Archive | Maio 2009

Taliesin…

 

taliesin.jpg Para aqueles que não sabem, a poesia é considerada como sendo uma da sete artes tradicionais e para os antigos Celtas (segundo a Lu) aqueles que eram agraciados com o dom da poesia era reverenciado pelos demais, pois, acreditava-se que eles falavam a língua dos Deuses.

Um dos mais famosos poetas da língua galesa é justamente Taliesin, cuja existência é um desafio até mesmo para os mais céticos.

Diz a lenda que Taliesin inicialmente chamava-se Gwion Bach, um servo da feiticeira Ceridwen que tinha uma bela filha e um filho horrível chamado Morfran (às vezes Avagddu), cuja aparência não poderia ser curada nem por magia. Sendo assim, ela resolveu dar-lhe o dom da sabedoria em compensação.

Fazendo uso de um caldeirão mágico, Ceridwen cozinhou uma poção que daria inspiração e sabedoria por um ano e um dia. Um homem cego chamado Morda mantinha o fogo sob o caldeirão enquanto Gwion mexia o conteúdo, cuja as três primeiras gotas davam sabedoria, enquanto o resto era um veneno letal.

Três gotinhas quentes espirraram no polegar de Gwion enquanto ele mexia, queimando-o. Instintivamente, o menino levou o dedo à boca e instantaneamente ganhou grande conhecimento e sabedoria. O primeiro pensamento que lhe ocorreu foi que Ceridwen iria ficar muito brava, o que fez com que ele fugisse.

A perseguição de Ceridwen a Gwion é uma das narrativas mais importantes no universo mistico dos Celtas. Enquanto Ceridwen perseguia Gwion, ele se transformou numa lebre. Em resposta, ela virou uma raposa. Ele então virou um peixe e pulou num rio e ela transformou-se em lontra. Ele se tranformou em um pássaro e ela, em resposta, em um falcão. Finalmente, ele se transformou em um mero grão de milho e ela virou uma galinha que comeu o pequeno grão de milho. Mas ao voltar a sua forma humana, ficou grávida. Resolveu matar a criança assim que nascesse, sabendo que era Gwion, mas o bebê era tão lindo que ela não conseguiu fazer o que pretendia. Ao invés disso, jogou-o no mar envolto numa espécie de bolsa de couro. A criança não morreu e foi resgatada por um rei.

A história de Gwion e da poção da sabedoria se parece muito com o conto irlandês de Fionn mac Cumhail e o salmão da sabedoria. O que nos leva a acreditar, que ambas histórias possam ter a mesma fonte.

Ao ser encontrado por Elffin, Taliesin recitou seus primeiros versos, um belo poema:

Bom Elffin, cesse o seu lamento!
Falar em vão não faz bem a ninguém.
Não faz mal ter esperanças,
Nem nenhum homem vê o que lhe suporta,
A prece de Cynllo não é um tesouro vazio,
Nem Deus quebra suas promessas.
Nenhuma pescaria na rede de Gwyddno
Foi tão boa quanto a de hoje.
Bom Elffin, seque suas bochechas!
Tal tristeza não lhe faz bem,
Apesar de se sentir traído,
Tristeza em excesso não traz bem algum,
Muito menos duvidar dos milagres de Deus.
Apesar de ser pequeno, sou habilidoso.
Do mar e da montanha,
Das profundezas do rio,
Deus dá seus dons aos abençoados.
Elffin do espírito generoso,
Seu propósito é covarde,
Não deves ficar tão triste.
Bons agouros são melhores que maus.
Apesar de ser fraco e pequeno,
Nas ondas do mar revolto,
Serei melhor para você
Que trezentas cargas de salmão.
Elffin de nobre generosidade,
Não entristeça ante seu pescado.
Apesar de ser fraco no fundo da cesta,
Há maravilhas na minha língua.
Enquanto eu estiver cuidando de você,
Nenhuma grande necessidade há de ter.
Lembre-se do nome da Trindade
E nada te vencerá."

Maravilhado, Elffin ousou perguntar como um simples bebê poderia falar tão belos versos e foi então que ele ouviu do pequeno Taliesin:

"Flutuando como um barco nas águas,
Fui jogado numa bolsa escura,
E num mar infinito, fiquei à deriva.
Logo quando estava sufocando, tive um bom agouro,
E o mestre dos céus me libertou."

A maioria das preces Celtas são compostas de versos, rimas e suas estruturas lembram o que nós conhecemos como sendo poesias. Ainda hoje, aqueles que praticam a Grande Arte escrevem versos para homenagear a Deusa e o Deus. Eu já tive o prazer de publicar alguns versos em forma de prece aqui na Casa do Mago em posts antigos, alguns deles, escritos pela Lu que diz ser um prazer falar com os Deuses através da poesia…

Por isso, os pagãos ainda consideram a poesia como sendo um presente dos Deuses e por essa razão, eu aproveitei para trazer a poesia para a Casa do Mago.

 

Prece para a Lua Negra

Segue a marcha dos dias
Suspensa sobre a realidade alta
Nuvem vagando horizontes alheios
Janela do céu, aberta para meus olhos
E o vento soprando ilusões tão minhas!

