Litha – o ritual do Deus Sol…

Depois de falar de Beltane na semana passada, hoje vou falar do ritual que ocorre no dia 21 de junho (hemisfério norte) que é conhecido como Litha e marca o primeiro dia do verão – é o dia em que o poder da luz se encontra acima da escuridão, garantindo poder e proteção. Celebra-se nesse dia a continuidade da vida – é sem dúvida alguma mais um momento mágico da Natureza ao nosso redor…
Litha (lê-se Líta) ou Solstício de Verão é quando o Sol está em seu ápice e mantém o seu maior brilho e elevação. O meio de verão, como é chamado, é celebrado pelas bruxas e bruxos pela sua abundância e plenitude no ano, trazendo fetilidade à Terra.
Litha é celebrado por volta de 22 de dezembro no hemisfério sul e por volta de 22 de junho no hemisfério norte. É o dia mais longo do ano, mas que também representa o declínio do Deus Sol. A partir deste dia, os dias vão ficando cada vez mais curtos, até chegarem ao ápice da escuridão no solstício de inverno. Por isso é considerado um marco que assinala o início da metade escura do ano, ao contrário do solstício de inverno.
É muito importante dizer que esta é a época em que ocorre o florescimento do carvalho.
O solstício de verão é tanto um festival de fogo que representa o aspecto de Deus quanto um festival da água que representa o aspecto da Deusa.
A Deusa e o Deus estão no êxtase de sua união e vemos a Natureza cheia de frutos e flores belas. É o ápice do amor entre ambos. A Deusa reina como a Rainha do Verão e o Deus aproveita seu auge, pois depois começará o seu declínio até renascer no inverno.
Devemos nos lembrar que a mudança é a essência da vida, pois tudo carrega dentro de si a semente do seu oposto. O Sol está com seu poder no auge, mas aos poucos começa a declinar. Vida e morte fazem parte de todos os aspectos na Natureza e também de nossas vidas.
Litha revela que após a união da Deusa e do Deus em Beltane, O Deus já está adulto, um homem formado, e tornou-se pai (dos grãos) – ele é o grande responsável pela continuidade da vida. Em sua plenitude e felicidade ele traz o calor do verão e a promessa total de fertilização com o sucesso da fertilização do ventre da Deusa.
Nesse momento o Deus, após cumprir a sua função de fertilizador, dá seu último beijo em sua amada e caminha ao país do Verão – utilizando-se o Barco da Morte para morrer em Samhain.
Outros povos também festejavam a abundância do verão com festivais semelhantes: Vestália (Roma), Dia dos Casais (Grécia), Festa de Epona (País de Gales), Thing-Tide (Escandinávia), Alban Heflin (tradição anglo-saxã) ou a Dança do Sol (nativos norte-americanos).
Por causa do solstício, existem os trópicos de Câncer e Capricórnio. No solstício de verão no hemisfério sul, os raios solares incidem perpendicularmente à terra na linha do Trópico de Capricórnio. No solstício de inverno, ocorre a mesma coisa no Trópico de Câncer.

Alguns antigos costumes do Solstício de Verão:
- Na Europa, as celebrações deste sabá foram absorvidas pela festa cristã de São João, cujo nome originou-se da erva usada com fins curativos e mágicos, como proteção ou para proporcionar sonhos e presságios.
- As homenagens aos seres da Natureza ou às divindades naturais também foram substituídas pelas populares e folclóricas festas juninas no Brasil.
- Antigamente, os casamentos eram celebrados em junho para garantir-se a fertilidade, sendo esta uma data muito propícia, embora diferente de Beltane, que era reservada aos ritos de fertilidade e ao Casamento Sagrado das divindades.
- Em Creta, o Ano Novo começava no solstício de verão, marcando o fim da colheita do mel. Para os cretenses, o zumbido das abelhas era a voz da Deusa anunciando a sua regeneração. O touro personificava o Deus e, ritualisticamente, era sacrificado para simbolizar a sua morte e seu renascimento das entranhas da Terra. A lenda do Minotauro representa nada mais nada menos do que a descida simbólica à escuridão, encarando os medos e encontrando os meios da renegeração, ao seguir o fio da vida tecido pela Deusa.
O Barco da Morte é descrito de forma bem clara no livro As Brumas de Avalon de Marion Zimmer Bradley
Por hoje é isso, volto com mais na próxima semana.
Abraços,
Francy´s
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Etiquetas:as brumas de avalon, barco da morte, Beltane, colheita, costumes, Deus Sol, Deusa, ervas, hemisfério norte, hemisfério sul, história, Litha, mitos, ritual, solstício de verão, terra do verão, tradições
Sobre Marco Antonio
Engenheiro por formação, artesão por definição. Um praticante dedicado das boas coisas da vida...5 Responses to “Litha – o ritual do Deus Sol…”
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Esta alternância entre a luz e a escuridão, a vida e a morte, o bem e o mal se encontram em varias culturas em torno do mundo, como o yin e o yang oriental. São os ciclos da natureza que são “traduzidos” segundo as crenças de cada povo…
Um abraço.
Francy´s, eu gosto muito do ritual de Litha, acho interessante essa alusão do Deus que segue rumo a terra do verão sabendo que irá retornar para a sua Deusa.
Tenho apreciado e muito tudo que tenho encontrado nesse blog, mas gostaria de saber se vocês pretendem publicar os rituais porque tenho encontrado muitas coisas estranhas na net e seria bom um arquivo sério sobre o assunto. Blessed
Muito bom seu post ^^
No meu blog eu falo mais de mitologia, mas sempre coloco algo sobre paganismo, intão, se alguém quiser dar uma passadinha lá, será muito bem vindo ^^
http://www.blog-do-hermes.blogspot.com
Parabéns e continue com esse bom trabalho ^^