Herança maldita…
Oitavo Capítulo
(…)
Mas não! O veneno e o punhal
Disseram-me de ar zombeiro
“Ninguém te livrará afinal
De teu maldito cativeiro
Charles Baudelaire

Uma anciã que vivia sozinha perto daquele lago encontrou o corpinho do menino abandonado e logo pensou que sua mãe teria sido morta por uma daquelas bestas que viviam por todos os cantos…
Como não tinha filhos, ela adotou a criança que não crescia, não tinha forças, mal conseguia levar o alimento até a boca, andar era uma tarefa tão difícil quanto continuar vivendo. Ele tinha feridas que nunca se fechavam, nem mesmo com as ervas que sempre funcionavam…
Ela não suportava vê-lo assim, tão fragilizado. Tinha medo de que a qualquer momento ele não suportasse mais tanta dor. Se sofria (e de certo isso acontecia) ele nada dizia. Seus olhos eram tão opacos. não tinha o brilho comum que a maioria dos olhos humanos que ela conhecia, tinha… As vezes, ela mesma pensava em por fim aquela vida, mas não tinha coragem…
Certo dia, ela cortou-se ao fazer algumas tarefas e sem querer seu sangue escorreu sobre o menino que pareceu ser capaz de farejar aquele líquido avermelhado, ainda quente que ele sugou de sua pele com enorme vontade. Foi como despertar um animal selvagem: ele avançou sobre o braço ferido da mulher, sugando todo o sangue de seu corpo…
Rapidamente seu corpo desenvolveu-se, o menino fez-se homem, sua pele cicatrizou-se, seus cabelos cresceram… Estava forte, mas abrigava em sua mente a falta de compreensão de um menino. Tentou falar com a anciã, mas ela não respondia. Estava morta e sua compreensão era pouca naquele sentido.
Estava sozinho e naquele planeta inteiro não havia absolutamente ninguém igual a ele. Como qualquer humano, ele precisava ver, acompanhar, presenciar atos, movimentos para repetí-los, mas estava ali, ao lado de um corpo frio, cuja vida havia sido tirada por ele…
Diante da confusão sentida na pele, na alma e na mente, ele apenas fechou os olhos e adormeceu por algum tempo, como qualquer menino faria, só que ele não era mais um menino…



Um vampiro???
Quais surpresas nos aguardam nesta estória. Estou super curiosa, Lunna.
Beijos