Venha Lua, banhar-me com tua magia
Venha Lua, vestir-me com tuas fantasias

Deixa sorrir o silêncio da noite clara
Deixa florescer o segredo junto a minh´alma
Cristais de ébano
liberdade?

Eu canto em teu nome
…tu és o meu amanhã sereno
Eu sou o teu passado
Identidade que não se apaga!

 

Grande abraço
Marco

Sophia de Mello Breyner

 

image A primeira vez que eu li essa poeta portuguesa foi no blog da Lu. É uma das poetas portuguesas que ela mais lê. Em sua agenda há dúzias de versos dessa poeta e sempre nos primeiros dias de cada mês.

Eu comecei a ler os versos escritos por ela e ao digitar o nome dela no googlei, acabei indo a vários lugares. Essa foto da Sophia, eu encontrei em um blog onde descobri que a  poeta tinha falecido em 2004 e eu ainda acho estranho ler sobre a morte dos poetas porque ao ler, não há aquela sensação confortável de eternidade? Ou será isso bobagem da minha parte?

 

Poesia

Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos actos que vivi,
Mas por tudo de quanto ressoei

E em cujo amor de amor me eternizei.

Sophia de Mello Breyner Andersen nasceu no Porto, em 1919, no seio de uma família
aristocrática. A sua infância e adolescência decorreram entre Porto e Lisboa,
onde cursou Filologia Clássica. Após o casamento com o advogado
Francisco Sousa Tavares, fixou-se em Lisboa.

A linguagem poética de Sophia de Mello Breyner exibe um pouco de sua paixão pela cultura grega. Seu obra para crianças, inicialmente foi destina aos seus cinco filhos – mas rapidamente se transformou num clássico da literatura infantil em Portugal, sendo mais conhecida que sua poesia: “O rapaz de bronze” “A Fada Ariana” e “A menina do mar”.

Sophia também se ocupou de algumas traduções para o português: Claudel, Dante, Shakespeare e Eurípedes.

Eu ainda conheço pouco dessa poeta, mas mesmo assim, ela tem me proporcionado uma leitura bem interessante. Grande abraço.
Marco

Mário Quintana

image

Eu descobri Mário Quintana caminhando pelo centro velho de São Paulo, lá na praça do Patriarca. Havia por lá uma exposição organizada pelo Sesc que levava poesia para as principais praças de São Paulo…

Eu gostei do que eu li lá e acabei lendo outros escritos do Mário e até agora tem se revelado uma excelente leitura:

OS POEMAS

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

Mario Quintana – Esconderijos do Tempo

Eles passarão. Eu passarinho!"*
Mario Quintana nasceu no dia 30 de julho de 1906 na cidade de Alegrete, município dos pampas, interior do Rio Grande do Sul, vizinho à Argentina. O primeiro contato com as letras se deu por meio da revista infantil O Tico-Tico, uma das precursoras do gênero no Brasil. Em 1919, o futuro poeta foi morar em Porto Alegre, onde viveu e escreveu a vida toda. Aos 17 anos, publicou o primeiro soneto em um jornal de sua cidade natal, com o pseudônimo JB. Aos 24, Quintana tem versos publicados na Revista do Globo e no Correio do Povo. No mesma ano, após o fechamento do jornal Estado do Rio Grande - no qual era tradutor de telegramas – pelo governo de Getúlio Vargas, o poeta parte para o Rio de Janeiro, onde fica seis meses. "Foi seu período de maior e mais longo afastamento do Rio Grande do Sul", contam Luís Augusto e Sérgio Luís Fischer em Mario Quintana – Uma Vida para a Poesia. O poeta deixaria o Rio Grande do Sul apenas mais uma vez, já aos 70 anos, quando viajou para Recife e Belém.

Mario Quintana trabalhou traduzindo obras para o português até morrer, perto de completar 87 anos, no dia 05 de maio de 1994. Nesta data, milhares de pessoas acompanharam o cortejo do poeta pelas ruas de Porto Alegre, prestando a sua última homenagem a um dos maiores representantes do Modernismo brasileiro.

Entre as suas obras publicadas estão "A Rua dos Cataventos" (1940),  "Espelho Mágico" (1948), "Nova Antologia Poética" (1982)…

Um bom poema é aquele que nos dá a impressão
de que está lendo a gente … e não a gente a ele!

Mario Quintana – A vaca e o hipogrifo

Então é isso, grande abraço.
Marco

Cecília Meireles

image

 

Boa tarde, hoje eu estou escrevendo esse post entre um olhar e outro para a televisão. Eu adoro jogo de tênis e como estão transmitindo o Torneio de Roland Garros, é um olho aqui e outro lá…

Hoje eu vou falar de Cecília Meireles, uma poeta que venho conhecendo aos poucos. Aqui em casa temos vários livros dela. Como a Lu tem mania de ler poesia como quem lê receitas de bolo. Dá um estalo, ao invés de ir para a cozinha, ela vai para o livro ler determinada poesia.

