a ele, segurando suas mãos que rapidamente aqueceram-se. Era a primeira vez que ele sentia suas veias daquela forma, ainda não conseguia compreender o que de fato havia acontecido ali, mas sentiu-se calmo diante da sensação agradável que o toque das mãos de Ashley lhe proporcionava. Ele não mais sentia desejos por sangue, mas ainda havia em sua pele um desejo insano, firme e irresistível – era a primeira vez em toda sua vida que ele tocava o rosto de uma mulher com aquela suavidade merecida e sentiu-se feliz por isso… Sentiu-se verdadeiramente um homem e a única vontade a desenhar-se em sua pele naquele momento era por um beijo que ele fez existir ao tocar os lábios de Ashley com toda intensidade que lhe era permitida… E naquele instante magico, todas as chamas de Antares novamente se acenderam…

O equilíbrio natural de todas as coisas finalmente começava a se desenhar em Antares…

Queria eu acreditar que tudo isso seria o final de uma bela história de amor, mas na verdade era apenas o começo e tantas coisas ainda iriam acontecer. Nunca entendi porque razão Ashley nunca interferiu em todas as coisas de forma mais veemente se sabia do destino de ambos…

Vangelis não era mais um menino frágil como um dia havia sido, mas também não era mais o senhor das forças que não poderia ser ferido por ninguém, nem mesmo pela lâmina mais afiada de Antares. Era fato saber que parte dele estava feliz por estar ali e ter Ashley como sua amada, mas parte dele não se satisfazia com sua nova condição e essa seria a maior de todas as suas batalhas e o resultado final dessa luta inglória talvez não pudesse de forma alguma ser chamada de vitória:

_ Não esqueça que a sua maior força não está em sua pele. Ela vem de sua alma, passa por sua mente e alcança seu coração. Só poderá ser derrotado se sua mente o for…

Eu deveria ter agido naquele momento, afinal, na condição de homem mortal, Vangelis poderia ter sido derrotado – mas na condição de filho das sombras, cujo destino era enfrentar e derrotar a filha dos Deuses, não seria possível derrotá-lo, mas eu nem sabia quem realmente era aquela criatura até então…

 

>> continua…

A outra metade de Ashley Phillips…

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Décimo Nono Capítulo

Algo está acontecendo por aqui, mas eu não sei dizer exatamente o que é – ouvi muitas vozes, mas não consegui entende-las, eu bem que tentei. A comida veio há pouco e eu a devorei como um animal devora sua presa e sinto-me um pouco menos fraco e pronto para continuar esses escritos…

Preciso relatar o encontro de Ashley com o jovem que seria o responsável por sua maldição e pela praga que se abateria sobre aquele vilarejo. Ela saíra para uma de suas caminhadas solitárias, como de costume. Ficava lá, diante do lago, ouvindo os mais diversos sons e depois percorria a relva sentindo as mais diversas sensações…

Repentinamente sentiu seu medalhão esquentar e ficou ali, imóvel, de olhos fechados a esperar por um só movimento que fosse e então apontou sua espada na direção da garganta daquele belíssimo jovem com quem seu olhar encontrou-se como se fosse uma faísca do destino, uma espécie de reencontro:

_ Quem és tu que ousa me desafiar com essa espada? Posso derrotá-lo facilmente e nem saberás o que o atingiu…

O sorriso incrédulo de Ashley o incomodou deveras e ele tentou desarmá-la, em vão. Ela era ágil e ele nunca antes tinha tido um adversário assim. Contudo, desistir não fazia parte de sua linhagem e foram muitas as tentativas, até que ela descobriu sua cabeça e exibiu-se na condição de mulher para surpresa total daquele estranho que ficou enternecido por tão bela imagem:

_ Nunca antes havia presenciado uma mulher dominar uma espada como tu o fizestes aqui bem diante de mim. Sinto-me vencido apenas por ter tal honra. Me chamo Vangelis e nada mais, nunca tive um nome de família que tu deves o ter. E tu, qual é o teu nome?
_ Ashley Phillips…
_ Eu venho de…

Mas Ashley não o deixou concluir, caminhou em sua direção, encarando-o atentamente como se ao fazê-lo pudesse ver muito além do que suas palavras pudessem dizer a ela. Um vento forte soprou entre eles e enquanto se olhavam e sentiu a respiração atenta um do outro, souberam absolutamente tudo que precisavam saber um do outro:

_ Eu estava a sua espera.
_ E como isso é possível?
_ Quando nascemos, a Deusa do destino tece nos caminhos e então, se fecharmos bem os nossos olhos, saberemos de onde viemos e pra onde iremos…
_ Eu não acredito em Deusas…

Ashley sorriu, não estava surpresa com aquele comentário. A bem da verdade já esperava ouvir aquela resposta:
_ E acreditas em que Vangelis?
_ Em mim mesmo… Mas já que a moça acredita em Deusa, diga-me qual seria o seu destino?
_ Quando a lua se tornasse negra, ficando assim fora do alcance dos nossos olhos, eu deveria seguir meu coração, ouvir o vento, as lâminas de água e meus pés saberiam exatamente a direção dos meus passos… Então eu encontraria aquele cujo destino e coração foi roubado pelas sombras pouco depois de seu nascimento. Ele seria um guerreiro, mas sua maior batalha seria contra si mesmo…
_ Não é por mim que está esperando. Eu não tive o meu destino roubado por ninguém porque eu mesmo o faço. Sou livre feito o vento…

Ashley tentou tocá-lo, mas ele esquivou-se rapidamente dela, dando-lhe as costas. Ela era uma estranha e dizia coisas ainda mais estranhas, parecia saber coisas que não deveria e isso poderia ser perigoso para ele. Em seu íntimo, naquele momento já tinha nomeado aquela dama como não sendo alguém confiável.

