O povo de Antares…

Décimo Capítulo

Apenas se os deuses querem
Ser homens, nós os cantemos.
E à soga do mesmo carro,
Com os aguilhões que nos ferem,
Nós também lhes demonstremos
Que são mortais e de barro.

Miguel Torga, in ‘Nihil Sibi’

Com o passar dos dias – muita coisa tornou-se Lenda em Antares e ficou difícil saber o que era fato real. As Sombras que se aproveitavam de corpos também ganharam o status de lenda, assim como as divindades que foram por alguns esquecidas… As próprias bestas cairam no conceito comum e como quase não eram mais vistas, também viraram lendas contadas pelos mais velhos que já não tinham mais o mesmo respeito de antes. Eram fracos, atrapalhavam a evolução e facilmente eram abandonados, pois era preciso alimentar os mais jovens que eram fortes e poderiam contribuir para com o avanço da espécie.

As mulheres também foram sendo ignoradas e muitos não davam mais atenção aos seus dizeres proféticos. O preço pago por tamanha ousadia não seria apreciado imediatamente, afinal, tudo acontece a contento…

A espécie humana, aos poucos, começava a exibir superioridade em força e intelecto. Eram realmente capazes de grandes feitos, uns mais que os outros e não demorou para surgir a lei do mais forte dentre aqueles povos. Havia muita coisa misteriosa por trás de cada atitude humana e como tudo era parte integrante de “uma lenda”, os créditos eram dados a própria evolução da espécie…

Não demorou para que um castelo fosse erguido e um Rei fosse encontrado graças a uma nova mística criada entre aquela gente que pouco sabia de si mesmo. “O herdeiro do trono de Antares será aquele que tiver a marca dos Deuses”… Disseram, porque os Deuses ainda eram citados sempre que necessário… E mesmo aqueles que discordavam de tais dizeres, preferiam abaixar a cabeça e concordar para não ser expulso do convívio comum…

O Rei deveria ser amado e idolatrado e em nome dele tudo passou a ser feito. Ele teve o direito de escolher dentre todas as mulheres de seu povo, a sua senhora. Aquela que deveria respeitá-lo e dar a ele um herdeiro, que receberia sua coroa e seu legado… Não levou-se em consideração a vontade da jovem escolhida, nem mesmo seus sentimentos. Importou apenas o interesse do homem que usava na cabeça uma coroa de pedras brilhantes e metal precioso…

Muitas mulheres simplesmente se afastaram e seguiram diferentes direções, o que serviu para gerar novos povos, novos costumes, diferentes culturas e outras muitas lendas…

Uma terra com vários Reis e novas marcações que não demorou a receber a alcunha de “fronteiras”. Um passo dado para fora das divisas criadas e uma guerra seria criada… As cercas se levantaram rapidamente, muito sangue foi derramado e eis que chegou o momento de uma lenda que ainda não havia sido contada por ninguém até aquele momento em Antares fazer valer sua força…

As filhas dos Deuses, cada uma em sua direção, recebeu o poder que a elas fora dado como presente… Começava assim a se definir o véu da superfície de Antares…

>> continua em janeiro…

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Sobre Marco Antonio

Engenheiro por formação, artesão por definição. Um praticante dedicado das boas coisas da vida...

2 Responses to “O povo de Antares…”

  1. katia says :

    Amei de mais a história
    Agora vai começar a outra quando ? Pois ja estamos em fevereiro de 2011

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  1. O Alto da Colina… « A Casa do Mago - 04/01/2010

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