Ela gosta da obsessão de Cecília pelo mar, algo que eu não tinha percebido até ela comentar sobre isso num post lá em seu antigo blog (o Acqua). Aliás, lendo um pouco dos escritos da Lu sobre a poeta, percebi que a própria biografia dela tem um pouco de poesia, vejam só:

 

"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno”.

(…) “Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."

 

Eu fique em dúvida em qual poesia escolher para esse post porque várias poesias dela me dizem alguma coisa. Então optei por aquele velho processo: livro fechado em mãos e abertura ao acaso:

Serenata

Dize-me tu, montanha dura,
onde nenhum rebanho pasce,
de que lado na terra escura
brilha o nácar de sua face.

Dize-me tu, palmeira fina,
onde nenhum pássaro canta,
em que caverna submarina
seu silêncio em corais descansa.

Dize-me tu, ó céu deserto,
dize-me tu se é muito tarde,
se a vida é longe e a dor é perto
e tudo é feito de acabar-se!

“Ou me alcança ou se perde de vez”

 

sampa 2 Geralmente as segundas quem está por aqui é a Lu, mas ela está envolvida com seus novos personagens e quando isso acontece, o mundo do lado de cá fica totalmente em segundo plano. Por isso, cá estou eu para dar continuidade a “Semana da Poesia” aqui na Casa do Mago.

O meu contato com a poesia é bem recente. Não que eu nunca tivesse lido poesia, mas era algo com o qual tinha pouco (ou nenhum) contato. Mas hoje eu tenho um contato mais direto com a poesia. Até por ter uma poeta em casa.

Isso me fez perceber que a poesia é na verdade algo bem simples e como a Lu vive dizendo “ou te alcança ou se perde de vez” e é bem isso porque já li muitos poetas que a Lu mesmo me apresentou e que não me disseram absolutamente nada. Foi como fechar cortinas e pronto. Mas há poetas que parecem dizer algo que esteve em você o tempo todo e que nunca até aquela leitura você soube o que era. A Lu diz que a poesia é um despir de emoções e parece ser isso realmente.

A Lu tem verdadeira adoração por Mário de Andrade que é um poeta paulistano. Temos alguns livros dele aqui em casa e centenas de folhas onde a Lu rabisca suas impressões sobre ele e copia (claro) seus versos ou trechos de escritos favoritos do Mário. Ela diz que aprendeu a ser paulistana com ele. Eu, particularmente gosto de alguns de seus poemas, como:

Eco e o descorajado

Neste lugar solitário
Onde nem canta o sem-fim,
Choro. E um eco me responde
Ao choro que choro em vão.
Eco, responde bem certo.
Meus amigos me amarão?…
E o eco me responde: _ Sim.

Pois então, eco bondoso,
Você que sabe a razão
Porque deixando o tumulto
De Paulicéia, aqui vim:
Eco, responda bem certo,
Maria gosta de mim?
E o eco me responde: _ Não!

Antes morrer!… Eu me sinto
Tão vazio com este amor…
Não agüento mais meu peito!
Morrer! Seja como for!
Eco, responda bem certo,
Morrerei hoje, amanhã?…
E o eco me responde: _ Nhãam…

 

Esse poema faz parte do livro Mario de Andrade da Editora Global – seleção feita pela Gilda de Mello Souza, que também trás os poemas da série São Paulo Noite e Dia – Lira Paulistana que são os favoritos da Lu.

Difícil falar do poeta, mas pelo que li, soube que Mario de Andrade nasceu em São Paulo, no ano de 1893. Foi professor, crítico, poeta, contista, romancista e músico. Formou-se pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, passando a lecionar neste mesmo local posteriormente. Participou da famosa Semana de Arte Moderna de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, sendo um de seus organizadores.

Durante sua trajetória, Mario de Andrade fundou a Sociedade de Etnografia e Folclore e também passou por vários cargos públicos, entre estes, foi diretor do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo.

Apesar de ter sido uma pessoa com inúmeras ocupações, este artista modernista sempre tinha tempo para ajudar os escritores que ainda não eram conhecidos.

Enquanto viveu, ele lutou pela arte com seu estilo de escrita puro e verdadeiro. Certo de que a inteligência brasileira necessitava de atualização, este escritor modernista nunca abandonou suas maiores virtudes: a consciência artística e a dignidade intelectual.

Recentemente aqui em São Paulo surgiu uma discussão insignificante e sem sentido que deixou a Lu descontente ao extremo. Questionavam a cor da pele de Mário de Andrade. E concordei com ela na época que a cor da pele dele era realmente insignificante diante da riqueza de sua vida em pró da cultura e da arte. Afinal, graças a ele temos a salvo nos dias atuais muito do folclore brasileiro num acervo disponível no Centro Cultural São Paulo.

Lua Nova…

 

poesia em fuga

Boa noite a todos, ainda não me acostumei com a idéia de ter um blog. Sempre li o da Lu, mas é diferente você ir até um blog, ler o que a pessoa escreve, as vezes comentar ou não e sair de lá com a sensação de que acrescentou algo em você.

Então é justamente isso que busco com esse blog: a sensação de que você saía daqui com alguma coisa.

