As quatro direções de Antares…
Quarto Capítulo
Existem quatro elementos… Dos quais todos os corpos inferiores são compostos; não empilhados uns por cima dos outros, mas por transmutação e união; e quando são destruídos, dividem-se em elementos. Pois não existem elementos puros, mas sim mais ou menos misturados, e susceptíveis de serem transformados uns nos outros… É esta a origem e fundamento de todos os corpos, naturezas, virtudes e trabalhos maravilhosos; e aquele que conhecer estas qualidades dos elementos, e as suas misturas, produzirá coisas maravilhosas e espantosas e será perfeito na arte da magia.
Cornelius Agrippa

O Guardião voltou cabisbaixo de seu jogo com o Ancião das Sombras, como se buscasse ignorar seus próprios sentimentos e suas muitas certezas. Mas o vento forte passava por ele e parecia dizer em seus ouvidos “nada mais será como antes”… E ele queria acreditar que estava sendo iludido por suas desconfianças acerca daquela criatura que tantas vezes havia semeado a discórdia entre as espécies humanas e mesmo reduzido aquela forma e tendo limitações impostas a ele por Voira, ele seguia insistindo nos mesmos caminhos de antes… Aqueles caminhos que já tinha levado tantos outros planetas a destruição. As vezes ele não concordava com Voira que seguia insistindo em permitir que os humanos definissem seus destinos, afinal, cabia a ela sempre recomeçar o que tinha sido destruído por eles…
Mas seus pensamentos que começavam a tomar direções perigosas, esvairam-se diante da visão de sua amada que veio ao seu encontro. Ela já sabia que tudo estava prestes a se transformar e sua presença impediria que toda a transformação o alcançasse também. De mãos dadas, no meio da mata, olhando firmemente nos olhos um do outro, eles se amaram uma vez mais. Eram livres o amor que nutriam um pelo outro tornava possível a existência de todas as coisas vivas que habitavam aquele planeta:
_ Não se esqueça jamais meu amado que todas as coisas tem o seu devido lugar no universo. Não há verdades sem as mentiras, não há ilusão sem a realidade. É preciso existir o mal para que se conheça o bem. É preciso o fraco para que o forte exista…
_ Perdoe-me por minha breve contestação, mas por um instante, não me pareceu justo para com tua arte, para com tua criação…
_ Nâo é minha arte e nem minha criação. Não faço nada sozinha, até nisso existe equilibrio. Venha… Precisamos chegar a nossa colina…
E a lenta caminhada os levou até o alto da Colina onde eram esperados para dar inicio ao ritual. Cada qual num canto da colina lançou nas diferentes direções um símbolo colhido junto a natureza. Terra, fogo, água e ar estavam ali representados. Surgia ali, naquele momento as quatro direções de Antares: norte, sul, leste e oeste onde cada elemento faria sua morada para em breve receber as filhas dos Deuses…
Reunidas no centro da Colina, onde a força delas era ainda mais intensa, mãos dadas, olhos fechados e todos os mistérios daquelas terras foram por elas invocados. O que era quatro, tornou-se uma e esta entregou-se de corpo e alma ao Guardião que a amou intensamente. A segunda parte do ritual estava completo.
5 Responses to “As quatro direções de Antares…”
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- - 31/12/2009



Interessante, gostei da ilusão que envolve a gente durante a leitura.
É como se pudesse visualizar as figuras místicas, mágicas, envoltas em leve bruma. Estou adorando.
Muito interessante esta idéia de justaposição e alternância de elementos…lia algo sobre isto ainda hoje…num artigo sobre física quântica. Tudo acaba convergindo…
Beijos.
Gostei da História
Espero que consiga fazer outras mils Histórias como estas