O filho das “sombras”…
Sétimo Capítulo
(…)
Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;
Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam – se o fazem – não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como os homens ocos
Os homens empalhados.
T.S.Elliot

Todas as sombras reuniram-se ao pé do carvalho para discutir o que poderiam fazer com aquela novidade. Muitas idéias surgiram, mas a única aceita era também a mais cruel de todas elas. Eles pretendiam enganar os pais de quatro crianças e se aproveitar de um acontecimento raro para transformá-los em herdeiros de seus poderes, conseguindo assim que eles fossem um passo a frente:
_ Acredita mesmo que isso irá funcionar?
_ Claro que sim. Estou atenta a energia desse planeta. Quando o sol está de um lado e a lua do outro, formando uma espécie de linha, alguma coisa acontece nesse planeta e com a chama negra também, ela se intensifica… Então acredito eu que as invocações corretas, conseguiremos fazer com que essas crianças recém nascidas sejam nossas herdeiras…
_ Perfeito… Então que assim seja…
Mas não foi fácil iludir a mãe das crianças que não acreditava que um Deus fosse capaz de pedir tamanho sacrifício a uma mulher. Contudo, foi bem simples convencer os homens da grandeza desse feito. Eles sentiam-se orgulhosos diante da possibilidade de um filho seu ser o escolhido para honrá-los junto aos Deuses e no dia do nascimento dos escolhidos, sem que as mulheres soubessem, eles pegaram os bebês e os levaram até a chama negra para serem sacrificados em nome dos Deuses…
Mas tão logo as mães das crianças perceberam o que estava acontecendo, deram um grito tão alto que toda a natureza alarmou-se enviando aves de rapinas para recuperar os bebês, mas apenas três deles foram recuperados… A mãe de um deles havia falecido e não havia quem gritasse por ele e o pai, munido de um orgulho vergonhoso entregou o próprio filho a Targus que cortou a frágil pele do menino com uma adaga quente fazendo-o sangrar… O sangue do pequenino pingou gota a gota sobre a chama que ardia intensamente como se estivesse assim, sendo alimentada…
Por fim, rasgaram a garganta do homem que deu a eles um herdeiro e o menino foi alimentado com o sangue do próprio pai para em seguida ser entregue a chama que não o queimaria, pois lua e sol encontravam-se alinhados, como se estivessem olhando um para o outro.
O menino fora entregue a Targus que tentou criá-lo, mas o herdeiro da sombras não parecia ter herdado poder algum. Seu corpo era frágil demais, ele vivia doente, tinha dificuldade para respirar, não crescia e sua cor era sempre a mesma: pálida… Tudo isso deixou Targus indignado, afinal, alguém tão frágil não seria páreo para as filhas dos Deuses…
E como não tinha utilidade, o jovem menino fora abandonado nas águas escuras do lado sul para morrer. Mas o destino daquele menino já estava traçado e as águas sabiam disso, por isso ajudaram-no, deixando o corpo fragilizado dele junto a uma margem onde seria facilmente encontrado. E assim o foi…
2 Responses to “O filho das “sombras”…”
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- - 31/12/2009



Lunna!
Amo este poema!
As aparências enganam e aposto como este menino frágil será a mais forte das 4 crianças. Targus vai se arrepender. lol
Adorando, viu?
Beijos