Lua Nova, como eu disse aqui anteriormente é o momento de renovar, de nos preparar para uma nova fase. A Lua Nova de maio estará em Gêmeos, o signo da Chama Gêmea que evoluíram para os “Dançarinos Diamante” – Shiva e Shakti dançam pelo Cosmos na dança contínua da Criação Cósmica. A Lua Nova permite o amadurecimento das idéais e das sensações… E como estamos caminhando pelos últimos dias de maio, resolvi renovar o blog A Casa do Mago com poesia…

Então, determinei que essa será a “Semana da Poesia” por aqui e você é meu convidado. Claro…

Então, vamos começar com Hilda Hilst que como diz a Lu tem muito de bruxa:

XIX

Corpo de carne
Sobre um corpo de água
Sonha-me a mim
Contigo debruçada
Sobre este corpo de rio.
Guarda-me
Solidão e nome

E vive o percurso
Do que corre
Jamais chegando ao fim.

Guarda esta tarde
E repõe sobre as águas
Teus navios. Pensa-me
Imensa, iluminada
Grande corpo de água
Grande rio
Esquecido de chagas e afogados.

Pensa-me rio.
Lavado e esquecido de tua carne.

 

imageHilda nasceu em Jaú, interior de São Paulo, no dia 21 de Abril de 1930.
Em 1948 entrou  para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco), formando-se em 1952. Em 1966, mudou-se para a Casa do Sol, uma chácara próxima a Campinas (SP), onde residiu até a sua morte em 2004. Ali dedicou-se de corpo e alma à criação literária e a todos os seus cães.

Alguns de seus textos foram traduzidos para o francês, inglês, italiano e alemão. Em março de 1997, seus textos Com os meus olhos de cão e A obscena senhora D foram publicados pela Ed. Gallimard, tradução de Maryvonne Lapouge, que também traduziu Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.

Hilda Hilst faleceu em Campinas-SP, no dia 4 de Fevereiro de 2004.

image O poema acima foi retirado do livro Hilda Hilst Cantares que reúne dois livros integrais da produção poética de Hilda, separados originalmente por um intervalo de mias de dez anos: Cantares de perda e predileção (1983) e Cantares do sem nome e de partidas (1995).

Editora: Globo – 2005

Lua Minguante…

lua minguante

 

Essa semana foi tão corrida para mim que eu não tive tempo de falar sobre as luas que mudaram de fase nesta semana – então, para colocar o assunto em dia, vou começar falando da Lua Minguante que teve inicio no dia 17 de maio (domingo)…

A fase minguante da lua é o inverso da lua nova, no círculo, nos pedidos mágicos. É exatamente quando se usa o punhal ou a foice, para simbolicamente cortar tudo o que nos perturba ou que é  motivo de ilusão.

Nessa fase se pede à lua: sabedoria para tecer nosso destino e virtude para compreender a solidão. Nessa lua, também se pede o dom da magia.

No final do ritual cada participante separa-se das outras cantando com voz cada vez mais baixa a oração:

“agora penso na morte
para encontrar o que realmente sou
antes de tornar-me outro (a)!”

Mas pelo conceito astrológico: Lua, Terra e Sol, formam um ângulo de 270º – e a cada dia que passa a lua fica cada vez menos vísivel até desaparecer completamente do céu… Então a nova fase se inicia…

A lua crescente é ideal para colheita, adubar, podar, cortar madeira para móveis, colher grãos e semear, exterminar pragas e também podar ervas e plantas em geral.

Para o paganismo, a Lua Minguante representa a face Anciã da Deusa que se recolhe nas sombras para entender sua evolução, para refletir e estar em contato consigo mesmo. Nesse momento, ela é Cerridewen e caminha lentamente, com toda paciência que a vida lhe permite para o Vale das Sombras, o interior do caldeirão, o Vale Sagrado, o Ventre acolhedor de Gaia onde permanecerá até ressurgir novamente na Lua Nova, mostrando novamente que o fim também é o começo.

A Lua e a Terra dançam a mesma música, assim como nós que precisamos realmente compreender essa magia para que a vida seja plena.

Então haverá momentos de semear, apreciar o crescimento, ver dar frutos, colher e finalmente haverá momentos de intensa reflexão em que será preciso apreciar cada um dos passos dados para que os erros sejam formas sábias de aprendizados e não de arrependimento porque arrependimentos não faz de nós pessoas melhores. Errar é parte do processo humano, compreender o erro, superá-lo e corrigí-lo no dia seguinte é a escala natural da evolução humana…

Observando a Lua e suas muitas fases perceberemos exatamente o real significado disso tudo e estaremos mais atentos a nós mesmos e nos reais significados de todas as coisas importantes para nossa alma…

 

Grande abraço a todos
Marco

Vale quanto pesa…

http://faculty-staff.ou.edu/L/A-Robert.R.Lauer-1/celtas.jpg

Mesmo diante da ocupação céltica de Roma, muitos romanos, numa intitulada “ação heróica ou bravia” fizeram uma frente de resistência liderada por Quintus Suplicius que se refugiaram no monte Capitólio para lutar contra os invasores.

