A força das “sombras”…
Sexto Capítulo
Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.
(…)
T.S.Elliot
Targus estava conseguindo seus objetivos rapidamente. Não era tarefa difícil convencer aqueles “tolos” humanos, bastava oferecer algo a eles e rapidamente estavam eles a disposição. Não demorou para que seus “amigos” estivessem na mesma condição que ele e aos poucos foram conquistando espaço naquela realidade. Eles eram ferozes, bravos, dominavam algumas artes desconhecidas até então. Construíam facilmente suas próprias armas que fazia o corpo do inimigo sangrar até a morte… Eles não respeitavam o espaço, não temiam os tais espíritos e não negociavam: só sobreviviam aqueles que se rendiam e serviam a eles como escravos…
Mas ao invadir uma vila tiveram muito trabalho para conseguir dizimá-los e ainda assim houve quem conseguisse escapar da fúria daqueles seres cuja força parecia crescer após cada nova batalha vencida.
Ali, souberam da existência de uma mulher que havia avisado a todos da chegada dos “invasores de corpos” e toda a vila se preparou. Muitos morreram, mas alguns sobreviveram. Dentre eles estava Peter, um jovem que trazia nas costas uma marca de nascença. A anciã acreditava que ele era predestinado, mas nunca teve coragem de dizer a ele qual seria seu verdadeiro destino, só repetia constantemente que ele precisaria ser forte…
A anciã foi presa e torturada várias vezes por Targus. Mas ela nada dizia, apenas exibia aquele sorriso desagradável que deixava-o muito irritado:
_ Diga-me o que quero saber ou irás morrer…
_ Não temo a morte e tão pouco temo a você. Já fostes derrotado uma vez e novamente o será, mas não será hoje e tão pouco amanhã. Pensa estar vencendo, mas está sendo derrotado e quando pensar que tudo está como você sempre desejou, esse será o seu fim…
_ Tola. Eu sei em que acreditas e esteja certa de que a sua fé não a manterá viva… Vocês são todos tolos e eu serei o senhor supremo de todos vocês. Aquele a quem vocês chamam de Deus irá sangrar até a morte nas minhas mãos e dessa vez não haverá ninguém para salvá-lo porque primeiro eu irei atrás dela e a obrigarei a dar-me um filho que será invencível….
E a gargalhada da anciã o incomodou de tal forma que Targus grudou as mãos no pescoço dela, impedindo-a de respirar e ela veio a falecer:
_ Acho que sei do que ela estava rindo meu senhor. Matei um humano há pouco que disse-me com todas as letras que as filhas dos Deuses irão salvá-los…
_ O que? Targus estava perplexo. Não era possível tal coisa, pensava ele, enquanto buscava uma resposta a sua volta. Sentiu o sangue daquele corpo ferver e um ódio tomou conta dele de forma intensa. Ele queria rasgar a garganta daquele corpo a sua frente, mas lembrou-se que precisaria de todos os homens de seu exercito a disposição, não poderia haver perdas: _ Desgraçada, quem ela pensa que é? Sempre me antecipando. Eu vou me sentir muito feliz no dia em que eu assistir aquela Voira sangrar até o fim…
_ Mas o que iremos fazer meu senhor? E se for mesmo verdade? E se eles tiveram filhas…
_ Tudo bem, não tem problema porque nós vamos caçar e matar todas as crianças recém nascidas…
_ Isso não é aconselhável Targus. Lembre-se que há poucas dessas criaturas por aí e iremos precisar de seus corpos ou muitos de nós continuarão naquela condição indesejável… De nada adiantará você e alguns de nós ter corpos e a maioria continuar sendo apenas sombras.
_ Você tem razão… Então faremos o mesmo. Teremos os nossos filhos que irão destruir as filhas do Guardião…
_ Não podemos, não temos o dom da continuidade, lembra-se? Foi tirado de nós por aquela…
_ Não pronuncie esse maldito nome…
_ Eu sei, me causa asco também. Mas graças a ela, as sombras não podem se reproduzir e esse corpo no qual habitamos também não, já que ele não está completamente vivo. Retiramos a alma que é dele por direito. Poderá usá-lo, mas não poderá tirar proveito disso…
_ Temos que encontrar um meio ou estaremos em desvantagem e de nada terá adiantado conseguir um corpo.
2 Responses to “A força das “sombras”…”
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- - 31/12/2009



Adoro esse tipo de história. Descobri só agora, mas ainda bem que estava nocomeço e foi fácil achar os capítulos aqui. Muito legal, parece jogo de rpg.