Diante disso, ele lançou mão de sua espada e exibiu a ela que não esboçou qualquer reação. Não ousou defender-se, abrindo os braços como se colocasse sua vida a disposição dele e fechando os olhos, dando a ele uma napa de confiança. Ela não o temia e a proximidade da lâmina afiada da espada de Vangelis junto ao seu corpo parecia não surtir nenhuma reação da parte de Ashley:

_ Eu posso ferí-la mortalmente, já fiz isso milhares de vezes… Isso é um aviso.
_ Se deseja minha vida, assim o será – mas não pode desejar minha morte… Eu sou aquela que pode devolver a você o que lhe foi roubado. Sei de sua força, de sua arte, de sua nobreza e desgraça. Sei que se alimenta do sangue daqueles que são facilmente derrotados por você. Em sua pele há a força de mil animais selvagens e em sua alma há a tristeza de não sentir, não saber, não conhecer a dor, o medo, a verdade sobre si mesmo, a compaixão por aqueles que devoras… E mesmo assim, você dá a eles uma cerimônia digna.
_ Chega…

Naquele momento,  nuvens negras surgiram por toda a parte e uma forte tempestade desenhou-se naquele céu. Ele sentiu sede e tinha aquela jovem a sua disposição e não hesitaria em saciar aquele seus desejos que era uma crescente em seus lábios.

Seus olhos estavam avermelhados e sua face ruborizada já exibia seu comportamento indócil de um animal faminto. Ele era selvagem e mesmo assim, Ashley não se movia, mantinha-se ali a sua mercê – Vangelis abandonou a espada no chão e sem titubear apossou-se do corpo daquela bela dama para si. Observando-a atentamente para certificar-se que ela seria seu alimento naquele momento, mas antes que ele a mordesse, a mão esquerde de Ashley tocou seu peito suavemente. Um forte estrondo ocorreu na pele daquela criatura que foi ao chão, prostrada, sentido algo que nunca antes havia sentido em sua pele. Ela parecia rasgar-se, seu corpo todo formigava e o ar parecia faltar. Estava completamente atordoado… A tempestade dizimou-se completamente, ficando apenas o vento forte que parecia varrer toda a paisagem. Todas as chamas de Antares que estavam acesas naquele momento apagaram-se ao mesmo tempo que Vangelis foi ao chão, desfalecido…

 

>> continua…

Os mistérios de Antares…

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Décimo Oitavo Capítulo

Naquele vilarejo eu aprendi a caçar, pescar, empunhar uma espada e golpear com a mente e não com o corpo. Uma estranha arte que Ashley dominava com estranha facilidade e ensinava para alguns que se mostravam interessado em aprender…

Foi ela também quem me ensinou a compreender aquela tal palavra que ela vez ou outra usava e que Sara tantas vezes a pronunciou para mim “tempo”:

_ Observe o céu a sua volta, é fácil compreender. O sol dá inicio a sua dança na direção leste e segue pelo céu lentamente até o oeste, lá estão as novas terras de onde virão aqueles que desenharão na mente dos homens o desejo de poder e um novo deus a quem todos serão submissos por muito tempo e deve saber que será seu medo que ajudará a edificar esse deus…

Ao ouvir aquelas palavras senti uma enorme tristeza em meu peito, respirei fundo e tentei ignorar aqueles dizeres. Eu sei que deveria ter dado atenção ao invés de simplesmente ignorar tudo aquilo que ouvi, mas não o fiz e hoje não consigo evitar pensar que talvez tudo que acontece aqui seja culpa minha, da minha omissão. Sou prisioneiro de minha própria desgraça como tão bem disse Sara certa vez. Eu permiti que as edificações do Castelo da Luz fosse demolidas, assisti passivamente a cada pedra tombada e nada fiz para impedir, muito pelo contrário, eu estava lá ao lado dos homens que ergueram as densas paredes de pedras desse maldito templo erguido pelos homens em honra ao seu novo deus.

Por um momento me desviei completamente de meus afazeres aqui, isso não pode acontecer, preciso relatar tudo isso antes que seja tarde demais, as forças em meu corpo estão se esvaindo e essa pena pesa tanto, as vezes mal consigo enxergar o que está no papel.

Tento não pensar no meu fim, afinal, sou imortal, mas como sobreviverei dessa forma? As vezes sinto que não conseguirei terminar essas narrativas, mas não tenho o direito de pensar assim…

>> continua…

Poesia é tempo sem ponteiros…

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René Magritte. The Lost Jockey. 1948. Gouache on paper

Pelo luar azul, entre montes e águas,

Pelo luar azul, entre montes e águas,
sobre a madrugada de galos e orvalhos,
quem chega de longe, com tão sobre-humano
cansaço que, ah! Nem tem palavras!

Do fundo da terra chegava, por úmidas
escadas de trevas olentes, profundas,
Entre esquecimentos e lembranças do húmos:
negras raízas de que frutos?

Ah, como é tão vago o país dos vivos!
Como vão ficando tênues seus caminhos,
tênues e sombrios e tão exaustivos…
E arquiteturas sem sentido.

Abriam-se as portas. Entravam. Miravam.
Tinham novos olhos, de pupilas vagas
Para reinos de santos e larvas
E escuridões transfiguradas

Ficavam tão tristes! Porém era sonho.
Não havia nada nem vivo nem morto
Só clarividente sonho. E esse desgosto
do humano: tão pobre, tão pouco.

Cecília Meireles

Cecília Meireles, como toda mulher tem um lado “bruxa” e no livro Solombra (que a Lu anda lendo diariamente) podemos ver esse lado com maior intensidade, ele fala da morte como se tentasse compreender esse mistério.