A escolha do monte Capitólio não se deu graças a geografia do lugar que constituía uma posição mais facilmente defensável. Lembremos que o contingente militar estava bem reduzido, engrossavam as linhas defensivas alguns remanescentes da Batalha de Alia e alguns homens que estavam em Roma e resolveram se juntar a resistência romana. Bravos? Nem tanto…

O monte Capitólio era o mais baixo das sete colinas que circundam Roma, o que facilitou consideravelmente a subida e visão do local que deveria ser por eles protegido. E por incrível que possa parecer, o monte Capitólio não foi atacado inicialmente pelos Celtas, mas não há informações precisas sobre esse fato. Sabe-se apenas que foi uma guerra sem fim, com muitas lendas para contar e poucos fatos concretos para narrar.

A estratégia dos romanos era improvisar barricadas da base até o topo da colina que serviam para impedir qualquer avanço por parte dos Celtas. Restou a Brennus formar um cerco e ter muita paciência para aguardar o momento certo para um ataque decisivo. Contudo, os guerreiros Celtas não tinham por hábito aguardar, era ansiosos por conquistas, talvez por essa razão, a estratégia romana tenha sido triunfante. 

Uma das muitas lendas conta que uma das inúmeras investidas Celtas feitas bem no meio da noite ao monte Capitólio só foi detida porque gansos denunciaram o ataque surpresa ao romanos que certamente teriam sido derrotados.

Como agradecimento, os romanos alimentaram as aves durante todo o tempo em que mantiveram-se no monte Capitólio…

Os Romanos pretendiam vencer os Celtas pelo cansaço e para isso, faziam de tudo para irritar seus inimigos: jogavam pedaços de pães com excrementos, gritavam obscenidades quando os guerreiros Celtas estavam dormindo…

Outro fator importante que incomodou bastante era justamente a falta de recursos, não demorou para que doenças surgissem entre eles, para piorar, a falta de alimentos debilitou ainda mais os dois lados. Mesmo assim, nenhum dos dois lados cedeu em sua posição, seja de ataque, seja de defesa.

Os Celtas avançavam, conquistavam algum espaço e em seguida, devido as ações romanas, voltavam a sua posição inicial.

A guerra entre eles se estendeu durante meses. Período esse que foi responsável por boa parte da história romana ter sido simplesmente apagada do mapa, já que os Celtas destruíram todos os escritos encontrados. Por essa razão, a história de Roma ainda hoje é envolta por lendas e mistérios que nem sempre são capazes de serem desvendados.

O fim foi que ambos saíram derrotados. Os romanos pagaram uma espécie de resgate aos Celtas, equivalente ao peso de Brennus em ouro o que ficou conhecido como  “vae victis” que numa tradução grotesca significa “mágoa aos vencedores”.

“Le Brenn por Paul Jamin em 1893”

Os Celtas deixaram para trás uma Roma destruída, cuja visão naquele momento era de que jamais haveria uma civilização naquele lugar, o que sabemos nós, tratar de um grande equívoco já que alguns anos mais tarde os filhos dos guerreiros do Monte Capitólio ajudaria a construir o verdadeiro “Império Romano” responsável pelo fim da civilização Celta… Mas isso é assunto para um outro artigo, porque antes disso ocorrer, os Celtas se estabeleceram em Pó Valley e dominaram boa parte do território europeu, avançaram em direção a Grécia proporcionando um dos mais memoráveis eventos da história.

Lunna Guedes

>> continua…

 

 

Artigos anteriores sobre o mesmo tema:
Os bárbaros estão chegando
Os Celtas chegam a Etruria
O povo Celta
Um pouco da história do povo Celta

Esse texto expressa pura e simplesmente a opinião do autor sobre o assunto, não se trata de uma crítica ou agressão as diversas formas de religião existentes.

 

Creative Commons LicenseEsta obra está licenciada sob uma
Licença Creative Commons.

Foto do Ritual de Lua Cheia

 

ritual da lua cheia

O Ritual foi realizado aqui em casa numa deliciosa noite de outono…
Celebrar a Natureza faz muito bem a alma!

Awen
Marco

Evento Foco Femina

foco femina
O evento aconteceu no dia 12 de maio
Terça-feira passada…

coisas do blog 039coisas do blog 024coisas do blog 036coisas do blog 018

coisas do blog 028

coisas do blog 023coisas do blog 026coisas do blog 022coisas do blog 021

A “Grande Arte”

 image

Segunda-feira, lua minguante…
O frio que finalmente chegou em São Paulo e um antigo assunto sobre o qual eu queria muito escrever e ainda não tinha tido tempo para isso, mas eis que chegou o momento. Acho que nada acontece nem antes e tão pouco depois…

Então, vamos lá. Eu sou pagã – embora tenha conhecido muitas outras religiões, sempre estive imersa nessa filosofia de vida. Sim, uma filosofia porque nunca considerei o paganismo como sendo uma religião. Cresci no meio de Bruxas (minha nona, minha mamma, entre outras mulheres da minha família). Aprendi com elas a cultivar a terra, a apreciar o vento, o sol, a lua, as nuvens, a chuva, a realizar rituais mágicos, a agradecer a Deusa e o Deus. Desde pequena eu ouço que as mulheres são abençoadas e que os homens também, mas para a benção ser completa, eles precisam descobrir como caminhar juntos e não um a frente do outro…

Esta foi a minha criação.
Mas eu trilhei outros caminhos – estudei o cristianismo, o judaísmo, o budismo – fui budista durante anos e voltei para o paganismo. Foi preciso muitos passos para eu descobrir que minha ciência e minha arte era essa!

