Gentileza gera gentileza…
“Não é de graça, mas o preço
a ser pago no final vale a pena”…
Nos tempos modernos é cada vez mais comum a pressa, a falta de tempo, entre outras coisas que faz com que sejamos uma espécie de robô: não temos tempo para conversar com o moço da banca do jornal (o que? Tem um moço na banca onde eu compro o jornal? Nunca reparei)… Não conhecemos mais as pessoas pelo nome e nem reparamos que temos vizinhos…
Enfim, o ser humano está cada vez mais se isolando em seu cotidiano…
E para onde vamos com isso?
Eu cresci ouvindo meus pais dando bom dia as pessoas (algo raro hoje em dia). Vi minha mãe inúmeras vezes chamando o dono do Empório pelo primeiro nome, dizendo a ele como estava meu pai, eu e a família toda. O senhor da banca de jornal sabia de cor o que a gente lia em casa e reservava as nossas revistas favoritas. Lembro que ao saber que ele estava doente, ficamos sentidos e mesmo o filho substituindo-o, não era a mesma coisa… Era como se ele fosse um intruso naquela banca e sinceramente, as revistas ficaram tão sem conteúdo durante o tempo em que ele esteve doente…
E eu aprendi a dar bom dia as pessoas, mesmo sendo estranhos com os quais ocasionalmente me encontro durante uma simples caminhada… Sei o nome da caixa do mercado onde fazemos nossas compras – com a qual sempre tenho uma animada conversa as quartas-feiras (dia de compras por aqui)… Outro dia, ao passar num outro caixa ouvimos dela “então quer dizer que vocês não quiseram passar aqui comigo hoje? Então eu não quero mais conversa com vocês”. Risadas da nossa parte, da parte dela e da caixa que estava nos atendendo, que retrucou “não tem importância, eu falo com vocês”…
Eu também sei o nome de todas as pessoas das bancas onde compramos nossas frutas e legumes lá na feira. Com alguns até converso em italiano ou pelo menos tento, já que a maioria inventa um novo idioma ao tentar falar algumas palavras do idioma. Mas isso também é um excelente motivo para dar muitas gargalhadas…
Isso tudo faz muito bem a alma e a mente. São pequenos momentos que servem para uma desconstrução de nós mesmos… E o que vem a seguir é a reconstrução de nossas vilas e aldeias, é assim que surgem os versos, as frases, os personagens porque o ser humano é exatamente isso: uma constante troca, ainda que seja de um simples bom dia porque como dizia meu pai “ninguém é tão pobre que não possa dar um simples bom dia e ninguém é tão rico que não possa receber”
Resumindo: é urgente encontrar tempo no nosso dia a dia para coisas pequenas e simples que nos levam de encontro a essa porção humana que temos em nós. Nada disso é de graça, mas eu posso assegurar que o preço final compensa…
Lunna Guedes é poeta, escritora, bruxa, um pouco disso, um pouco daquilo… Escreve no blog Casa do Mago as segundas e sextas-feiras e diariamente em seu Blog Teorias Impossíveis…
Esse texto expressa pura e simplesmente a opinião do autor sobre o assunto, não se trata de uma crítica ou agressão as diversas formas de religião existentes.
Esta obra está licenciada sob uma
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Muita gente deveria ler este post para se inspirar e refletir!
Mesmo quando eu morava em São Paulo, meu comportamento era igual ao que você descreve acima, mas nem sempre havia um retorno simpático…. Há dez anos morando no interior, essa troca é constante e muitíssimo mais cordial!
Um abraço e obrigada pelo gentil comentário no Leaves of Grass.
Boa noite Lunna. Tudo bem?
Viu? Não é que a cordialidade acabou, ela só mudou de endereço e forma de se a praticar.
Eu acho…
Abraços
Marco que legal esse seu post.
Eu sou exatamente assim. Compro há anos no mesmo quitandeira, conversamos muito quando passo por lá, as criancas recebem um pirulito ou uma fatia de presunto, nos próprios mercados grandes que vou, conheco o pessoal que trabalha no caixa, falo com eles, o dono da farmácia a mesma coisa, acho isso muito importante. Parar para termos tempo para nós mesmos e para os outros.
Um abraco
Ser educado, gentil, amável com as pessoas gera uma reciprocidade tão maravilhosa, que eu ainda não entendo porque algumas pessoas não praticam isso!!!
Que os ventos de setembro cheguem até vocês com todas as energias positivas que esse mês carrega!!
Abraços e beijos pra vcs!!
Pois é, esta troca esta cada vez mais rara…é como se envolver-se com outras pessoas implicasse uma responsabilidade em relação a elas, e as pessoas não gostam de se incomodar. É uma pena, pois a troca de um sorriso, ou de uma palavra enriquece muito a vida, como você disse.
Abraços.