Na orelha do livro está escrito que Solombra é um livro para ser lido de um fôlego só. A Lu ignorou isso completamente e a leitura aqui é lenta. Tanto que vez ou outra, encontro o livro nos mais diversos cantos da casa: no criado mudo, na mesa da cozinha, da sala, no canto da televisão e por aí vai… E é nesses meus curiosos encontros com esse livro que eu vou lendo poema a poema, sem pressa porque já percebi que poesia é tempo sem ponteiros…

Grande abraço
Marco

O vilarejo das Brumas…

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Décimo sétimo capítulo


Ashley levou-me para conhecer sua família, pessoas simples mas que demonstravam muito orgulho pelos filhos que tinham. No total eram sete filhos, incluindo Ashley que fora encontrada nas margens daquele rio que era considerado sagrado por muitos, o lar de Voira:

_ Nós já tínhamos seis filhos, todos homens. Não era fácil criá-los, esse lado de Antares havia sido esquecido pelos Deuses, nada crescia nessas terras. Então fomos ao rio buscar água e encontramos ela. Minha mulher se encantou com aquele bebê e não me permitiu se quer pensar na possibilidade de não ficarmos com ela. Eu viajava muito em busca de trabalho, ficava longe a maior parte do tempo, mas depois da chegada de Ashley as brumas não permitiam mais ver o outro lado da margem e não pude mais viajar. Mas aprendi a plantar e tudo mudou por aqui… Nossas plantações sustentam a nossa gente e nós celebramos o plantio, a colheita, as chuvas. Aprendemos com a nossa menina a ouvir a natureza que aí está…

Era interessante ouvir o pai de Ashley, assim como era interessante observar aquela jovem cheia de energia, de vida e de magia. Ela ajudava os pais, os amigos, os vizinhos e todos que precisassem. Unia pessoas, contava histórias encantadoras para os mais jovens e vez ou outra desaparecia, mas sempre voltava…

Eu fiquei por ali por um bom tempo, no começo acreditei que poderia ser feliz ali e que estaria a salvo de todas aquelas coisas. Comecei a procurar nas jovens daquele vilarejo uma jovem que me encantasse e pudesse estar comigo até chegar o momento de ser derrotado por aquele que me sucederia, mas quando se descobre o verdadeiro amor uma vez, esperar que ele aconteça novamente é quase impossível:

_ Vejo a forma como olha para as mulheres daqui, parece procurar por alguma coisa em cada uma delas. Mas eu não entendo, porque procurar por algo que já está em você?

Aquelas palavras de Ashley me incomodaram muito, mas era uma verdade, da qual eu não poderia fugir, por mais que eu desejasse intensamente. Não queria estar sozinho por todo o sempre, queria ter alguém ao meu lado para acariciar durante as noites, para caminhar comigo durante os dias, queria contar minha estranha história e ouvir sua risada descrente ao fim das palavras…

Naquela época eu não fazia idéia do que era estar sozinho, mas hoje eu sei e ainda assim não estou completamente sozinho, tenho todas essas malditas lembranças por companhia…

Sim, estou cansado uma vez mais, não consigo mais manter meus olhos abertos!

>> continua..

Ritual de dedicação…

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O paganismo não é exatamente uma religião, embora muitas pessoas adorem afirmar isso. É uma cultura e como tantas outras formas de cultura é preciso acima de tudo, atenção para com todas as informações existentes acerca do tema, por isso há um Ritual de dedicação que marca exatamente o momento em que iremos nos dedicar a aprender e compreender os seus muitos mistérios. Por fim, esse tempo que dura 13 luas – nos leva a um comprometimento e este por sua vez, nos leva de encontro a uma certeza: é isso mesmo que eu quero e desejo pra mim?

O paganismo não apresenta a você um manual de procedimento: é tudo muito intuitivo e você é levado ao encontro de um desafio pessoal: libertar-se dos dogmas que você trás consigo. Sim, porque a grande maioria de nós cresce ouvindo falar em um Deus acima de tudo e de todos, respeitamos uma imagem feminina, mas não temos a menor noção da amplitude disso tudo…

O paganismo rompe com conceitos pré estabelecidos e nos força a ampliar nossa visão sobre como são realmente as coisas.

E há um outro lado muito mais difícil que é lidar com o preconceito das pessoas para com esta cultura. Já que muitos livros citam bruxas como sendo criaturas demoníacas e há muitas pessoas que se incomodam com algo que elas não conhecem e não se mostram dispostas a conhecer. Ampliar o próprio horizonte nem sempre é uma tarefa fácil.

Mas voltando ao tema desse post, o Ritual de dedicação é algo simples e pode ser feito por qualquer pessoa na Lua Cheia, num dos oito Sabbats ou no dia de seu aniversário.

Para fazer o Ritual de dedicação, você deve escolher um lugar que tenha algum tipo de identificação para com você. Feito isso, tome contato com ele através do olhar e esteja certo de que sempre poderá ir até ele quando sentir vontade…

Faça uma colheita junto a natureza de folhas e pétalas e prepare um banho de purificação. Esquente a água e quando esta estiver fervendo, coloque as folhas e as pétalas, tampe e deixe ali por alguns segundos. Aprecie essa transformação atentamente porque absolutamente tudo no paganismo é transformação.

Tome o seu banho e vá para o local escolhido, respire fundo, fique em silêncio e faça uma meditação lenta buscando sentir o local, buscando sentir você fazendo parte desse local, buscando sentir as energias a sua volta…

Depois de alguns segundos diga em voz alta:

Nesse local que a partir de hoje é sagrado para mim
Eu abro minha mente, meu corpo e meu coração para esse novo caminho
Que os muitos mistérios dessa Arte se apresentem a mim
E que eu seja sempre digno de todo aprendizado que a mim chegar
Eu prometo dedicar-me aos estudos com afinco
E a partir de hoje estar atento a natureza que esta em mim e a minha volta

Blessed be

A partir disso você deve se comprometer a estudar, pesquisar, envolver-se com a Arte. Ao longo dessas 13 luas, você precisa obter os instrumentos mágicos que achar que deve ter, descobrir qual panteão irá seguir, sabendo que existem vários (celta, grego, egípcio, maia, entre outros) e é preciso descobrir com qual deles você se identifica… E é nesse período também que você começa a confeccionar o seu grimório (o livro das sombras).