Acontece que muitas pessoas nos dias atuais estão gritando para o mundo esse dizer “eu sou pagão” – grande parte das pessoas aderiram ao modismo que está por todos os lugares graças aos livros de Harry Potter, O senhor dos anéis, entre outros… Mas é preciso lembrar que um Bruxo e uma Bruxa não soltam raios pelas mãos, não invocam demônios (aliás, os cristãos criaram essa figura absurda, então eles que se entendam com ele e não nos creditem tal ação) não fazem feitiços para curar, matar, prejudicar. Nada disso. A palavra bruxa está diretamente ligada a uma Arte e cada uma das mulheres que praticam esta Arte trás em sua pele e em sua alma um dom. É claro que não se trata de algo tão simples. É preciso estudo, dedicação e mais que isso, é preciso levar tudo isso para o seu cotidiano. Não adianta dizer ao vento palavras bonitas e deixá-lo levá-las embora. É preciso conhecer a Arte e acima de tudo praticá-la e ao praticar, descobrimos que não é tão simples quanto parece…

O paganismo surgiu há milhares de anos atrás, muito antes da expressão ser usada pelos cristãos para definir aqueles que não são batizados em Cristo. A bem da verdade a palavra pagão vem do latim e tem como definição, precisamente como sendo “um homem que vive no campo e dele tira seu sustento”. Há na Irlanda muitas pessoas que ignoram os avanços e que mantêm-se fiéis a esse estilo, como muito citou a Maria Augusta em um comentário aqui na Casa do Mago… Então, por assim dizer, não basta não ser cristão para ser um pagão – é preciso muito mais. É algo que pode levar uma vida toda…

Outra coisa que ocorreu foi o surgimento da wicca que se baseia nos mistérios pagãos. Essa religião surgiu nos anos 40 quando Gerald Gardner tomou conhecimento da filosofia pagã que seguia sendo praticada, mesmo com a perseguição cristã. Surgia então a wicca gardneriana e mais tarde viria a surgir ainda a wicca Alexandrina e Daianica. Mas se trata de uma religião onde todos são pagãos, ou seja, você pode ser pagão e não ser um wiccano, mas não pode de forma alguma ser um wiccano e não ser pagão.

image O fato é que a Grande Arte, também conhecida como a filosofia ou religião (para muitos) da Grande Mãe não impõe a ninguém um procedimento, uma atitude única. A bem da verdade, ela é ampla e nos permite agir de acordo com os nossos príncipios, contudo, nos lembra sempre da verdade maior “não faça ao outro aquilo que você não gostaria que fizessem à você”… É claro que aprendemos a respeitar os anciãos que tem muito a nos ensinar, como: a semear, a colher, a ouvir nosso interior, a nos conhecer e acima de tudo, observar que a terra (Gaia) é nosso lar, mas não é apenas nosso, é de todo ser vivo que tem direito a vida tanto quanto nós.

Enfim, a Arte nos pede dedicação constante e uma mente aberta para todas as possibilidades e com o passar do tempo, a gente aprende a não julgar, a não condenar e a não exigir mais das pessoas do que elas são capazes de oferecer. E muito melhor que agradecer, é retribuir.

Blessed be
Lunna

Os bárbaros estão chegando…

imageGuerreiro Celta Escocês pintado de azul como era costume entre os Celtas da Britânia

A história nos diz com riqueza de detalhes que a emergente República de Roma praticamente foi extinta quando os Celtas cruzaram as muralhas situadas bem a margem esquerda de um pequeno afluente intitulado Rio Allia, entre tantos outros que nasciam do leito do Rio Tibre. Ali aconteceria a primeira grande derrota militar romana.

O dia 18 de julho de 390 a.C ficaria conhecido como “Dia Nefasto” – “Dies Nefastus”.

Até então, aos olhos de Roma, o povo Celta era conhecido apenas como os “bárbaros” e eram julgados com desdém pelos romanos. Mas foi esse povo que promoveu uma das maiores batalhas da história antiga que foi denominada a Batalha de Allia.

Após conquistar Etrúria, os Celtas seguiram em direção a Roma que posicionou suas tropas em sobreaviso as margens do rio Allia. Essas tropas pretendiam deter uma possível tentativa de invasão.

O exercito Celta, liderado pelo lendário Brennus, tinha a sua disposição guerreiros oriundos de várias tribos celtas: ínusbres, bóiis, ligones e majoritariamente senonês. Os romanos por sua vez eram liderados pelo experiente general Quinto Servio Suplicio.

