Caminhos paulistanos…
Nasci aqui em São Paulo, gosto da minha cidade e dos muitos lugares que a cidade as vezes “esconde” de muitos de nós. Moro na Lapa há muitos anos. Já fui e voltei uma dúzia de vezes…
É um bairro tranquilo, mas já foi bem mais. Antes a gente conhecia todos que moravam por aqui. Hoje, as casas (que ainda estão de pé) contam as histórias das pessoas que viveram nelas. Muitas já morreram… Outras simplesmente se mudaram.
Quando me mudei pra cá, havia apenas duas ou três casas na rua onde eu moro. Muitos anos se passaram e muitas histórias e saudades se acumulam na minha memória, como o famoso bondinho aberto Anástico/Lapa que descia e subia a 12 de Outubro que me levava para o colégio todas as manhãs… É interessante observar as mudanças ocorridas ao longo dos anos, é como ler um livro e saber decor cada capítulo.
A maioria das casas hoje tem muros altos, cercas elétricas e parece faltar indícios de vida humana lá dentro. É o preço que pagamos pelo título de maior cidade da América Latina. Mesmo assim, São Paulo continua sendo a minha cidade e a Lapa um dos melhores bairros de São Paulo.

Claro que há algumas coisas a se lamentar, há algum tempo que prédios ocupam espaço no horizonte lapeano. Infelizmente. Outra coisa a lamentar é o constante surgimento de comércios variados no lugar de casas. A Rua Pio XI que antes era residencial, agora o que menos tem são residências, até porque com o aumento considerado do transito nos últimos anos, é quase impossível morar ali. Aliás, o bairro tem uma nova característica singular: centenas de placas: “vende-se“.
O que eu me pergunto sempre que percorro as ruas da Lapa é: até quando esse bairro ainda será agradável, com suas centenas de árvore frutíferas, rostos conhecidos e seu ar interioriano? Não sei, como tudo em São Paulo muda muito depressa é pagar para ver…
Primeiro passo…

Hoje é segunda-feira e como eu costumo dizer – é o dia da Lua. E no “dia da lua” eu gosto de praticar yoga, meditar, acender incensos pela casa, ler poemas, ouvir músicas mais calmas, como se estivesse se todos os dias se convergissem num só dia, num só momento. Ao contrário da maioria, eu simplesmente adoro as segundas-feiras.
Bem, já que eu comecei falando das segundas, por que não falar também da terça, da quanta, da quinta e por aí vai? É porque cada dia tem o seu sentido, o seu significado e é importante sabermos disso para poder nos adequar aos seus simbolismos, as vezes, saber de coisas simples e pequenas nos poupa as energias.
Então vamos lá. Os dias da semana tem curiosidades interessantes: o bispo Martinho de Dume tinha receio das comemorações pagãs, assim como toda a igreja cristã que lutava para impor asu doutrina a população na época e acabou olhando para o paganismo (cultura tradicional na epoca, algo como o folclore no interior brasileiro) como sendo uma série ameça, já que o povo não conseguia se desprender de seus velhos costumes: fogueiras, chás patuás e festas ao ar livre.
Foi então que o bispo Martinho resolveu aproveitar-se dos nomes dos dias da semana de Páscoa, que eram sete e considerados santos (feriados e não se podia trabalhar neles) para nomear todos os dias da semana.
Assim sendo, ficou assim:
Prima Feria – Primeiro dia do Feriado
Feria Secunda – Segundo dia do Feriado
Feria Tertia – Terceiro dia do Feriado
Feria Quarta – Quarto dia do Feriado
Feria Quinta – Quinto dia do Feriado
Feria Sexta – Sexto dia do Feriado
Sabbatum – Dia do Sabath (Dia de culto)
Já deu pra ter uma vaga idéia de como surgiu a FEIRA nos dias da semana na nossa tão maltratada língua portuguêsa? Ao ser traduzido para o Português, o “feria” que significava “feriado ou férias” acabou sendo transformado nesse nosso tradicional “feira”. Algo meio bobo, não é? Enfim, os nomes dos dias sa semana passaram a ser segunda-feira, terça-feira, quarta-feira e isso contribuiu para que os nomes dos dias da semana sejam diferentes das outras línguas, como é o caso das línguas mais antigas que usaram o nome de corpos celestes para denominar os dias da semana.
Solis dies – Dia do Sol
Lunae dies – Dia da Lua
Martis dies – Dia de Marte
Mercurii dies – Dia de Mercúrio
Jovis dies – Dia de Júpiter
Veneris dies – Dia de Vênus
Saturni dies – Dia de Saturno
As explicações são muitas, mas acho que o importante mesmo é você fazer com que os dias da semana sejam agradáveis e preciosos para você, por isso, esqueça a tal da “segunda-feira brava” e comece o dia com disposição. Prepare uma boa xícara de chá, acenda um incenso, respire fundo várias vezes, leia uma poesia e lembre-se que é mais um dia que se inicia e em breve também terminará. Um ciclo que se inicia num momento e se encerra no outro.
Em italiano, os nomes são os seguintes:
Doménica, Lunedi, Martedi, Mercoledi, Giovedi, Vernedi e Sabato
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