Esteja certo que é um momento magico pra você, mas não é nada fácil. O caminho é longo e nem sempre o resultado final é o que você esperava que fosse… Se você cumprir para com este desafio pessoal, estará pronto para se iniciar no caminho da Arte…

Awen
Lunna Guedes

Ashley Phillips – a filha de Moira…

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Décimo Sexto Capítulo

Hoje o dia foi de silêncio por aqui. Nenhuma pessoas esteve nessa masmorra, nem mesmo a lavagem que eles chamam de comida foi trazida. Não gosto quando o dia começa assim, de forma vazia e com a pele coberta por arrepios que me fazem temer a atitude desses seres que alguns chamam de homens. Eu tenho uma definição bem diferente do que vem a ser um homem…

Enfim, devo continuar a narrar minha história tomando o devido cuidado com o que digo, pois não posso dar munição a esses seres…

Depois de perder minha Sara, fiquei desorientado e vaguei por diversos lugares. Não sabia em que acreditar e tudo que via era motivo de descredito da minha parte. Ela estava certa em dizer que minha pior desgraça seria justamente a falta de crença… Mas um dia eu acordei e me vi desejando encontrar as demais meninas. Não sabia como iria fazê-lo até perceber que eu só precisava fechar os olhos e seguir o vento e foi ele que me levou até uma outra vila, bem distante, provavelmente desconhecida por muitos em Antares. O acesso não era fácil e o local estava constantemente cercado por uma densa neblina – além disso havia um lago com águas estranhas que mudava de cor e não havia uma explicação para tal fato.

Encontrei um barco abandonado que misteriosamente me levou para o outro lado da margem e depois de alguns passos, encontrei uma clareira onde dois jovens desafiavam um ao outro numa luta de espadas que parecia só ter um desfecho: a morte de um deles.

Felizmente, um desistiu devido ao cansaço e foi só então que eu percebi que um dos jovens era uma bela jovem, mas um desavisado que passasse por ali, não notaria jamais. Ela trajava vestimentas próprias dos homens e não tinha a graça e a sutileza que a maioria das moças se preocupam em ter…

Era louvável sua força e sua agilidade com a espada em mãos. Seu oponente não teria a menor chance, mas eles estavam apenas praticando aquela arte. Não machucariam jamais um ao outro, eram irmãos e se respeitavam enquanto membros de uma mesma família…

Ele por sua vez percebeu minha proximidade e quando dei por mim, já estava ele com a espada contra o meu peito, mas ela veio até mim e com um toque sutil sobre a espada o impediu de qualquer ato:

_ Está tudo bem Dannus… Ele não pode nos fazer mal, veio aqui em busca de algo, não é mesmo senhor?
_ Tem certeza disso minha irmã? É o vento quem está lhe soprando tal coisa?

Ela também podia ouvir o vento, assim como também ouvia os animais, as terras, as quatro direções e trazia no peito um medalhão bem parecido com o de Sara. Seu olhar parecia capaz de enxergar muito além do que qualquer outro mortal era capaz. Ela também tinha muitos outros dons: sabia da dança da lua, do sol e era graças a ela que as plantações naquele lugar aconteceram. Ela dizia o momento certo de plantar, de adubar, de replantar e colher. Sabia quando os animais iriam parir e já havia feito inúmeros partos junto ao seu pai de criação… Ela era respeitada por todos naquela pequena vila que segundo a lenda era protegida por uma Deusa que falava a todos através daquela jovem. Ela não era endeusada, mas alguns ali a temiam mais que respeitavam. Eram muitos os casos de cura narrados pelas pequenas casas que exibiam simplicidade, mas nada lhe faltavam…

Aquela era Ashley Phillips, filha da Deusa Voira e de seu amado Senhor, aquele que eu supostamente havia enfrentado e derrotado…

>> continua…

A morte de Sara…

Décimo Quinto Capítulo

Quando cheguei ao vilarejo percebi que tudo estava diferente, havia muitas pessoas doentes, além de outras coisas estranhas que seguiam acontecendo… Louise exibia uma estranha aparência, sua beleza se esvaíra e ela parecia estar definhando em vida… Diziam por ali que ela havia sido vítima das Sombras, mas eram apenas dizeres tolos, pois a verdade era outra…

Quando Sara voltou ao vilarejo era uma das poucas moças que preservava a sua beleza e não demorou para que a atenção do Conde se voltasse para ela. Ele ofereceu-lhe jóias, terras e tudo mais que ela desejasse. Mas ela não aceitava absolutamente nada:

_ Meu coração pertence a outro meu Senhor. Lamento… Disse Sara ao Conde que irritou-se com tamanha afronta. Ali, naquele instante estava definido o destino de Sara. Sebastian a levou a força para sua casa e ninguém interferiu em seus atos. Então surgiu no céu a Lua Cheia e ele a tomou para si, ele não sabia da Lenda, mas sabia de coisas que ninguém mais saberia…

Assim que cheguei a minha casa, o pai de Sara veio me trazer o medalhão que lhe pertencera. Disse-me apenas que era um presente de sua filha para mim e eu o guardei comigo. Era uma bela jóia, cujo brilho havia se apagado repentinamente. Eu perguntei ao pai de Sara sobre ela e ele apenas balançou a cabeça de um lado para o outro e foi embora…

Então eu a vi ao lado de Sebastian, de braços dados com ele, caminhando pelo vilarejo e custei a acreditar no que meus olhos viam. Esperei que ela estivesse sozinha na casa do Conde e fui ao seu encontro. Aquele lugar estava sombrio, estranho, cheirava a morte por todos os cantos…

Sara veio ao meu encontro e mostrou-se surpresa com minha presença ali. Convidou-me ao seu quarto e eu fui como cão que segue o dono. Ela estava estranha. Veio para cima de mim com sede de beijos e procurou por meu corpo como quem procura por carne para saciar a fome. E eu ingenuamente me deixei envolver. Ainda sentia saudade do momento que tivemos juntos anteriormente…