Brennus optou por uma estratégia ardilosa que consistia em enviar seus guerreiros em grupos subdivididos num ataque pelos flancos. Algo que se assemelhava a uma emboscada e que acabou por surpreender os romanos. Os soldados ali posicionados eram os mais jovens e mais inexperientes (hastati) e foram facilmente mortos…

Diante do avanço Celta, os romanos cometeram um grave erro estratégico ao posicionar todos seus recursos militares naquela empreitada desastrada, visando defender seu território, deixando sua retaguarda totalmente desguarnecida. Na certa imaginaram ser impossível serem derrotados, mas o pior aconteceu… Roma tornou-se para os Celtas uma presa fácil para um ataque massivo.

Após vencerem a batalha, seguiram em direção a Roma, onde chegariam em questão de horas naquele mesmo dia. Eufóricos, seguiam com o ânimo exaltado e o ego inflado diante da conquista. Para trás, deixavam um rastro de caos e destruição…

Os celtas estavam então a cerca de 20 km de distancia de Roma e já tinha conquistado um território que compreendia desde a base dos Montes Apeninos, passando pela a Planície do Pó até o litoral do Mar Adriático onde no processo de ocupação varreram do mapa a Etrúria.

Os romanos pareciam não fazer idéia alguma do que estavam enfrentando. Foram bravos até certo ponto. Quando os Celtas chegaram, a sensação que se tinha em Roma era que eles vinham de todos os lados e era impossível vencê-los. Muitos encararam o inimigo de perto, mas muitos outros fugiram covardemente, embora há quem defenda tal atitude, dizendo que foi uma fuga estratégica…

Aos celtas só foi necessário passar pelos portões da famosa “Cidade das Sete Colinas” (Quirinal,Viminal,Esquilino, Capitólio,Palatino,Célio e Aventino) deixados abertos e escancarados pelos que fugiam a céu aberto da fúria céltica…

Então, ao entardecer do dia 18 de julho de 390 a.C, Roma estava imersa no mais completo caos. Ao longe era possível avistar Roma em chamas devido aos inúmeros focos de incêndios causados pelos Celtas que saquearam todo o lugar e tudo que não pode ser carregado por eles, foi aos poucos sendo destruído pelo fogo.

Naquele tempo não se fazia prisioneiros, tão pouco eram poupados mulheres, crianças ou idosos. Quando um povo entrava em confronto, todos os seus também faziam parte de uma forma ou de outra da guerra estabelecida. Não havia clemência.

image Ataque Celta contra Roma

Tudo que sobrava de um território invadido e conquistado era denominado “terra arrasada”. O que não fosse possível saquear era totalmente destruído a base da força bruta ou ateando fogo em tudo que ainda permanecia em pé. Por isso a história atribuíu aos Celtas a alcunha de “Os Barbaros” – diferentemente dos romanos que conquistavam um povo e os impunha a sua forma de cultura, a sua forma de pensamento, limitando-os as ideologias romanas.

image Reunião de lideres Celtas

Os Celtas eram Senhores da Guerra, eles acreditavam que os Deuses (como Thor) estavam ao seu lado e quando entravam em uma guerra, sabiam que seriam vencedores vivos ou mortos derrotados. Ao invadir Roma, eles foram vencedores num primeiro momento:

Roma conquistada – Roma destruída…

Lunna Guedes

>> continua…

 

Artigos anteriores sobre o mesmo tema:
Os Celtas chegam a Etruria
O povo Celta
Um pouco da história do povo Celta

Esse texto expressa pura e simplesmente a opinião do autor sobre o assunto, não se trata de uma crítica ou agressão as diversas formas de religião existentes.

 

Creative Commons LicenseEsta obra está licenciada sob uma
Licença Creative Commons.

Mabon

Mabon é o segundo festival da colheita, quando se celebra o término da colheita dos grãos que começou em Lammas. O equinócio de outono é um tempo de reflexão e instrospecção.

Essa é  a celebração favorita de muitos praticantes da Arte porque o ritual é mais lento e geralmente aproxima as pessoas de si mesma, permitindo que façam uma avaliação sobre seus passos até aqui.

O Deus aqui é o Ancião, seus passos são mais lentos e ele se apoia em seu cajado para caminhar rumo a Terra do Verão (vale da morte) onde a Deusa irá em seu encontro em Samhain.

Muitos praticantes encenam em Mabon o mito grego de Persefone que ajuda as pessoas a compreender a morte, a olhar para ela sem receio, a entender que a vida é um círculo onde tudo tem começo, meio e fim e nem mesmo o Deus e a Deusa estão livres dessa verdade que não deve ser temida e sim compreendida por todos nós.

Os Celtas celebravam Mabon e Modron que é um antigo Deus Celta que simboliza os princípios masculinos na fertilidade.  É o nome galês do Deus da mocidade, a Divina Criança que os Druídas acreditavam estar dentro de todos nós. Ele é uma criança do outro mundo que nasce do amor entre a Deusa e o Deus e desaparece em seu terceiro dia de vida.