Então quanto toquei seu corpo frio e senti seu beijo vazio, compreendi que não era mais a minha Sara. Era apenas um corpo e tudo que ela havia me dito era verdade. Sara estava morta, por isso o medalhão me pertencia, porque assim como Sara, sua verdade agora só existia em minha pele…

Desesperado, abandonei tudo, peguei o pouco que tinha e me perdi pelos diversos caminhos de Antares…

 

>> continua…

Deusa Brigith

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Bridge of Wings – Where He Waits
Art by. Stephanie Pui-Mun Law

Antes de falar da Deusa Brigith, quero aqui falar da complexidade existente acerca das deusas Célticas, para ser uma Deusa na antiga tradição celta, a mulher deveria ser Mãe, protetora de seus filhos, preocupada com todos os membros de sua tribo e acima de tudo, ser capaz de ensinar e transmitir sabedoria…

Algo totalmente diferente por exemplo, das Deusas Romanas, Gregas ou Egípcias – as Deusas Celtas são parte integrante da vida comum deles, estão representadas pelos elementos naturais: terra, água, fogo e ar – não são imortais, cometem erros e são humanas…

Brigith também conhecida por Brigith, Bríde, Bridget, Briid é uma Deusa muito popular na Irlanda, cultuada em todos os territórios onde os celtas se instalaram.

A palavra "Brig", em irlandês arcaico, significa força, poder. Segundo, alguns filósofos, tal correlação pode estar por detrás da existência de guerreiros chamados Brigands ou "soldados de Brighid".

Os brigantes eram uma confederação de tribos celtas que se instalou na Armórica (França) Grã-Bretanha e no sul da Irlanda… O nome dessa tribo deriva da Deusa Brigantia, que é aparentemente mais uma variação do nome Brighid. Na Gália, a Deusa Brigindo é outra faceta desta deidade, enquanto que Brigantia é o nome original das cidades de Bragança em Portugal e de La Coruña na Galícia (Espanha).

Mas é na Irlanda que encontramos os mais importantes elementos da Deusa Brigith.

 

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Brighith, que significa "luminosa"é uma Deusa tríplice do fogo da inspiração, da ferraria, da poesia, da cura e da adivinhação.

As funções atribuídas a ela são triplas, correspondentes às três classes da sociedade indo-européia:

- Deusa da inspiração e da poesia – Classe Sacerdotal.

- Protetora dos reis e dos guerreiros – Classe Guerreira

- Deusa das técnicas – Classe de artesãos, pastores e agricultores

Brighith pertence a famosa tribo dos Tuatha De Danann, sendo filha de Dagda que é líder e o grande Pai conhecido como o Poderoso do Conhecimento. Ele é o mestre da vida e da morte.

Há diversas lendas acerca de Brigith, em uma delas Brigith é a esposa de Tuireann, com quem teve três filhos (Brian, Iuchar e Iucharba), que posteriormente matam Cían, o pai de Lugh.

Outra lenda nos diz que Brigith tinha como marido Bres, o malfadado líder dos Tuatha De Danann. Dessa união nasce Rúadan, o qual morre em combate na Segunda Batalha de Moytura. Ao encontrá-lo sem vida, ela lamenta sua morte em uma tradição que viria a ser conhecida como "keening” (irlandês-caoineach), e que ainda hoje é preservada nas áreas rurais da Irlanda.

Os "keenings’ eram lamentos emitidos por mulheres face ao falecimento de um membro da família ou da comunidade. Se constituíam em choros pungentes, quase bestiais, descritos por observadores como o som de "um grande número de demônios infernais".

Como Deusa, Brigith esta vinculada com a inspiração e a criatividade – na tradição Britânica dos Druidas ela é conhecida como a "Deusa dos Bardos", por ser quem inspirava os grandes sacerdotes.

Brigith também é considerada a guardiã do "Awen", o sopro de seu pai (Dagda), ou a "consciência da inspiração" a qual poucos tem acesso.

Brigith esta associada a cura e as ervas, por isso é considerada uma bruxa, uma vez que as bruxas sempre possuíram tal conhecimento. Enquanto guerreira, ela afugentava as tropas inimigas de qualquer exército quando era invocada. Os Celtas, antes de suas batalhas lançavam gritos selvagens e ininteligíveis com o propósito de amedrontar os adversários que pensavam estar diante de Brigith.

Lady Gregogy, em "Gods an Fighting Men", diz dela:

" Brigith… Era uma poeta, e os poetas a adoravam, pois seu domínio era muito grande e muito nobre. E, era assim mesmo, uma curadora, e realiza trabalhos de ferreiro. Foi ela quem deu o primeiro assobio para chamar-se uns aos outros no meio da noite. Um lado de seu rosto era feio, porém o outro muito belo. E, o significado de seu nome era Breo-saighit: “flecha de fogo".

Seus símbolos são a haste e a roca de fiar, a chama sagrada, a espiral, o triskle, o torc, o pote de fogo e seus sapatos de latão.

No ano de 450, Brigith foi transformada em Santa Brígida pelo cristianismo que não conseguia impedir o culto a Deusa pagã. A biografia dessa santa foi escrita por Cogitosus – que credita a data da morte da santa cristã ao dia 01 de fevereiro, data está em que era comemorado o Festival do Fogo em homenagem a Deusa pagã.

A história da Santa Brigida é na verdade cheia de contradições, uma vez que boa parte de sua biografia é baseada na história da Deusa e alguns elementos que são facilmente compreendidos a partir do paganismo, torna-se estranhos para os fundamentos cristão…

Lunna

Minha maior desgraça é minha única verdade…

Décimo Quarto Capítulo

Eu e minha bela Sara voltamos ao Castelo da Luz que estava um tanto sombrio, já não tinha mais a beleza que um dia meus olhos tinham “fotografado” – Sara dizia ser um sinal de que tudo estava mudando e não havia nada que pudéssemos fazer quanto a isso… E eu seguia não acreditando em suas palavras:

_ O seu destino não será tão fácil meu caro Peter… A verdade é que me veras em todos os cantos, ao lado de outro e não serei eu, mas pensaras o contrário. Então virás ao meu encontro e só saberás que não sou eu quando sentir o gosto de minha pele na tua boca. A verdade estará ao teu alcance e teu ódio será tua perdição. A sua descrença o levará ao inferno de sua existência… Tu saberás então de minha morte culpar-se-à por não ter acreditado em mim. Você irá vagar sem destino algum durante muito tempo, tentará negar sua origem, sua verdade, a minha verdade. Mas não poderá fugir por todo o sempre…  Então, depois de tudo isso, tentarás desesperadamente acreditar e irá ao encontro das outras que virão depois de mim… Mas só o fará para tentar se salvar ou em outrora para tentar trazer-me de volta para ti. Eu voltarei, como todas as que forem mortas também voltarão… Mas será outro tempo e o que hoje é verdade será lenda para os outros… 

Ela tinha razão, eu não conseguia acreditar em tudo que ela dizia. Era demais pra mim. Então eu vi Sara se despir de suas vestimentas bem ali na minha frente e pude observar toda a beleza daquele corpo nu. Como eu a desejava, queria sentir o calor de sua pele, o sabor de sua boca – têm-la para mim seria minha maior conquista, era o que eu pensava e sentia  naquele momento. Sem cerimônia alguma, eu a tomei em meus braços… Sufocando-a com meus beijos ardentes, rasgando o véu de sua pureza, percorrendo o seu corpo com minha boca como quem degusta o mais doce mel divino. Amá-la foi meu maior pecado… A lembrança daquele momento ainda percorre meu corpo e depois de tanto tempo, eu ainda sinto a doçura de sua pele em minhas mãos, o sabor dos seus lábios em minha boca, o calor de sua pele se equacionando ao meu num momento único que bem poderia se encerrar ali, mas para quem nutre no corpo a eternidade, momentos assim não deveriam existir porque ferem feito navalha afiada a rasgar a pele constantemente…

Ela foi minha e só então eu soube o que significava realmente aquele momento pra ela – Sara se entregara a mim para que sua arte fosse minha e não de outro. Ela de fato podia ver o futuro e como era doloroso ter tais visões… Hoje eu sei disso, mas levou tanto tempo para que eu acreditasse em tudo que passei a ver a partir daquele dia, durante muito tempo eu não conseguia distinguir o que era verdade do que era ilusão, o que era futuro do que era presente…

Ela com sua voz tranquila e sua mão delicada, tocou meu rosto e em seguida vestiu-se para deixar-me. Eu quis ir com ela, mas ela não permitiu. Ela sabia qual era o seu destino e estava disposta a ir ao encontro dele:

_ Perdoe-me se um dia for capaz!

Naquele instante, aquelas palavras não fizeram sentido, pois eu ainda não sabia ao certo o que havia me acontecido. Era a segunda vez que algo estranho acontecia comigo. Mas nesta segunda vez foi muito mais difícil, pois eu senti meu corpo rasgar-se ao meio…

 

>> continua…

Atividades para Imbolc…

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Bom dia…
Hoje vou falar sobre as atividades que podemos fazer em Imbolc… Esse é um Festival do Fogo, por isso há diversas atividades que podem ser feitas no dia desse Ritual, algumas delas são bem simples, consistem apenas em acender velas em todas as janelas da casa, limpar e purificar o seu altar e seus instrumentos mágicos…

Para aqueles que desejam iniciar-se nessa arte, esse é um dos melhores momentos do ano. É preciso entender que para se iniciar no paganismo, não basta dizer eu quero. Deve existir um comprometimento de sua parte em aprender um pouco sobre os muitos mistérios da natureza. Para tal, existe um ritual de dedicação, no qual o interessado se compromete a dedicar-se a aprender os mistérios da arte durante 13 luas. É nesse período de aprendizado que descobrimos coisas significativas na arte, como por exemplo: descobrir qual panteão você irá seguir durante os seus estudos: Panteão Celta, Grego, Egípcio ou outro…

A escolha do panteão deve ser feita a partir da sua sensibilidade que vai levar você a identificar as características de um determinado grupo de Deuses que lhe agrada. Eu por exemplo, tenho uma identificação mais direta para com o Panteão Celta e meus rituais são todos feitos a Deusas e Deuses Celtas.

Outra atividade interessante para esse ritual é a dança das vassouras, que é feita em círculo. Foi por causa dessa atividade que passou-se a dizer que as bruxas voam em vassouras (e tudo isso em asas, rs).

A dança das vassouras é feita no dia de Imbolc e apenas as bruxas podem participar. Todas ficam em circulam e fazem a limpeza astral enquanto dançam. É um ritual muito forte que mexe com a energia do universo. Então é preciso muita atenção ao praticá-lo e é preciso lembrar que esta não é uma atividade para ser feita de forma solitária…

Outras atividades sugeridas para o dia de Imbolc são:

- queimar todos os enfeites de Yule, simbolizando a despedida do tempo do inverno.
- fazer uma cama de Brigith
- fazer uma roda de velas
- confeccionar uma cruz de Brigith
- colocar 03 sementes de milho na porta de entrada da casa e deixar lá até o ritual de Ostara, quando o mesmo deve ser queimado.
- fazer travesseiros de sonho
- Acender uma vela em cada janela da casa. Começar no pôr-do-sol do dia de Imbolc e continuar até o nascer do Sol do dia seguinte.
- consagrar 13 velas vermelhas para serem usadas durante o decorrer do ano em feitiços e sortilégios.
- colher pedras para serem usadas em Círculos Mágicos.
- acender uma vela em cada janela da casa. Começar com o crepúsculo do dia de Imbolc e continuar até a Aurora do dia seguinte.
- Fazer uma Mãe do Milho (Cor Mother).