Mabon ap Modron significa “Filho da Grande Mãe” – por isso celebra-se a mudança, a transformação. As folhas envelhecem, tanto quanto os Deuses, a colheita termina e é hora de guardar o que foi colhido para suportar o inverno, momento em que a terra descansa e o sol diminui sua intensidade gradativamente.

O Filho da Grande Mãe é a semente que garante a continuidade, é aquela criança interior que mantem a vida acesa dentro de todos nós. Nos fazendo jovens eternamente. É a grande chama, a nossa alma em cores vivas e intensas que se renova constantemente. É exatamente isso que devemos celebrar, porque precisamos manter viva essa criança que nos foi entregue pelos Deuses, que nos enviou o filho de seu amor para que compreendessemos que nascer, crescer, reproduzir e morrer é uma filosofia a ser entendida calmamente com o passar das muitas luas.

A essência desse ritual é o rejuvenescimento para que as colheitas sejam prósperas no ano seguinte. É hora de cuidar das sementes, da terra e de si mesmo…

Em Mabon fotografias de nossos ancestrais são espalhadas pela casa, está próximo o reencontro com cada um deles e é nossa memória que tornará isso possível.
A terra é celebrada e batatas são assadas, numa fogueira ou no forno mesmo com a presença de amigos e familiares que contam suas aventuras durante o ano. É um ritual aconchegante que pede que estejamos perto daqueles que amamos.
No dia do Equinócio, as pessoas levantam cedo para se despedir do sol e de todas as criaturas que já começam a procurar por abrigo para suportar o inverno que se aproxima.

Um detalhe bastante interessante acerca desse equinócio é que foi a partir dele que surgiu o famoso dia de ação de graças.

Beijitos a todos
Francy´s Oliva 


Convite…

Passei apenas para deixar o convite, estamos ocupados com os preparativos do evento de logo mais a noite e por mais que se esteja atento, sempre fica faltando algum detalhe…

Enfim, se você estiver em São Paulo, venha apreciar um novo olhar sobre o feminino a partir da poesia do mio amore (Lunna Guedes) e artistas convidados.

foco femina

Abraços,
Marco

Foco Femina…

foco femina folder  
Vou abrir aspas aqui no meu blog para falar da minha “namorida” (lógico). 
Na próxima terça-feira acontece o evento “Foco Femina – performances e Som” que contará com a participação dos artistas convidados: Mônica Lopes (dança do ventre) – Debora Aoni (atriz que irá interpretar os poemas da Lu) – Rosae Novichenko (artista plástica), Carolina Costa (blogueira, desenhista, entre outras coisas) – Annie Leibovitz (fotografa) e ao som do Coral Comunicação e Harmonia.

A idéia principal do evento é exibir aos participantes do evento um novo olhar sobre o feminino a partir da poesia da Lu.

Para quem estiver em São Paulo e quiser prestigiar o evento:
Dia 12 de maio – às 20 horas, na Rua Saldanha da Gama, 641 – Alto da Lapa (veja como chegar no google maps ou clicando aqui). O evento é gratuito, mas é preciso adquirir o convite com antecedência no local ou pelo telefone (11) 3807-9354.

E teremos uma deliciosa surpresa nesse vento: o coquetel será totalmente preparado pela Lu, que pra quem “arrasa” na cozinha. Eu melhor que ninguém posso dizer isso.

Durante o evento também teremos o lançamento do Poética Zine Foco Femina que seria distribuído gratuitamente para os participantes do evento, mas que a Lu decidiu que  será vendido a R$ 5,00 (cinco reais) e todo o valor arrecadado com a venda do “Poetica Zine” será revertido para o Quintal de São Francisco do qual falei num post ontem, para ler clique aqui. Se você não puder vir ao evento, pode adquiri-lo solicitando o seu pelo email (eng.marcoguedes@gmail.com) e você poderá recebê-lo pelo correio.

E para quem comparecer ao evento haverá também o sorteio de peças exclusivas do Mago e do Poetica Zine Metrópole – edição anterior que publicou os poemas da Lu sobre São Paulo.

E para vocês sentirem um pouco do sabor da poesia feminina da Lu, deixo aqui um dos poemas que eu mais gosto nessa série Foco Femina.

 

Poema   8

No último momento
…quando o silêncio fica do lado de fora
E a navalha fina já se prepara para o golpe
Você descobre uma sucata de alma
Na lágrima que rasga a face!
Desmorona…
A dor que há tempos sente,
…finalmente verte!

O espelho reflete a menina de primaveras tantas
A jovem capaz de imaginar qualquer coisa
E a mulher censurada do lado de dentro das pálpebras
Tudo memória disfarçada pela outra
que você tantas vezes encenou!

…e tudo é delírio dos sentidos
Cansaço de ser tantas coisas!

E quando o outro volta pra casa
Lá está o fantasma e toda a realidade dos anos
E vem o relógio e sua dança
…uma
…duas
…três
…ou mais!

Para fora com tudo!
Com trapos e pias cheias de louça
Com choros de crianças crescidas
E desejos nunca permitidos!

Minuto a minuto
…tudo vai ficando vazio!

Abraços a todos
Marco

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 566 outros seguidores