Abraços a todos e bom final de semana
Francy´s

Cuidado com o que deseja…

Décimo Terceiro Capítulo

Hoje trouxeram mais um corpo e lançaram nas valas mal feitas com o descaso de quem joga fora algo que não serve para nada. Poderiam pelo menos dar-se ao trabalho de queimar os corpos…

Mas preciso me ater as minhas lembranças, não posso distrair-me com esses desgraçados… Lembro-me que Sara veio até mim repentinamente feito tempestade que varre a tarde e arrastou-me para longe. Caminhamos sem destino aparente, ao menos era o que eu pensava, mas eu quis parar, queria saber para onde estava indo:

_ Precisamos seguir porque o mal começou a caminhar entre nós há pouco. Não há nada que possamos fazer para impedir isso, mas há outras coisas que podemos impedir. Peter, “alguém em nosso vilarejo irá nos trair ao desejar algo que não deveria ser seu”…

Hoje eu sei que Sara se referia a Louise, a irmã mais velha de Marie. Ela era apaixonada pelo pretendente de sua irmã, o Conde Sebastian. Um homem elegante, amável e admirado por muitos. Lembro-me de têm-lo conhecido assim que cheguei ao vilarejo, a casa que me foi dada de presente era dele, assim como era dele muitas terras nos arredores… Sebastian também era um excelente jogador de pedras e alguém que conhecia muitas histórias de Antares. Eu mesmo passei a admirá-lo depois de muito ouvir suas histórias.

A jovem Louise que se achava encantadora e irresistível não se conformava em saber que aquele homem, dono de tantas terras nas redondezas tinha escolhido sua irmã sem graça e não ela que era bela e fogosa. Então Louise desejou ter o que julgava ser seu por direitos. Ela caminhou até um dos muitos lados sombrios de Antares, que onde segundo a lenda, os desejos poderiam ser alcançados e ela desejou fortemente que o Conde Sebastian fosse seu e não de sua irmã.

Então, durante o caminho de volta, um belo rapaz apresentou-se a ela. Seu rosto era encantador, seu sorriso ardiloso e seu toque era muito envolvente. Ela o desejaria também se já não desejasse ardentemente o que era de sua irmã:

_ Então és tu quem ousa desejar o que não lhe pertence?
_ Como posso eu desejar o que não pertence? Se desejo é porque deve ser meu, estou enganada por acaso?
_ Claro que não minha bela, mas para ter o que tanto desejas, deverá trazê-lo até mim e eu farei com que ele seja seu por toda a eternidade… Mas saiba que devo ser recompensado por isso…
_ O que desejas? É só me dizer… A jovem Louise movimentou-se em sua inquietude, oferecendo seu corpo a ele como forma de recompensa, mas ele não a queria. De fato ela era bela, mas ele sabia pelo cheiro de seu corpo que ela já havia sido de muitos. Ele caminhava ao seu redor, apreciando sua pele macia – para saciar a sede que tinha, ela serviria, mas ele queria mais, queria saciar os muitos desejos que nutria em sua pele e para tal, ele poderia ali mesmo, rasgar as vestes da dama, mas por enquanto, apenas pensar nisso já o satisfazia: 

_ Quero aquela que o Conde escolheu, deverá levá-la até mim e oferecê-la como recompensa… Não se demore, pois posso desistir de dar a você o que tanto quer…

Ardilosa, Louise atraiu sua irmã e o Conde para o local combinado como pretexto de dar a eles um presente pelo casamento. Era uma emboscada. Sebastian foi mortalmente atacado e sua irmã Louise foi levada embora em meio a gritos e uma forte luta travada para libertar-se das mãos daquele ser que a dominava com estranha facilidade. Ele tinha na face o sangue do Conde que parecia ser o néctar dos Deuses para ele que simplesmente desapareceu deixando Louise em polvorosa, pois pensou por um instante que o seu Conde estava morto, mas não estava.

Os homens do vilarejo vieram em seu socorro depois de saberem o que tinha acontecido através de Louise que contou a eles uma verdade inventada… Levou várias luas para que ele se recuperasse e quando isso aconteceu, o Conde não era mais o homem que todos admiravam, tão pouco o vilarejo seria como era antes… Mas o desejo de Louise aconteceu, o Conde casou-se com ela em meio a uma grande festa na Lua Cheia seguinte…

>> continue…

A primeira lembrança…

Décimo Segundo Capítulo

Tudo começou no alto desta colina quando finalmente abracei meu destino e soube que eu deveria ocupar o lugar daquele que até então era o meu Senhor e minha lei – demorou anos para que eu entendesse e outros mais até que eu aceitasse a minha verdade.

Caminhei por muitos lugares até encontrar um lugarejo que serviu-me de pouso definitivo, mal sabia eu o motivo pelo qual aquele lugar chamava por mim… Foi lá que eu conheci uma jovem menina de nome poético tão bela quanto a luz do sol, Sara…

Ela vinha todas as manhãs me trazer frutas e sorria com a alma e com a pele que era deliciosamente perfumada. Eu soube quem ela era antes mesmo que dissesse, porque meu corpo todo se apresentou a ela sem cerimônia alguma. Meu coração disparou feito um animal selvagem que corre pelo campo atrás de sua presa. Senti a natureza mais íntima do meu despertar ali, diante dela…

O pai daquela jovem veio até mim e disse que sua menina teria imenso prazer de cuidar de minha casa, mas eu não tinha nada ou pensava não ter. O povo daquele pequeno vilarejo presenteou-me com um casebre agradável de madeira onde eu poderia passar meus dias e ser feliz com Sara, foi o que eu pensei quando passei pela porta daquele lugar, mas meu destino não seria tão gentil assim…

Sara e eu andávamos por todos os lugares daquele vilarejo, conheci as mais belas paisagens que aquele lugar dispunha para nossos olhos. Bebi da água da fonte, comi frutas e folhas deliciosas, adormeci em meio a relva perfumada e acordei com a risada de Sara que conversava com um enorme pássaro:

_ Ele está me dizendo que você precisa voltar para o lugar de onde veio antes que o véu do planeta seja rasgado…
_ Do que está falando?
_ Do nosso destino… Os pássaros de Antares sabem de tudo que irá acontecer, assim como eu. As vezes quero fechar os olhos, mas temo porque sempre que eu o faço, vejo Antares como não desejo ver. O mal deseja destruir o equilíbrio que ainda existe em nosso planeta, quer ser mais forte, esse é seu maior desejo e para conseguir isso, eles farão qualquer coisas: é tão triste ver tudo isso…
_ Então pare…
_ Não posso, assim como você não pode evitar seu destino. Você fugiu, mas olha onde veio parar… Não existe fuga possível. É o nosso destino, eu deveria encontra-lo e você deveria me encontrar. Posso dizer tudo que sentiu quando viu a mim pela primeira vez e posso dizer-te tudo que senti quando o vi chegando em nosso vilarejo. A cada dia que acordava e não via acontecer aquela cena, eu me acalmava, pensando estar enganada, mas então você chegou, exatamente como eu sempre via… Não entenda mal, estou feliz por encontrá-lo, mas estar aqui, significa que tudo mais também irá acontecer… Entende?
_ Não…
_ Mas deve entender, tente, se esforce porque não temos muito tempo…

Como algumas palavras de Sara eram estranhas pra mim, não fazia muito sentido naquele “tempo”… Novamente sinto-me cansado, mas foi muito bom “rever” minha bela Sara, sua imagem se mantêm lúcida e tão agradável, chego a sentir seu perfume de flor e quase consigo tocar sua pele macia…

Continuarei depois, preciso recolher-me um pouco!

>>continua…

Quanto vale um livro?

Era hora de dar um salto na vida
Escolheu a janela do décimo andar
Samir Mesquita em dois palitos (é só clicar para ler)

livro

Navegando pela net me deparei essa semana com o site de um jovem escritor chamado Samir Mesquita, e para minha surpresa, ele oferece seu livro no site, mas não está a venda e sim disponível para troca…

O livro 18:30 trata do caos no trânsito das grandes cidades e ao abrí-lo, você descobre um mapa com poemas e pensatas sobre o trânsito das cidades…

Então, depois de ouvir atentamente uma conversa entre duas escritoras na mesa da cozinha na semana passada onde elas diziam com ênfase e um tom claro de lamentação “eu acho que levaram muito a sério aquela história de nascer, crescer, tem um filho, plantar uma árvore e escrever um livro”. Diziam isso ao reclamar que todo mundo hoje publica livros e não faz pesquisa, não se preocupa com a qualidade final do material produzido e há uma pressa insuportável em se fazer sucesso com as palavras publicadas.

Anterior a isso, tinha lido sobre alguns autores que estão optando pelos livros artesanais (feitos individualmente – um a um e bem distante das gráficas) e o preço varia de R$ 15 a R$ 150,00 reais – sempre de acordo com o material utilizado, capas diferentes uma da outra e pequenos detalhes que fazem a diferença…

Outra novidade no universo da escrita são os e-books que podem ser baixados gratuitamente em diversos sites e nesse quesito há diversos livros, mas requer um leitor especial: os leitores digitais…

E o tema desse post surgiu justamente porque fiquei a pensar no quanto vale um livro para seus autores? Afinal, acompanho de perto o trabalho que dá criar personagens, encontrar o ritmo que seja perfeito para eles, pesquisar as possibilidades, elaborar um roteiro e seguí-lo de forma lógica de forma que conquiste a nós leitores…

Então me diga você, quanto vale um livro pra você?

Grande abraço
Marco

O diário de Peter…

a lenda Décimo Primeiro Capítulo

 

Alguns séculos depois…

Sem data, pois depois há tempos que não faço idéia de quanto tempo se passou depois que tudo aconteceu…

Estou exausto e tenho medo, mas não sei exatamente o que temo, pois minha vida não pode ser arrancada de mim, por mais que seja isso que eu deseje há tempos. Já estou aqui nessas catacumbas há tempo demais e sei que aqui não serei visitado por aquele que deveria me enfrentar e ocupar meu lugar. Minhas forças estão no fim e aos poucos começo a esquecer o que me aconteceu ao longo de todos esses anos e isso é algo que não pode permitir que aconteça, minha memória servirá de guia para aquele que vier depois de mim…

Eu estou sozinho aqui nessas catacumbas e tenho por companhia os restos mortais daqueles que ajudaram a mudar a história de Antares. Cada vala dessa leva o corpo de um homem que ajudou a impor um destino negro a Antares. Quando lembro do que fizeram a minha bela Sara, revolto-me…

Eu nunca pensei que pessoas fossem capazes de atos tão desprezíveis e nós chamávamos de Bestas aqueles seres que matavam apenas para se alimentarem. O que somos nós então? Matamos aquele que chamamos de inimigo com uma facilidade abominável. Tratamos nossos iguais com desprezo e repúdio e escondemos a verdade nas “catacumbas santas” que é a morada do Deus que eles criaram para nos proteger dos demônios, que na verdade, são eles mesmos…

Há tempos que não vejo a luz do dia e penso que já nem sei mais como de fato ela é. Então lembro-me do dia que minha bela Sarah desenhou para mim a premissa de um pôr do sol e eu não lhe dei atenção, como me faz falta aquele belo desenho com o qual eu viria a ficar encantado muito tempo depois… Disse-me ela com sua sensibilidade sutil “estarás sozinho quando esse desenho ganhar forma e desejará nunca mais estar, então sua pele te causará temor por saber que durante séculos só terá a solidão e nada mais”. E eu disse a ela que eu sempre a teria comigo e a beijei intensamente ali, no ponto mais alto de Antares onde ela foi minha pela primeira e última vez…

Preciso repousar um pouco, como pesa esta pena, agora mais que nunca eu entendo o homem que esperava por mim no alto daquela colina que tornou-se meu sepulcro eterno…

Continuarei mais tarde, assim que eu recuperar um pouco de minhas forças.
Peter

 

>> continua…

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